Um dia dedicado a quem não nega socorro
Dia do Socorrista é celebrado em 11 de julho e, na data, equipe do Jornal de Pomerode
foi conhecer mais sobre o trabalho de dois plantonistas do Samu
Na base do Samu de Pomerode, na tarde de 11 de julho, estão Franciele Fermo Viergutz e Ronaldo Klowasky. Eles fazem parte da instituição há nove anos e foram os primeiros integrantes do grupo na cidade.
Atualmente, o Samu de Pomerode conta com oito socorristas, que se dividem em quatro duplas para realizar os plantões de 12h diárias.
Fran, como é conhecida e carinhosamente chamada, iniciou sua carreira na área da saúde no hospital de Pomerode. “Fiz o técnico em enfermagem e, primeiramente, trabalhei no Hospital de Pomerode por cerca de um ano. Então fiquei sabendo que o Samu teria uma sede na cidade e fui atrás para ver como poderia ingressar na instituição. Na época, ficamos locados com os bombeiros, conversei com o comandante e, como o processo seletivo era por currículo, fui chamada. Ficamos um ano lá”, explica.
A profissional também se aperfeiçoou e fez faculdade de enfermagem. “Aconteceu que nossa ambulância sofreu um acidente e, naquele período, dividíamos os atendimentos e ambulância com os bombeiros. Também fiquei um tempo fora, trabalhando durante o dia no hospital e estudando a tarde. Quando fiquei sabendo que uma nova ambulância chegaria ao município, através da prefeitura, fui atrás para ver como a contratação seria efetuada. Mais um ano se passou até que o processo seletivo para emprego público foi aberto. Passei e estou aqui até hoje, normalmente trabalho a noite. Terminei meus estudos, me formei em enfermagem e agora faço pós-graduação”, conta.
Já Ronaldo trabalhou durante muitos anos no setor metalúrgico pomerodense. Foi através do trabalho voluntário que descobriu sua paixão pela saúde. “Trabalhei por mais de 10 anos no setor metalúrgico e, através de um amigo, que era bombeiro voluntário, fui convidado para efetuar o curso de formação dos bombeiros. Então o fiz e, na sequência, o de primeiros socorros e de combate a incêndios. Quando encerrei o curso, fui convidado para seguir como voluntário na instituição, em 2001. No ano de 2007 também fiquei sabendo que o Samu viria para Pomerode e fui atrás. Decide me especializar nisso e tratar a saúde como profissão. Sempre via a Unimed e resolvi trabalhar na área e sair da metalúrgica”, revela.
Foi então que a decisão mudou sua vida. “Primeiro conciliava o trabalho com o plantão voluntário nos bombeiros. Fiz um curso técnico em enfermagem e, depois, a entrevista para trabalhar no Samu. Na época entrei como técnico, já não fazia mais plantões nos bombeiros, mas seguia na empresa metalúrgica, até que surgiu a oportunidade de efetuar uma entrevista na Unimed, onde trabalhei na UTI Móvel até abril desse ano, totalizando sete anos. Agora sigo somente no Samu trabalhando como motorista/socorrista”, afirma.
O Samu em Pomerode – Pomerode conta com oito profissionais. A regulação dos atendimentos é efetuada através do médico regulador, que atende a população através do número de emergência 192. “Somos regulados pela Central, que está localizada em Blumenau, e que atende todo o Vale do Itajaí. Ao ligar para o 192, o técnico de regulação vai solicitar o que está acontecendo, o endereço e, em seguida, passar para o médico. É importante frisar que enquanto o médico conversa com a pessoa, se houver necessidade de despachar a viatura, ele irá passar para o rádio operador, que é uma cabine ao lado, e leva apenas alguns segundos. Sendo assim, enquanto está falando com o solicitante a viatura já está sendo encaminhada ao local”, explicam.
A dupla de plantão possui profissionais qualificados que são nomeados enfermeiro/socorrista e socorrista/motorista. A unidade pomerodense conta com duas ambulâncias USB (Unidade de Saúde Básica), que é utilizada para atender casos clínicos e, também, acidentes de trânsito. “Atendemos, em média, 95 casos por mês. Esse número representa um aumento considerável desde que chegamos a Pomerode. A população tem confiado e compreendido que Samu não está disponível, apenas, para atender casos clínicos. Oferecemos suportes nas mais diversas situações”, contam os profissionais.
O Samu em Pomerode iniciou suas atividades no dia 1º de junho de 2007 e completa nove anos no município.
O trabalho no Samu – Os profissionais do Samu atendem, em sua maioria, casos clínicos e, com apoio do médico regulador, oferecem o serviço pré-hospitalar. “Somos os olhos do médico, aplicamos medicamentos, efetuamos o encaminhamento à instituição de saúde. Mas, além disso, o Samu, através do 192, também pode sanar dúvidas”, revelam.
Há diversas situações que marcam os atendimentos efetuados. Mensalmente, casos clínicos envolvendo crianças, jovens, adultos e idosos são registrados, seja por problemas de saúde ou acidentes de trânsito.
Para Franciele e Ronaldo, a questão é unânime, quando há envolvimento de crianças o psicológico precisa ser bastante forte. “As ocorrências nos marcam das mais diversas formas. No início, qualquer situação nos choca e nos comove, com o tempo e a experiência tornamo-nos mais fortes e sabemos lidar melhor com isso. No entanto, quando há criança envolvida não há como não se envolver mais. Há um ciclo natural da vida e quando existe a possibilidade disso ser interrompido é muito triste”, comentam.
Ronaldo, recentemente, viveu a experiência. “Recentemente fomos acionados para atender uma ocorrência em que uma criança, com quase dois anos de idade, estava com sintomas de gripe e falta de ar. Ao chegar ao local, a mãe estava na garagem chorando. Quando chegamos ao quarto, olhamos no berço e nos deparamos com a criança já morta. Esse caso mexeu comigo, você vê os pais, a situação, é bem difícil”, revela.
A dupla de plantão, além de capacitada, também precisa estar em sintonia. “Cada um tem a sua função, mas um ajuda o outro, nossos trabalhos se complementam. E hoje não nos vemos atuando em outra área, pois aqui podemos auxiliar as pessoas e todos os dias, apesar de não saber o que nos aguarda, é recompensador”, reiteram.
O Samu – O Ministério da Saúde, através da Portaria nº 1864/GM, em setembro de 2003, iniciou a implantação do componente móvel de urgência com a criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, SAMU-192.
O SAMU – Serviço de Atendimento Móvel de Urgência é um serviço de saúde, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, em parceria com o Ministério da Saúde e as Secretarias Municipais de Saúde do Estado de Santa Catarina organizadas macrorregionalmente.
É responsável pelo componente Regulação dos Atendimentos de Urgência, pelo Atendimento Móvel de Urgência da Região e pelas transferências de pacientes graves da região.
Faz parte do sistema regionalizado e hierarquizado, capaz de atender, dentro da região de abrangência, todo enfermo, ferido ou parturiente em situação de urgência ou emergência, e transportá-los com segurança e acompanhamento de profissionais da saúde até o nível hospitalar do sistema.
Além disto intermedia, através da central de regulação médica das urgências, as transferências inter-hospitalares de pacientes graves, promovendo a ativação das equipes apropriadas e a transferência do paciente.