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Parceria, amor e cumplicidade no dia a dia de bombeiros voluntários

Tuany Lümke e Everton Horongoso são noivos e se conheceram por meio da corporação. Hoje, eles dividem a rotina como bombeiros em Pomerode

12 de junho de 2024

Foto: Isadora Brehmer / JP

Amor, parceria, cumplicidade. Estas são algumas das palavras que podemos utilizar para definir o relacionamento de Tuany Lümke e Everton Horongoso, ambos bombeiros voluntários de Pomerode.

A relação entre os dois começou há cerca de cinco anos e antes de serem um casal Tuany e Everton desenvolveram uma relação de amizade, iniciada a partir do interesse mútuo em questões ligadas à psicologia de quem atua no atendimento a emergências.

“Eu já era bombeiro voluntário e a Tuany com uma colega, Luana, veio fazer um estágio como parte do curso de Psicologia, e iria desenvolver o projeto do seu TCC com os bombeiros. Neste tempo eu estava em outro relacionamento, e assim foi o nosso primeiro contato, mais profissional, quando a Tuany estava na corporação aplicando as perguntas do seu trabalho”, conta Everton.

Após o término do relacionamento de Everton, Tuany seguia presente na corporação, aplicando seu projeto de pesquisa e assim, segundo o casal, a convivência foi ficando mais frequente, bem como as conversas.

“Algumas vezes eu vinha dar aulas em algum curso, aqui, ou mesmo estava no meu plantão, e a Tuany com a Luana estavam fazendo a pesquisa. Então conversávamos, inicialmente mais sobre o projeto de TCC dela, a pesquisa feita, e assim fomos nos conhecendo, até ficarmos juntos, como casal”, relembra Everton.

“Meu projeto era voltado à psicologia das emergências e eu fazia grupos psicoterapêuticos aqui nos Bombeiros. Para estes grupos, eu e a Luana lançávamos os convites na corporação e, quem quisesse, vinha. O Everton participou de muitos grupos, interessado na temática, nas pesquisas. Como fui gostando cada vez mais do trabalho dos bombeiros, antes que eu terminasse meu curso na faculdade, abriram vagas para o curso de formação para bombeiro e eu quis começar a fazer. Logo depois, começamos a namorar e, em outubro deste ano, iremos completar cinco anos juntos”, conta Tuany.

Tanto Tuany como Everton resumem a rotina e a relação em uma palavra: parceria. Segundo o casal de bombeiros voluntários, quase todos os plantões são feitos juntos.

“Nossa rotina de plantão é fixa, estamos na corporação todas as quintas-feiras e quase todos os domingos à noite. Quando acontece de um dos dois precisar viajar ou ter algum outro compromisso que impossibilita estar com os bombeiros, o outro normalmente vem para a corporação fazer plantão”, revelam.

Foto: Arquivo pessoal

Para Everton, o fato de dividirem a função de bombeiros voluntários os torna ainda mais parceiros e próximos.

“Quando os dois são daqui de dentro, é mais fácil, pois estamos aqui pelo mesmo objetivo. Nos casos em que um dos dois não é bombeiro, algumas vezes não entende quando é chamado de madrugada para um apoio, ou o chamado para alguma missão que necessita de mais dias fora. E estando os dois aqui dentro, sendo bombeiros, já conhecem a rotina e torna tudo mais fácil”, frisa.

Tuany complementa a opinião do noivo, afirmando que atuar como bombeiros voluntários é algo que os dois gostam e acaba se tornando como um hobby para ambos, uma forma de lazer.

“Nossa segunda casa é a corporação e, às vezes, quando não temos planos em casa ou algum compromisso, viemos para a sede ajudar no plantão. Sermos os dois bombeiros é uma coisa que contribui para nossa parceria, cumplicidade, além de não criar brigas ou atritos, nos fortalece muito, pois é algo que nós dois gostamos, que nos sentimos bem fazendo, é como quando outros casais têm hobbys juntos”, completa.

 

Os desafios e a parceria ao trabalharem juntos

Por dividirem o mesmo dia na escala de plantão, é comum que Everton e Tuany colecionem momentos juntos em ocorrências e, assim, o entendimento e parceria crescem cada vez mais.

“Trabalhamos em algumas ocorrências maiores, como o incêndio de um galpão comercial em Testo Central, ou ainda no incêndio de um carro no Centro, no qual fomos apenas nós dois. Houve uma ocorrência que atendemos juntos, que foi um desafio por ser algo mais pessoal, quando minha avó sofreu uma queda e fomos atendê-la. Mas também foi algo que nos marcou, pois também havia a intimidade, e ela confia em nós e no nosso trabalho”, reforça Tuany.

“Nós sempre brincamos que não tem problema em trabalhar juntos nas ocorrências, assim como não temos problema em atuar separados, cada um com suas funções naquele momento. Nos entendemos muito no olhar, não precisamos falar, e isso vale para a equipe de quinta-feira, da qual fazemos parte, temos este entendimento muito fácil”, enaltece Everton.

E tamanha cumplicidade, bem como o hábito de estarem atuando juntos, quando um vai para uma ocorrência ou missão e o outro não, há o sentimento de preocupação.

“Mas existe uma situação em que é melhor desta forma. Eu faço parte do grupo de resgate aquático e agradeço pelo fato de Tuany não gostar muito de água, em geral. Pois se eu tivesse que ir para uma missão e soubesse que a Tuany está indo junto, acho que não conseguiria trabalhar da melhor forma, pois estaria preocupado se ela está bem, em segurança. Mesmo assim, eu adoro trabalhar com ela, é tudo muito tranquilo, pois como ela disse, nos entendemos pelo olhar”.

“Quando o Everton vai para estas missões vem a preocupação, até porque a comunicação diminui muito, e o coração vai junto”, finaliza Tuany.

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