Saúde

Operação inédita em SC leva sangue raro de único doador do estado para salvar paciente em MG

Transporte levou uma bolsa com tipagem sanguínea extremamente rara de Florianópolis a Minas Gerais; paciente recebeu o material no mesmo dia

22 de outubro de 2026

Foto: Foto: Marco Favero / Arquivo / SecomGOVSC / Imagem Ilustrativa (Jornal de Pomerode)

Uma bolsa de sangue de uma tipagem extremamente rara saiu de Santa Catarina em um avião comercial para atender um paciente que precisava de transfusão em Juiz de Fora, em Minas Gerais. A operação marcou a primeira vez que o estado realizou o transporte de sangue raro na cabine de passageiros de uma aeronave comercial e foi a terceira iniciativa desse tipo no Brasil.

O material, de fenótipo Js(b-), foi coletado de um doador residente em Joinville, no Norte catarinense, que é o único registrado com essa tipagem no estado. O Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (Hemosc), órgão vinculado ao Governo do Estado, foi acionado após receber a solicitação para atender o paciente mineiro.

Assim que recebeu o pedido, a equipe entrou em contato com o doador, que concordou em comparecer ao hemocentro na manhã seguinte para realizar a coleta. A hemorrede catarinense priorizou os testes e as validações necessários para liberar a bolsa de sangue com a urgência exigida pelo caso.

Após a coleta em Joinville, o material foi levado a Florianópolis e embarcou em um voo comercial com destino a Belo Horizonte. Em seguida, seguiu até Juiz de Fora, onde foi entregue ao paciente na mesma noite. Os nomes do doador e do paciente não foram divulgados.

Transporte gratuito agiliza atendimento

A operação foi possível após a atualização do Termo de Cooperação Técnica relacionado ao transporte de órgãos, que passou a incluir o transporte de sangue raro em situações de emergência do Sistema Único de Saúde (SUS).

A medida permite que bolsas de sangue raro sejam transportadas gratuitamente na cabine de aviões comerciais, reduzindo o tempo necessário para atender pacientes que dependem de tipos sanguíneos específicos. Antes da mudança, esse material era enviado como carga, geralmente no porão das aeronaves, o que poderia resultar em prazos maiores e atrasos.

O transporte é realizado em embalagens apropriadas, com controle rigoroso de temperatura entre 1°C e 10°C, para preservar as condições necessárias à conservação do sangue.

“Com o sangue coletado, a equipe agiu com urgência para prontificar e liberar a bolsa de sangue ao transporte aéreo, o que considero mais um exemplo do compromisso do HEMOSC com aqueles que precisam de transfusão, e neste caso, para além de Santa Catarina”, afirma Patrícia Carsten, diretora-geral do Hemosc.

Segundo a diretora, o órgão também estava preparado para providenciar o transporte do doador até o hemocentro caso ele não pudesse comparecer por conta própria.

Terceira operação realizada no Brasil

O transporte realizado por Santa Catarina foi o terceiro do tipo no país. A primeira operação ocorreu em 12 de setembro, em um voo de São Paulo ao Piauí. A segunda foi realizada em 9 de outubro, do Ceará a Juiz de Fora, em Minas Gerais.

A iniciativa foi viabilizada por um acordo entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e as companhias aéreas, formalizado em meados de 2026, para permitir o transporte desse material em voos comerciais.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes, sendo 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Os números abrangem transportes relacionados à atividade da central e não se referem exclusivamente a bolsas de sangue raro.

O Hemosc participa do Projeto Sangue Raro, da Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados (CGSH), e já enviou e recebeu diversas bolsas de concentrados de hemácias com características sanguíneas raras.

O que é sangue raro?

Um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas, conforme critérios da Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT).

Além dos grupos sanguíneos mais conhecidos, como A, B, AB e O, e do fator Rh positivo ou negativo, existem diferentes antígenos na superfície das hemácias. Essas características influenciam a compatibilidade entre doador e receptor e podem tornar mais difícil encontrar sangue adequado para determinadas transfusões.

A identificação de um perfil sanguíneo raro exige exames específicos de fenotipagem e genotipagem. No caso do fenótipo Js(b-), a disponibilidade limitada de doadores compatíveis torna fundamental a existência de cadastros especializados.

O Cadastro Nacional de Sangue Raro (CNSR), criado em 2013, contava com 2.032 doadores registrados, segundo os dados divulgados pelo Governo de Santa Catarina. Desde sua criação, mais de 300 pacientes já haviam sido atendidos por meio da iniciativa.

Especificamente para a tipagem necessária ao paciente de Juiz de Fora, o cadastro possuía dez doadores identificados, dos quais apenas quatro tinham a tipagem devidamente confirmada.

O Hemosc é vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (SES) e gerido pela Fundação de Apoio ao HEMOSC/CEPON (FAHECE).

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