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Tradição, voz e emoção nos clubes de caça e tiro de Pomerode

Com décadas de dedicação aos clubes de caça e tiro, Eloi Rauh se tornou uma das vozes mais marcantes da cultura tradicional de Pomerode, preservando rituais, emocionando públicos e mantendo vivas as histórias que definem a identidade do município.

13 de junho de 2026

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Figura conhecida nas sociedades tradicionais de Pomerode, Eloi Rauh construiu uma trajetória marcada pela dedicação à cultura germânica e à preservação dos costumes dos clubes de caça e tiro. Aposentado, ele ficou conhecido principalmente por sua atuação como comandante de marcha, função que exerceu por décadas e que o transformou em referência dentro e fora do município.

Sua história nos desfiles e apresentações começou a ganhar destaque em 2004, quando passou a levar ao público explicações detalhadas sobre o funcionamento das tradicionais festas de rei e rainha. Inicialmente realizadas na Praça Jorge Lacerda, as apresentações logo passaram a integrar a programação da Festa Pomerana, onde ganharam ainda mais visibilidade.

“Então, em 2004 eu fiz uma apresentação dos clubes, explicando como funciona dentro de um clube de caça e tiro, as festas de rei e rainha. Foi lá na Praça Jorge Lacerda, duas vezes. Parou todo o desfile para aquilo. Depois mudou e passou a ser dentro da Festa Pomerana, mas sempre com a mesma ideia: mostrar para o público, principalmente os turistas, como são as nossas tradições aqui em Pomerode, a cidade mais alemã do Brasil.”

Com o passar dos anos, Eloi aprimorou seu papel, transformando cada apresentação em um verdadeiro espetáculo cultural. Ele organizava os clubes, conduzia o desfile e narrava cada etapa do ritual, desde a busca do reinado até a condução ao pavilhão.

“Eu explicava como funcionava: a marcha em busca do rei e da rainha, lá na casa deles, depois o retorno para o clube anfitrião. Era uma festa à tarde, muito bonita. Eu fazia a apresentação com a bandeira, com o porta-bandeira, chamava o reinado com a música, dava os comandos e aquilo sempre era muito aplaudido. O público gostava, porque entendia o que estava acontecendo, via o significado de cada momento.”

Ao longo da trajetória, Eloi também acompanhou as mudanças nas tradições. Se antes os cortejos percorriam as ruas da cidade, hoje as limitações de trânsito e segurança tornaram as celebrações mais simbólicas e restritas aos espaços dos clubes.

“Hoje não se faz mais como antigamente. Antes a gente ia até a casa da rainha, fazia todo o trajeto na rua. Agora é simbólico, dentro ou perto do clube. Não dá mais para fechar rua como antes, precisa de muita estrutura, polícia, controle. Então mudou bastante, mas a essência ainda está ali, mesmo que adaptada.”

Liderança e história no Clube Primavera

A relação de Eloi com os clubes começou ainda jovem, mas foi no Clube Primavera que ele consolidou sua trajetória. Sócio desde a década de 1980, assumiu a presidência em 1989, permanecendo por cinco anos no comando da entidade. Paralelamente, também se tornou comandante, cargo que ocuparia por mais de uma década.

“Eu assumi a presidência do Primavera em 1989 e fiquei cinco anos no total. Mas antes disso já participava das festas, dos desfiles. Um dia me chamaram e disseram: ‘você foi escolhido para ser comandante’. Eu nem estava na reunião. E assim comecei, em 1987. Daí fui até o ano 2000 como comandante.”

Além do Primavera, Eloi também atuou como comandante dos interclubes do município por cerca de nove anos, coordenando eventos que reuniam representantes de diversas sociedades.

Uma pausa forçada e o retorno

A dedicação às tradições foi interrompida por motivos pessoais. Com a doença da esposa, Marlene, Eloi decidiu se afastar das atividades, priorizando a família. O afastamento durou anos, até mesmo após o falecimento dela, em 2018.

“Quando minha esposa ficou doente, eu parei. Eu sempre dizia: se ela não pode ir, eu também não vou. Depois que ela faleceu, fiquei um tempo afastado. Mas o pessoal insistia, dizia que a vida continua. Eu pensei nisso também, que ela está bem lá em cima, com Deus. Então resolvi voltar, com esforço, mas voltei.”

Hoje, ele novamente ocupa o posto de comandante no Clube Primavera e participa ativamente das festas da região.

O dom da palavra e o reconhecimento

Mesmo com pouca escolaridade formal — Eloi estudou apenas até o ensino primário —, sua habilidade com as palavras sempre chamou atenção. Discursos marcantes e improvisos emocionantes se tornaram sua marca registrada.

“Eu só estudei até o quarto ano, mas quando eu saio de casa faço uma oração e peço a Deus que me dê as palavras certas. Eu nunca fui de falar besteira, sempre com respeito. E as pessoas escutavam, prestavam atenção. Uma vez, num discurso, eu falei das estrelas que não vemos de dia e disse que elas estavam ali, na minha frente, que eram as mulheres. Aquilo emocionou todo mundo.”

A capacidade de conduzir grandes públicos também impressionava. Mesmo sem microfone, sua voz forte e postura garantiam atenção total durante os eventos.

Crachás da Festa Pomerana, guardados por Eloi. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Herança familiar e inspiração

A inspiração para seguir como comandante veio de casa. O pai, Horst Rauh, também teve atuação marcante nas sociedades locais e serviu como referência para o filho.

“Eu me inspirei muito no meu pai. Ele serviu o Exército e depois foi comandante aqui nos clubes. Eu o via comandando, organizando, e aquilo ficou comigo. Quando comecei, já tinha essa noção. E desde a primeira festa fui muito elogiado.”

Reconhecido por diferentes gerações, Eloi segue sendo cumprimentado e lembrado por onde passa. Seu nome permanece associado a uma época considerada por muitos como áurea das festas tradicionais de Pomerode.

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