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O poder feminino, atrás do volante

Única motorista mulher da Volkmann fala sobre os desafios da profissão

14 de março de 2021

Dirigir um veículo de transporte coletivo é uma grande responsabilidade, que exige conhecimento e prática para quem assume esta função, que, hoje, é mais um espaço que está sendo ocupado pelas mulheres. 

Em Pomerode, a empresa Transporte e Turismo Volkmann possui uma mulher no quadro de motoristas da companhia, Ilaine Mohr Rahn, de 22 anos. Ela é funcionária da empresa há cinco anos e, desde o ano passado, é motorista no local. Ela comenta que o desejo de dirigir os ônibus da empresa foi surgindo aos poucos em sua vida.

“Eu comecei na Volkmann trabalhando como cobradora e depois passei a atuar no escritório. A partir dali comecei a criar o interesse por dirigir. Para que isso se tornasse realidade, fui fazer a carteira específica para conduzir ônibus e, quando a obtive comecei a ganhar oportunidades de dirigir”, relata a motorista.
Ilaine conduz o ônibus da Volkmann em dois trajetos: um deles na modalidade Circular, da Escola Amadeu da Luz até o Centro; e também na modalidade intermunicipal, de Pomerode a Blumenau. Normalmente, é o trajeto intermunicipal o mais comum em sua rotina.

 

“A minha primeira viagem foi em um trajeto intermunicipal e foi um momento muito nervoso, eu estava bem tensa, porque na autoescola dirigimos apenas o micro-ônibus e aqui na empresa são os veículos maiores, que exigem mais perícia na direção. O meu maior desafio é sempre ‘tirar as finuras’ (passar muito próximo a outro veículo), mas tento sempre me basear nos espelhos, como outro motorista me ensinou”, afirma.

Mas, como nem tudo são flores, existem obstáculos a serem enfrentados, principalmente pelo fato de que ainda é incomum encontrar mulheres que sejam motoristas de ônibus. “Na primeira vez que eu dirigi, um rapaz questionou ao motorista que estava me ensinando se eu tinha carteira. O motorista rebateu se esse rapaz queria ver a minha carteira e ele questionou novamente se não era muito perigoso, se não era melhor fazer apenas o trajeto circular. Mas eu recebo bastante elogios, também. As mulheres comentam e se surpreendem, dizendo ‘nossa, uma mulher motorista’ ou ‘nunca tive coragem / não teria coragem’, ‘queria ter essa coragem’, coisas assim, o que é muito gratificante”, ressalta Ilaine.

Hoje, Ilaine é a única mulher a trabalhar como motorista da Volkmann e garante que se sente realizada por poder exercer a profissão que desejava.

“Eu me sinto bem realizada, porque é uma oportunidade que provavelmente jamais teria em outro lugar. Aqui tive muitas chances, de crescer, evoluir, e me sinto bem tranquila, pois faço de tudo um pouco e o que eu gosto, intercalando as viagens dirigindo e no trabalho no escritório”, pondera.

Ilaine também acredita que o fato de estar em uma profissão ainda pouco usual para as mulheres, seja uma maneira de inspirar outras a realizarem seus desejos. “Acho que (a profissão) seja uma forma de inspirar, porque eu acredito que nada é impossível. Basta você querer e correr atrás, trabalhar para isso, e vai conquistar”, enaltece.

 

 

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