Saúde

Santa Catarina reduz número de fumantes, mas uso de cigarros eletrônicos cresce entre jovens

Estado registra queda de 38,7% no tabagismo adulto e amplia atendimentos pelo SUS, enquanto especialistas alertam para o avanço dos vapes entre adolescentes

29 de maio de 2026

Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Jornal de Pomerode

Santa Catarina apresentou uma redução de 38,7% no número de fumantes adultos no último ano, acompanhando a tendência nacional de queda do tabagismo. O resultado é atribuído ao fortalecimento de políticas públicas de prevenção, conscientização e oferta de tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Neste domingo, 31 de maio, quando é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco, com o tema “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) reforça o alerta para um novo desafio: o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens.

Dados da SES apontam que mais de 21 mil pessoas buscaram atendimento para cessação do tabagismo em Santa Catarina em 2025. Destas, 17.796 iniciaram tratamento e 7.523 já conseguiram parar de fumar. Em 2024, o estado registrou 14,4 mil pessoas procurando ajuda, com 7,6 mil adesões ao tratamento e 5,4 mil pessoas abstinentes.

A procura pelos serviços de apoio foi maior entre as mulheres, com 11.002 atendimentos, enquanto os homens somaram 10.186. A maior parte dos usuários atendidos está na faixa etária entre 18 e 60 anos, totalizando 16.163 pessoas.

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“Quem deseja parar de fumar deve procurar a Secretaria de Saúde do seu município e se informar sobre a unidade que oferece o Programa de Controle do Tabagismo pelo SUS”, orienta Adriana Elias, enfermeira e coordenadora estadual do Programa de Controle do Tabagismo.

Cresce o uso de vapes entre adolescentes

Apesar da queda no consumo de cigarros convencionais, profissionais de saúde demonstram preocupação com o avanço dos cigarros eletrônicos entre os jovens.

Um levantamento do projeto multidisciplinar ERGOTOX/UFSC, realizado em cinco escolas públicas de Florianópolis, revelou que 27,4% dos estudantes já experimentaram vapes. O dado chama atenção porque menos da metade relatou uso de cigarro tradicional, indicando que muitos adolescentes estão iniciando diretamente pelos dispositivos eletrônicos.

Segundo os pesquisadores, curiosidade, sabores atrativos e influência social estão entre os principais fatores associados ao consumo. O cenário preocupa ainda mais pela composição dos produtos. Estudos identificaram milhares de substâncias químicas nos cigarros eletrônicos e, em apreensões realizadas em Santa Catarina, foi constatada até a presença de anfetamina.

“O tabagismo segue como importante fator de risco para doenças cardiovasculares, respiratórias e vários tipos de câncer. Com o avanço dos cigarros eletrônicos, reforçar ações de prevenção e conscientização é ainda mais urgente”, alerta Adriana Elias.

Prevenção e tratamento seguem ampliados

Entre adolescentes avaliados em ações escolares já foram identificados sinais de dependência e desejo de interromper o uso dos dispositivos eletrônicos. As iniciativas incluem atividades educativas, orientações sobre os riscos à saúde e encaminhamento para tratamento especializado quando necessário.

Atualmente, cerca de 84% dos municípios catarinenses oferecem grupos de apoio e tratamento individualizado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) atendem casos com comorbidades associadas, como ansiedade e depressão, enquanto hospitais que aderiram ao programa também disponibilizam assistência especializada.

A Secretaria de Estado da Saúde reforça que segue investindo no Programa Nacional de Controle do Tabagismo, com foco na prevenção, qualificação das equipes da Atenção Primária e fortalecimento das ações voltadas principalmente a adolescentes e jovens.

Para saber onde buscar atendimento, a orientação é procurar a Secretaria de Saúde do município.

Fonte: Agência de Notícias SECOM

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