Trabalho como forma de inclusão
Na série especial de reportagens sobre inclusão e acessibilidade, saiba um pouco do que passa alguém que vive com a deficiência auditiva. Elenice Raduenz, de 23 anos, convive com um mundo em silêncio, mas isso nunca foi um empecilho para que a jovem conquistasse seus objetivos
Desde o nascimento, a pomerodense Elenice Raduenz, de 23 anos, convive com um mundo em silêncio, já que nasceu com deficiência auditiva. Mas isso nunca foi um empecilho para que a jovem conquistasse seus objetivos, sendo um deles, a entrada no mercado de trabalho, já que, hoje, ela trabalha na Netzsch do Brasil, no setor de peças de reposição.
“Sempre lidei com a situação normalmente, pois vejo que todos somos iguais, apenas tendo em vista que algumas pessoas têm mais dificuldade em alguns pontos. Para mim, os principais foram superar os preconceitos e me enturmar em um ambiente de ouvintes”, relata a jovem.
Por sempre estar engajada na luta pela inclusão, por conhecer essa realidade, hoje, Elenice faz parte da Associação dos Surdos de Brusque (Asbru) e é membro da diretoria, sendo responsável pela secretaria e pelo marketing, ajudando nas ações que fazem com que os deficientes auditivos tenham cada vez mais visibilidade.
Neste ponto, Elenice acredita que muitos obstáculos já foram superados e a luta continua, diariamente. “Vejo que muitos preconceitos e dificuldades foram superados, pois estamos obtendo várias oportunidades de emprego e estamos, cada vez mais, superando as barreiras entre deficientes auditivos e ouvintes”, ressalta.
A jovem garante que se considera incluída na sociedade, atualmente, principalmente por ter um emprego. “Estou inserida no mercado de trabalho, onde estou trabalhando na Netzsch do Brasil e estou gostando muito do que faço. Também acho válidos os trabalhos feitos para que, cada vez mais, os deficientes sejam inclusos na sociedade como todos”, pondera.
Idioma é necessário
Inclusão não se trata apenas de, simplesmente, inserir as pessoas com deficiência em um determinado meio, achando que isso basta. A inclusão é uma questão muito mais complexa. Isso pode ser percebido, por exemplo, na inclusão de pessoas com deficiência auditiva, que, além de precisarem ser inseridas, só estarão realmente inclusas, se a linguagem de sinais, a Libras, for uma realidade no ambiente.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem cerca de 10 milhões de pessoas com alguma deficiência auditiva. Destas, cerca de 2,7 milhões são surdas. As outras apresentam grande dificuldade para ouvir. Por este motivo, o ensino de Libras deveria ser uma realidade, assim como qualquer outro idioma.
A Língua brasileira de sinais (Libras) é usada por cerca de cinco milhões de pessoas no Brasil e é a principal forma de comunicação para a maioria das pessoas surdas no país.
O Brasil começou a regulamentar a Língua Brasileira de Sinais em 1993, mas o reconhecimento da Libras, como uma forma de comunicação e expressão da comunidade surda, só veio – e foi oficializado – quase dez anos depois, em 2002, em forma de lei. Alguns anos depois, mais um avanço: Libras se tornou, com o Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, disciplina obrigatória para todos os cursos de licenciatura e fonoaudiologia, nas diferentes áreas do conhecimento. Uma das conquistas mais recentes para a comunidade surda foi quando, em 2010, a profissão de tradutor–intérprete de Libras foi regulamentada.