Quando a vida pede coragem: a travessia de Rafaella entre a dor, o amor e a esperança
A história de Rafaella Zimmermann Sothe é marcada por desafios, superação e uma rede de solidariedade que faz a diferença no tratamento
Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode
A rotina da professora Rafaella Zimmermann Sothe, de Pomerode, mudou drasticamente nos últimos anos. O que começou como um diagnóstico de câncer em 2020 transformou-se em uma longa jornada de tratamentos, recaídas e novos desafios enfrentados com coragem, fé e, principalmente, pelo desejo de continuar presente na vida dos filhos.
Rafaella relembra que o primeiro diagnóstico veio em 2020. Após o tratamento, houve um período de estabilização que permitiu a retomada da vida profissional.
“Começou lá em 2020. Fiz o tratamento e chegou um momento em que estava estabilizado, considerado curado. Consegui voltar a trabalhar, retomar minha rotina, seguir a vida”, conta.
Na época, ela atuava em Blumenau, onde havia sido aprovada em concurso público. Posteriormente, conquistou uma vaga em Pomerode e assumiu o novo cargo em agosto de 2023.
Novo diagnóstico e avanço da doença
Poucos meses após iniciar o trabalho na cidade, Rafaella voltou a enfrentar a doença. Durante exames para reconstrução mamária, veio a notícia de que o câncer havia retornado.
“Em novembro, fui fazer exames para a reconstrução da mama, e ali descobri que a doença tinha voltado. Foi um choque, porque precisei começar tudo de novo”, relata.
Já durante o tratamento, novos sintomas começaram a surgir. Uma tosse persistente, inicialmente tratada como algo comum, levantou suspeitas após avaliação médica.
“Eu estava dando aula e comecei com uma tosse que não passava. Tomei vários remédios, mas nada resolvia. Quando fui ao hospital, levantaram a hipótese de pneumonia, mas pediram para procurar o oncologista. Depois da biópsia, veio a confirmação: era câncer no pulmão.”
Convulsão e descoberta de tumores no cérebro
O momento mais crítico da doença ocorreu após um episódio inesperado dentro de casa. Rafaella sofreu uma convulsão e precisou de socorro urgente.
“Eu estava em casa, arrumando a mesa, quando caí e convulsionei. Nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Meu filho chamou a vizinha, que por sorte estava em casa naquele momento. Foi ela quem ajudou a acionar o socorro”, lembra.
Após exames, veio um novo e impactante diagnóstico: múltiplos tumores cerebrais. “Descobri que tenho cerca de 30 tumores na cabeça. Foi um baque muito grande. A partir dali, comecei radioterapia e vários tipos de quimioterapia, mas não tive resposta ao tratamento.”
Imunoterapia traz nova esperança
Diante da falta de efetividade das quimioterapias, os médicos optaram por um tratamento mais moderno: a imunoterapia. Segundo Rafaella, a mudança trouxe resultados mais positivos e menos efeitos colaterais.
“Comecei a imunoterapia e senti muita diferença. A quimioterapia atacava as células boas e ruins, e eu sofria muito. Já a imunoterapia age diretamente nas células doentes. Hoje, consigo fazer o tratamento e me sentir bem no dia seguinte”, explica.
Apesar da evolução, ainda há desafios diários. Rafaella relata dificuldades motoras e na fala, decorrentes dos tumores.
“Teve dias em que eu não conseguia andar direito, minhas pernas não firmavam. Às vezes ainda tenho dificuldades na fala, gaguejo, minha dicção não é a mesma. Mas estou estabilizada e com esperança de melhora.”
Adaptação no trabalho e nova rotina
Mesmo diante das limitações, Rafaella segue ativa profissionalmente. Com orientação médica, ela foi readaptada pela prefeitura e passou a exercer novas funções na escola.
“Hoje não estou mais em sala de aula. Fui direcionada para a biblioteca e também auxilio a orientadora. Foi uma forma de continuar trabalhando, mas respeitando meus limites”, explica.
Ela atua na Escola Hermann Guenther, onde também vivenciou momentos marcantes de acolhimento.