Um amor que é de coração
Aos 17 anos de idade, Suelen Denise Trettin, descobriu que havia um tumor em seu ovário.
Aos 17 anos de idade, Suelen Denise Trettin, descobriu que havia um tumor em seu ovário. Suelen então, marcou uma cirurgia pelo SUS para retirar o ovário, porém, por erro médico, o ovário que havia sido retirado era o que estava bom. Suelen ficou impossibilitada de engravidar e teve que passar por mais uma cirurgia para a retirada do outro ovário.
Após passar por isso, ela, e, na época seu marido, Ivan Gustavo Wachholz, decidiram entrar no processo de adoção. Reuniram todos os papéis, Suelen fez exames para comprovar que não poderia mais ter filhos e foram mais ou menos dois anos e sete meses de espera e acompanhamento com a psicóloga até que receberam em seus braços o filho Ryan Augusto Wachholz, com apenas uma semana de vida.
Para eles foi uma surpresa muito grande, não esperavam. “Eles não nos avisaram antes, não tínhamos uma peça de roupa. Eles sempre chamavam a gente para fazer atualizações no nosso cadastro e, foi o que aconteceu no dia, em nenhum momento nos avisaram que estavam com uma criança lá. Chegamos lá atualizamos o cadastro, como sempre fazíamos, depois a moça do conselho pediu para irmos falar com a juíza e ela nos disse que na sala ao lado tinha um bebê esperando por nós. A ficha não caia, aí ela nos deu uma hora para sair e comprar umas coisas básicas como fraldas, mamadeira, leite. Assim que eu saí de lá e entrei na farmácia, fiquei em estado de choque, não sabia o que comprar o que fazer, foi a moça da farmácia que me ajudou. E, em uma hora tínhamos que voltar já com o nome em mente, tudo pronto para levar ele para casa”, comenta Suelen.
Suelen ainda ressalta que quando segurou Ryan no colo foi tudo muito intenso e diz que quem puder, deve sim adotar. “Eu incentivo muito, não só por mim, mas tenho casos na família, minha tia também adotou, mas quem puder, quem não tiver como ter filhos, adote, que é maravilhoso, é uma sensação única”. Ressalta Suelen
A história de Suelen serviu de inspiração para sua tia Suzana Hornburg Glau e seu marido Rildo Ricardo Glau, que também não podem ter filhos, mas puderam realizar este ato de amor, um amor que veio em dobro. Depois de um ano de Suelen conseguir a adoção de Ryan, foi a vez de Suzana e Rildo iniciarem o processo. “Foi através da Suelen, minha sobrinha, que decidimos entrar na fila de adoção, sempre pensamos em adotar. Nós vimos que o amor é igual e por isso um ano depois entramos na fila de adoção. Nós não podemos ter filhos. Queríamos mesmo criar uma família, sempre ouvíamos as pessoas falarem que a adoção era muito difícil, mas não é aquilo tudo que ouvíamos”, comenta Suzana.
O casal entrou no processo em janeiro de 2011 e em maio já estavam com todos os documentos prontos, apenas aguardavam a ligação para que conhecessem crianças que estavam na lista de adoção. Segundo eles, o processo de adoção foi rápido. Isso porque depois de um mês na fila por uma criança de até um mês de vida, mudaram e optaram por crianças que poderiam ser irmãos de até 7 anos de idade, o que facilitou a adoção.
Foi no dia dois de novembro que o casal conheceu Analise Hornburg Glau e Fabrício Hornburg Glau e segundo eles foi amor à primeira vista. “A primeira coisa que fizemos juntos foi tomar um sorvete e isso eles lembram até hoje. Quando saímos de lá dia 3 de novembro nós já falávamos que com certeza eram eles. À partir daquele dia a psicóloga começou a trabalhar eles, nós sempre ligávamos, para conversar e ter contato. No dia 12, seria a formatura da pré-escola de Fabrício, resolvemos ir para lá já no dia nove, estavam todos com muita saudades. Quando chegamos lá, a diretora do abrigo já liberou eles para ficarem com a gente no hotel e dia 13, viemos para casa com eles”, comenta Suzana. A Ominha Raulina Glau ficou em casa e, estava preparando uma surpresa para eles. Quando chegaram em casa, ela estava toda enfeitada e cheia de parentes que puderam conhecer os filhos do casal.
“Existe sim uma demora para a adoção, mas isto se dá pelas escolhas que os pais fazem, por cor de pele, cabelo, sexo e idade. Nós recebemos várias críticas por termos recebidos eles com essa idade, mas eles já são bem independentes e quem puder, adote, é algo que não tem explicação. Se nós tivéssemos que fazer tudo de novo, hoje, nós faríamos”, finaliza Suzana.