Política

Presidência em disputa

Com perfis e propostas diferentes, Esperidião Amin e Silvio Dreveck devem disputar a presidência estadual do Partido. Em jogo, a escolha por seguir no mesmo caminho ou oxigenar o partido.

6 de agosto de 2017

Com perfis e propostas diferentes, Esperidião Amin e Silvio Dreveck devem disputar a presidência estadual do Partido. Em jogo, a escolha por seguir no mesmo caminho ou oxigenar o partido.

A eleição para a presidência do Partido Progressista (PP), marcada para o dia 21 de agosto, está sendo considerada por correligionários de todo estado uma das mais importantes das últimas décadas. Isso porque ela pode concretizar o desejo de mudança que vem sendo defendido por setores importantes da sigla.

O pano de fundo é o jejum de 16 anos fora do poder central do Estado, contado desde que Esperidião Amin perdeu a reeleição para Luiz Henrique da Silveira (PMDB), em 2002. De lá para cá, o PP ainda não conseguiu retomar o protagonismo que sempre marcou sua trajetória na política catarinense.

Neste contexto, quem vem ganhando espaço e se destacando é o presidente da Assembleia Legislativa, Silvio Dreveck. Com perfil conciliador, porém firme nas decisões, implantou uma gestão marcada pela austeridade, pelo diálogo e pela habilidade política na sua passagem pela presidência do Legislativo. Moderado e agregador, Dreveck vem ocupando espaço na interlocução entre o PP e as demais siglas.

Para observadores dentro e fora dos quadros progressistas, o desempenho de Silvio Dreveck à frente da Assembleia Legislativa devolveu o protagonismo do partido no cenário político estadual, renovando a esperança de participar ativamente do comando do Estado a partir de 2019.

Vários fatores contribuíram para essa realidade de isolamento: dificuldade em dialogar com outras siglas, composições equivocadas e a incapacidade de reconhecer e valorizar novas lideranças estão entre eles. Agora, 15 anos depois da derrota histórica para o arquirrival PMDB, parece ter chegado a hora de dar um novo rumo ao partido.

Afinal de contas, comenta-se internamente no partido, Amin perdeu a reeleição para Luiz Henrique da Silveira, tentou reconquistar o governo na eleição seguinte e foi novamente derrotado. Depois, em 2008, disputou a prefeitura de Florianópolis com o então prefeito Dário Berger, sendo novamente derrotado.

Desgastado dentro do partido com os sucessivos fracassos, Amin articulou a candidatura da esposa, Ângela, na eleição para o governo em 2010. Ela, que já havia perdido a disputa ao governo para Paulo Afonso, em 1994, novamente amargou o revés eleitoral, desta vez com uma marca histórica negativa: pela primeira vez na política catarinense, um candidato ao governo venceria já no primeiro turno.

É esse o quadro que faz com que uma palavra seja consenso quando o assunto é a eleição do diretório estadual: renovação. Em que pese a liderança histórica na figura de Esperidião Amin e sua importância dentro do partido, a opinião majoritária é que chegou a hora de ampliar os holofotes para outros nomes do quadro pepista.

A visão divergente das lideranças envolve evitar que, por pressões individuais, a legenda novamente se veja obrigada a definir seus rumos políticos de última hora, isolada. Dreveck defende construir, desde já, um projeto do PP com poder de decisão.

Dreveck não esconde seu alinhamento com o projeto do deputado estadual e presidente do PSD, Gelson Merisio, que propõe uma ruptura com a coligação que governa Santa Catarina desde LHS. Merisio já deixou claro, em inúmeras oportunidades, que não existe possibilidade de compor com o PMDB em 2018. Dreveck não está sozinho. O secretário de Estado da Assistência Social e deputado estadual licenciado, Valmir Comin, deu o recado em encontro do PSD. De acordo com ele, 70% do partido está alinhado com o projeto do PSD.

História 

Silvio Dreveck tem uma história que poucas pessoas conhecem. Filho de agricultores do Planalto Norte que, até os 17 anos ajudou os pais na lavoura, dividindo os estudos com a lida no campo, foi prefeito de São Bento do Sul de 1997 a 2004. No período, o índice de qualidade de vida da cidade saltou do 49° para o 22° lugar, credenciando Dreveck para uma cadeira no Legislativo.

Na primeira campanha a deputado, em 2006, foi eleito conquistando 42.551 votos, sendo o segundo mais votado do PP. São essas e outras credenciais que o colocam como o nome que representa a renovação dentro do partido, uma liderança capaz de dialogar e conciliar com vistas a uma composição na majoritária em 2018.

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