Saúde

Pesquisa da FURB aponta risco de adoecimento entre nadadores em praias de SC, mesmo em locais próprios para banho

Estudo analisou a qualidade da água em cinco praias catarinenses e identificou associação entre maior tempo de exposição ao mar e sintomas gastrointestinais, respiratórios e dermatológicos

20 de julho de 2026

Foto: Imagem Ilustrativa / Envato Elements

Uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade Regional de Blumenau (PPGCA/FURB) revelou que nadadores de águas abertas podem apresentar maior risco de adoecimento após longos períodos de exposição ao mar, inclusive em praias classificadas como próprias para banho.

O estudo foi conduzido pela pesquisadora Sandra Koch-Egg, mestre em Ciências Ambientais, sob orientação do professor Eduardo Alves de Almeida, doutor em Bioquímica, e avaliou a qualidade ambiental da água em cinco praias de Santa Catarina, além dos impactos da exposição prolongada na saúde de praticantes da modalidade.

Pesquisa nasceu da experiência de uma ultramaratonista aquática

A motivação para a pesquisa surgiu da própria vivência de Sandra Koch-Egg, que é ultramaratonista aquática e percebeu, ao longo dos anos, que muitos atletas adoeciam após treinos e competições no mar.

Segundo a pesquisadora, ela própria enfrentou episódios recorrentes de doença após a exposição à água e constatou que o problema era comum entre nadadores de águas abertas.

“Houve diversas situações em que fiquei doente depois da exposição à água e percebi que não era um problema só meu. Era algo que acontecia com um grupo de pessoas que permanece muito tempo em contato com o mar e não apenas no verão. O nadador de águas abertas é um indivíduo mais sensível, pela frequência e pela duração das exposições”, explica.

Foto: Imagem Ilustrativa / Envato Elements

Cinco praias de Santa Catarina foram analisadas

A pesquisa investigou cinco praias catarinenses:

  • Cabeçudas, em Itajaí;
  • Jurerê, em Florianópolis;
  • Praia Central de Balneário Camboriú;
  • Praia Central de Porto Belo;
  • Praia Central de Bombinhas.

Os locais foram escolhidos após consulta realizada com um grupo de nadadores. As coletas ocorreram tanto na alta quanto na baixa temporada, em dois pontos distintos: próximo à faixa de areia e a aproximadamente 200 metros da costa, região onde os atletas costumam permanecer por mais tempo durante os treinos.

Mais de 100 parâmetros foram avaliados

Durante a pesquisa, foram analisados mais de 100 parâmetros físico-químicos e microbiológicos da água.

Os resultados identificaram concentrações elevadas de sulfetos, fósforo e boro, substâncias associadas ao processo de eutrofização — fenômeno caracterizado pelo excesso de nutrientes na água, capaz de comprometer o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Também foi registrada contaminação fecal por Enterococcus sp. durante a alta temporada. Conforme a pesquisadora, esse microrganismo merece atenção por ser considerado mais sensível do que outros indicadores tradicionalmente utilizados pelos órgãos públicos para avaliar riscos relacionados ao uso recreativo das águas.

Estudo acompanhou voluntários por oito semanas

Além da análise ambiental, o estudo monitorou dez nadadores voluntários durante oito semanas.

Foram registradas informações sobre:

  • frequência dos treinos;
  • tempo de exposição à água;
  • locais de nado;
  • volume de água ingerida;
  • sintomas apresentados após as atividades.

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A análise dos dados apontou associação entre maior tempo de exposição e o surgimento de sintomas gastrointestinais, respiratórios e dermatológicos.

Outro ponto que chamou a atenção foi o relato de doenças após atividades realizadas em praias oficialmente classificadas como próprias para banho.

Segundo a pesquisadora, os resultados indicam a necessidade de desenvolver modelos de monitoramento que considerem não apenas os banhistas ocasionais, mas também pessoas que permanecem por longos períodos em contato com o ambiente marinho, como é o caso dos nadadores de águas abertas.

Probabilidade de infecção pode chegar a 33% por evento de nado

Com base nos dados obtidos, Sandra Koch-Egg desenvolveu uma Avaliação Quantitativa de Risco Microbiológico, metodologia utilizada internacionalmente para estimar a probabilidade de adoecimento após exposição à água contaminada.

Aplicada ao cenário identificado pela pesquisa, a ferramenta apontou que a probabilidade de infecção entre nadadores de águas abertas variou entre 1% e 33% por evento de nado, dependendo das condições ambientais e do nível de exposição.

Na avaliação da pesquisadora, a metodologia pode contribuir para a criação de sistemas de alerta e para o aperfeiçoamento de políticas públicas relacionadas ao monitoramento da qualidade da água.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, também foi criado o projeto “Braçadas Sustentáveis pelo Futuro da Água”, iniciativa voltada à comunicação científica e à educação ambiental.

 

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