Um desafio que podemos vencer
Atualmente, quando se fala de DST, muitos se direcionam ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV, devido ao seu maior impacto individual e no âmbito social. No entanto, dentre as DST, a sífilis vem novamente ganhando um grande destaque no cenário mundial, ocorrendo aumento da incidência de casos de sífilis recente, especialmente na população jovem sexualmente ativa.
Atualmente, quando se fala de DST, muitos se direcionam ao vírus da imunodeficiência humana, o HIV, devido ao seu maior impacto individual e no âmbito social. No entanto, dentre as DST, a sífilis vem novamente ganhando um grande destaque no cenário mundial, ocorrendo aumento da incidência de casos de sífilis recente, especialmente na população jovem sexualmente ativa.
A infecção pelo “Treponema pallidum” vem trazendo um problema adicional: ao afetar mulheres em idade reprodutiva, a sífilis tem a propriedade de infectar mais crianças por transmissão vertical do que o próprio HIV, determinando a Sífilis Congênita (SC). No ano de 2011, em Santa Catarina, foram notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), 110 casos de Sífilis Congênita, enquanto que o número de crianças expostas, que se infectaram com o HIV, chegou a 11 casos no mesmo período.
No Brasil, em 2010, e de acordo com o Ministério da Saúde, foram detectadas e notificadas 10.084 mulheres com sífilis (5 vezes a mais do que em 2005, ano em que se iniciou a notificação desses casos) e 6.677 casos de sífilis congênita.
Ao compararmos o tempo de existência e eficácia do tratamento da sífilis (cerca de 60 anos) ao de outras doenças “modernas”, é possível afirmar que ela é uma forte candidata ao controle clínico-epidemiológico. No entanto, sua erradicação não será possível, se comparada a outras enfermidades (a exemplo da varíola). Esta afirmação se deve principalmente em não haver disponibilidade de vacinas ou outro imunobiológico eficaz para sua prevenção, e sim se adotando práticas sexuais mais seguras. O avanço da epidemia da infecção pelo HIV nos prova o quanto é difícil à mudança de comportamento. Espera-se que o resultado das ações conjuntas de prevenção (uso de preservativos) e assistência (diagnóstico precoce e tratamento adequado) haja a redução do número de casos novos de sífilis. Mas, mesmo tendo acesso a estas medidas de controle, há mais recém-nascidos afetados por sífilis congênita do que qualquer infecção neonatal, incluindo o HIV, rubéola e tétano que atualmente recebem atenção mundial.
Onde está a falha?
Já é conhecido, há muito, que gestantes com sífilis não tratadas possuem até 40% de chances de terem os seus bebês mortos ou gravemente acometidos. As consequências da infecção congênita são severas e poderão determinar sequelas como: cegueira, surdez, retardo mental, má formações ósseas dentre outras. Devido à sua elevada transcendência, a doença é considerada um evento sentinela da qualidade da assistência à saúde, devido à eficácia do seu tratamento; que a existência de casos acima da meta estabelecida pelo Pacto pela Saúde/MS (1 caso/1000 nascidos vivos) denuncia uma grande falha na assistência pré-natal.
Desta forma, é unânime a opinião de especialistas em saúde pública em apontar a necessidade de abordar a sífilis e a sífilis congênita de forma mais pragmática e enérgica. É chegado o momento de não mais aceitarmos que uma infecção bacteriana que, ao acometer gestantes, poderá ser diagnosticada por meio de exames estabelecidos em protocolo de pré-natal, e que é curável com penicilina, um tratamento de baixo custo e acessível em virtualmente todas as unidades de saúde, ainda acometa tantas crianças em nosso meio. Lançar o desafio da eliminação da sífilis em nosso estado nos impele à observância das nossas práticas profissionais e à sensibilização para a gravidade da situação. Antes de tudo, refletirmos sobre a vulnerabilidade feminina às DST, suas implicações na sua saúde sexual e reprodutiva e ao direito a uma gestação saudável.