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Um idioma herdado do passado, abrindo portas para o futuro

Herdado dos imigrantes, o idioma alemão ainda é frequentemente utilizado em diversos locais de nossa cidade.

26 de janeiro de 2020

Herdado dos imigrantes que se estabeleceram na região onde hoje é Pomerode, o idioma alemão ainda é frequentemente utilizado em diversos locais de nossa cidade, como ruas, estabelecimentos comerciais, casas. Este foi um dos motivos que levou a administração municipal, por meio da Secretaria de Educação, a criar um projeto pioneiro no país: o Projeto Bilíngue, que oferece o ensino em um segundo idioma nas escolas públicas.

Tudo começou em 2008, quando o projeto foi instituído na Escola Básica Municipal Olavo Bilac, em Testo Central, com a turma do 1º ano. No ano seguinte, quem recebeu o projeto foi a Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz, de Testo Alto. Ambas as regiões têm forte influência da colonização germânica, o que motivou a escolha dos locais. Recentemente, em 2017, a Escola de Educação Básica Municipal Profª. Noemi V. C. Schroeder também iniciou sua participação no Bilíngue.

“É importante destacar que, a princípio, a ideia era começar com uma turma do 1º ano do Ensino Fundamental tendo o Bilíngue, com a outra turma ficando apenas com as aulas em português. Porém quando foi realizada uma consulta com os pais das crianças do 1º ano, todos afirmaram que gostariam que o filho estivesse no Bilíngue, então todo o 1º ano iniciou com o projeto, na escola Olavo Bilac”, comenta o secretário de Educação e Formação Empreendedora, Jorge Buerger.

Então, o Projeto começou a funcionar da seguinte maneira: todos os alunos que ingressam no 1º ano do EF, das escolas participantes, tem o ensino bilíngue. A partir do 2º ano, os pais optam se a criança continuará ou não no projeto, porque a partir daí, as aulas em alemão acontecem no contra turno escolar, totalizando 10 horas aula de ensino em alemão.

 

As crianças foram evoluindo progressivamente no Bilíngue. Em 2020, temos a primeira turma de 3º ano no projeto, na escola Noemi Schroeder e, no ano de 2016 os primeiros alunos do projeto bilíngue se formaram na Olavo, e 2017 na Amadeu da Luz.

 

“As crianças foram evoluindo progressivamente no Bilíngue. Em 2020, temos a primeira turma de 3º ano no projeto, na escola Noemi Schroeder e, no ano de 2016 os primeiros alunos do projeto bilíngue se formaram na Olavo, e 2017 na Amadeu da Luz”, comenta a coordenadora do ensino de alemão no município Ranice Trapp.

Hoje, de acordo com dados da Secretaria de Educação e Formação Empreendedora, são 404 alunos nas turma bilíngues na Escola Básica Municipal Olavo Bilac, 381 na Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz e 83 alunos na Escola de Educação Básica Municipal Professora Noemi Vieira de Campos Schroeder, totalizando 868 alunos bilíngues.

 

(Foto: Lorizete Pegorini)

Porém, a participação no projeto Bilíngue não é restrita aos alunos que começaram no 1º ano. Outras crianças que vêm morar em Pomerode e fazem parte do zoneamento escolar das instituições bilíngues podem ingressar no projeto, por meio de uma prova de proeficiência, aplicada pelo professor de alemão responsável.

“Todos podem fazer a prova para entrar no projeto Bilíngue, não importa a idade, porém quanto mais nova a criança, maiores da chances de sucesso. Temos uma parte escrita e uma oral, este que é feito sempre por dois professores, para que haja uma avaliação justa, com duas opiniões diferentes”, destaca Ranice.

 

Diferencial que abre portas

O projeto Bilíngue proporciona uma série de avanços para quem dele participa. Primeiro, é necessário destacar que foi uma ação inovadora, que, inclusive serve de inspiração para outros municípios, por se tratar de uma iniciativa pública, um privilégio oferecido aos alunos que estudam em uma escola municipal.

“Temos, ainda, uma parceria com o Instituto Goethe, da Alemanha, que aplica os testes para nossos alunos. Estes testes possuem seis níveis, A1, A2, B1, B2, C1 e C2, sendo A1 o mais básico e C2 o mais avançado. Hoje, temos em nossas escolas alunos que, em 2020, farão a prova B1, sendo que B2 é considerado fluente”, explica Ranice.

“Quem tiver a B2 e formação superior pode morar na Alemanha, então você conseguir atingir o nível anterior a este, ainda no fim dos anos iniciais, é um grande passo. Trata-se de um reconhecimento internacional e que, se for obtido o B2, pode-se obter bolsas em universidades alemãs”, complementa o secretário.

O nível no qual cada aluno se encaixa é definido conforme o desempenho em simulados oferecidos também pelo instituto e podem haver alunos em diferentes níveis, na mesma turma. O professor, com a ajuda do resultado deste simulado, consegue identificar as potencialidades de cada estudante e os pontos que precisa melhorar, para atingir uma determinada certificação, nos níveis citados acima.

 

(Foto: Divulgação)

“Ainda falando de resultados, neste ano, teremos duas alunas de 9º ano, das escolas Amadeu da Luz e Olavo Bilac, indo para um intercâmbio na cidade coirmã de Torgelow. Elas passaram por uma seleção, que avaliou escrita e oratória, principalmente, avaliados por uma comissão, e ficarão por seis semanas na Europa”, afirma Ranice.

Elas irão para a Alemanha, ficarão em casas de família durante o intercâmbio e retornam um pouco antes da Páscoa. Depois disso, elas têm até o fim do ano para compartilhar experiências e conhecimento com colegas de sala. “A intenção é que elas mantenham contato com as amizades de lá, façam chamadas por Skype, por exemplo, com eles e exercitem o alemão, a conversação. Elas trarão um conhecimento enorme, pois tudo lá é alemão, irão vivenciar a língua o tempo todo. É uma oportunidade ímpar”, destaca a coordenadora do idioma.

De acordo com Buerger, existe a intenção por parte do poder público de tornar o intercâmbio de alunos do Bilíngue uma política pública. “Nosso desejo é que os dois melhores alunos com melhor desempenho ganhem um intercâmbio, pago pela prefeitura, para a Alemanha”, frisa.

Ainda, os alunos que participam do Bilíngue apresentam uma evolução mais significativa, pois ficam tendo aulas complementares, em uma nova língua, por oito anos. Se contarmos as horas e convertermos em dias letivos, isso representa três anos a mais deles na escola.

 

Entendemos que estas crianças que participam do Bilíngue têm raciocínio lógico mais rápido, liderança, desenvolvem outras habilidades e desempenho melhor, interação maior com os colegas. Tudo isso fica bem mais visível nas séries finais.

 

“Entendemos que estas crianças que participam do Bilíngue têm raciocínio lógico mais rápido, liderança, desenvolvem outras habilidades e desempenho melhor, interação maior com os colegas. Tudo isso fica bem mais visível nas séries finais”, reitera Ranice.

“Estamos investindo em preparação dos professores, para que, pedagogicamente melhoremos, também. Nossa intenção, ainda, é tornar o ambiente bilíngue, com placas, conversas nos corredores, porque muitas pessoas falam alemão ainda em Pomerode. São desafios que temos pela frente para instituir cada vez mais”, finaliza o secretário.

 

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