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Ser alegria na tristeza

Tânia Weh participa do projeto Sorriso há mais de 10 anos
e, hoje, é voluntária do projeto em Pomerode

25 de maio de 2016

Ser luz onde há escuridão, ser alegria onde há tristeza, levar esperança onde há a falta dela. Estes são alguns dos objetivos do Projeto Sorriso, de Blumenau: levar a alegria aos pacientes e a humanização aos setores de internação, tratamento quimioterápico, de diálise dos hospitais e transformar o dia a dia nos asilos, tornando-os muito mais felizes e agradáveis.947379_1063690407007774_1184163488640478337_n.jpg

Com o objetivo de propor uma medicina mais humana e diminuir a distância entre o médico e o doente, o Projeto Sorriso foi criado no Vale do Itajaí por acadêmicos do curso de medicina da Furb, em 2005. O trabalho segue experiências semelhantes às anteriormente realizadas. Mas uma das grandes inspirações para a criação do projeto foi o filme Patch Adams – O Amor é Contagioso, estreado por Robin Williams. No drama, ele interpreta um médico que busca humanizar as técnicas médicas para divertir e entreter os pacientes. Através do Projeto Sorriso, voluntários previamente selecionados e treinados visitam hospitais, asilos, Centros de Atenção Psicossocial, ambulatórios, UTIs, para buscar uma melhoria da saúde mental, através da alegria, do sorriso, e contribuir para um prognóstico mais favorável aos pacientes e internos. Tudo com muito amor e paixão pela causa.

E foi com essa paixão e o objetivo de fazer o bem que a pomerodense Tânia Luize Weh juntou-se ao Projeto Sorriso. Segundo ela, é a maneira que encontrou de exercer uma atividade, fazendo o bem ao próximo. “O voluntariado está no meu sangue. Lembro que desde pequena já tinha essa iniciativa de ajudar o outro, de me dispor aos seus cuidados, de oferecer carinho e atenção. Sempre fui assim. Portanto, eu digo que já nasci com sangue voluntário correndo nas veias”, brinca.

Tânia acompanhou o Projeto Sorriso desde a sua criação, através de um projeto que coordenava em seu antigo trabalho. Mas foi há mais ou menos três anos que ela passou a integrar oficialmente o grupo de voluntários e a participar das visitas como membro do Projeto Sorriso. “Como eu já tinha o voluntariado comigo, vi no projeto uma oportunidade de praticar o bem. Assim eu fiz durante sete anos, quando acompanhava as visitas pela empresa em que trabalhava. Mas somente em 2013 decidi me inscrever para ser uma voluntária. Passei no teste. Mal me contive de felicidade”, revela.

Hoje, as visitas em Pomerode são feitas por Tânia e Laurita Tomelin, no Hospital e Maternidade Rio do Testo, onde ela incorpora a Doutora Naninha que, com sua preguiça habitual, diverte os pacientes aconchegando-se em cada cantinho que encontra, para tirar aquela sonequinha. De acordo com Tânia, a criação da personagem veio de uma situação cotidiana em sua vida. “Como eu tinha dois empregos na época, eu dormia muito pouco e, portanto, tinha sempre muito sono. Minha personagem veio baseada nisso, nessa circunstância que acabou por tornar-se a alegria de muitos pacientes”.

Embora o voluntariado estivesse sempre presente na vida dela, houve um momento que ela soube que estava no caminho certo. “Certa vez, quando estava realizando um trabalho no Centro de Convivência Pommernheim, adentrando aquele mundo de solidão, de abandono, um clima muito triste, pude ver que o que eu faço estava proporcionando alegria para eles, e ali, senti que estava fazendo a coisa certa”, exclama.

Uma das situações que marcou Tânia no voluntariado foi uma circunstância ao qual ela viveu dentro de uma ala de crianças com câncer de um hospital. “Recordo que uma vez, ao entrar na sala de um hospital, a mãe de uma menina que estava internada veio ao meu encontro com um grande sorriso e pediu que eu visse a filha dela, uma menina de 11 anos que estava com câncer. A menina dormia, e, enquanto isso, conversamos com a mãe. Ela ficou emocionada, ficou feliz que a tranquilizamos e agradeceu muito. Esse, para mim, foi um momento muito emocionante e comovente. Mas cada visita, cada sorriso, cada conversa trocada é algo marcante, fazer o bem é marcante”, ressalta.
Tânia diz que o voluntariado é a sua vida e que pretende exercê-lo por muito tempo ainda. “Voluntariado é um mundo que eu descobri e não há nada que me faça deixá-lo. É algo que faço para o próximo, não para me promover. As pessoas que não desenvolvem esse tipo de ação deveriam começar, no seu bairro, na igreja, na sociedade, buscar uma forma de contribuir com o próximo. Com toda a certeza, não existe recompensa maior no mundo do que tirar o sorriso de quem está triste. E quem quiser fazer parte do Projeto Sorriso em Pomerode, as portas estão abertas”, finaliza.

 

 

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