Reumatologista Dr. Augusto Luís Kienen orienta sobre cuidados com dores no inverno
Baixas temperaturas podem aumentar desconfortos em pacientes com fibromialgia, osteoartrite e outras doenças reumáticas; manter o corpo aquecido e ativo ajuda a aliviar os sintomas
Foto: Arquivo Pessoal
Com a chegada das temperaturas mais baixas, muitas pessoas passam a sentir aumento nas dores pelo corpo, especialmente nas articulações. Segundo o reumatologista Augusto Luís Kienen, isso acontece porque o organismo humano possui mais receptores de frio do que de calor na pele e eles ficam mais próximos da superfície.
“Existe um reflexo natural do corpo de contrair a musculatura para preservar o calor. Quando isso ocorre por muito tempo, pode gerar dor”, explica o médico. Além disso, ele destaca que mudanças na pressão atmosférica durante o inverno também podem influenciar o desconforto articular em pessoas mais sensíveis.
Apesar da piora das dores no frio, o especialista esclarece que as baixas temperaturas não ativam doenças autoimunes. “Doenças reumáticas podem deixar as articulações sensibilizadas, causando dor mesmo quando a doença está controlada. O frio não é capaz de ativar essas doenças”, afirma.
Entre as condições que costumam piorar no inverno, a fibromialgia é uma das mais comuns. Outra doença que merece atenção é a esclerose sistêmica, enfermidade rara que provoca endurecimento dos tecidos do corpo pelo depósito excessivo de colágeno.
“Nesses pacientes, o fenômeno de Raynaud piora bastante no frio. Os dedos podem ficar muito pálidos, azulados ou avermelhados, além de doloridos, podendo até formar feridas difíceis de cicatrizar”, explica Kienen.

Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA / Jornal de Pomerode
O médico ressalta que pacientes que demoraram para iniciar o tratamento de doenças articulares costumam apresentar maior sensibilidade ao frio ao longo da vida. Isso pode ocorrer em casos de osteoartrite, artrite reumatoide, artrite psoriásica e outras doenças reumáticas.
“O quanto antes a doença é diagnosticada e tratada, mais fácil tende a ser a tolerância ao frio”, pontua.
Quando procurar ajuda médica
Segundo o especialista, dores articulares intensas já merecem investigação médica, principalmente porque a osteoartrite é uma das causas mais frequentes desse tipo de sintoma.
No caso do fenômeno de Raynaud, alguns sinais exigem atenção especial. “Quando os episódios são muito prolongados, acometem os polegares ou causam feridas nas pontas dos dedos, é importante investigar doenças autoimunes”, alerta.
Aquecimento e atividade física ajudam no controle da dor
Entre as medidas mais eficazes para aliviar os sintomas durante o inverno, o reumatologista destaca hábitos simples: manter-se aquecido e praticar atividade física regularmente.
“A única medida que funciona para todos, segundo a literatura, é se aquecer”, comenta. Ele também recomenda parar de fumar, já que o cigarro piora a circulação sanguínea e pode agravar os sintomas.
A prática de exercícios físicos também ajuda as articulações a tolerarem melhor o estresse causado pelas baixas temperaturas. Além disso, compressas mornas podem aliviar as dores locais.
“Elas podem ser utilizadas por cerca de 20 minutos, até três vezes ao dia sobre a região dolorida”, orienta.
Alimentação também influencia na saúde articular
A alimentação tem papel importante especialmente nos casos de gota, doença relacionada ao excesso de ácido úrico. Segundo Kienen, reduzir ou evitar bebidas alcoólicas destiladas, cerveja, refrigerantes açucarados, frutos do mar e miúdos pode ajudar a prevenir crises.
Já para a população em geral, a recomendação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. “Os ultraprocessados favorecem alterações da flora intestinal relacionadas a doenças crônicas e infecções”, explica.
Por fim, o médico orienta que, em caso de dores persistentes durante o inverno, o paciente procure acompanhamento especializado.
“Às vezes é difícil diferenciar se a doença reativou ou se a articulação apenas ficou mais sensível ao frio. Por isso, manter-se aquecido, ativo e buscar avaliação médica quando necessário faz toda a diferença”, conclui.