O hotel que inspirou livro
A pomerodense Bettina Riffel, em seu trabalho de conclusão no curso de Jornalismo, resgatou toda a história do Hotel Oasis
Muitas histórias, curiosidades, festas, hóspedes como Getúlio Vargas, Vera Fischer entre outros políticos e celebridades da época passaram pelo fabuloso Hotel Oásis. Todas essas histórias e curiosidades do mais famoso hotel de Pomerode foram relatadas no livro “Oasís Erinnerungen”, escrito pela pomerodense Bettina Riffel. Ela conta que a ideia inicial era resgatar essas histórias para seu trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Univali. “Optei por escrever um livro e precisava de um tema. Não foi difícil decidir pela história do hotel, porque adoro história oral, e qual melhor do que esta do hotel? Mal existem registros sobre o empreendimento, a história está na memória das pessoas, e as pessoas, como sabemos, envelhecem e a vida segue. Então pensei que essa seria a minha oportunidade de fazer algo que gosto e em prol da minha cidade. Sou natural de Pomerode e sempre tive orgulho disso. Como jornalista queria fazer algo pela minha comunidade. E foi só conversar com uma ou duas pessoas para perceber que havia muita coisa pra descobrir e pra ser colocada no papel. No fim, bem mais que eu imaginei”, conta.
Apesar do pouco prazo e o tempo curto para as pesquisas e entrevistas, a escritora fez descobertas incríveis sobre o hotel e se dedicou ao máximo para que o trabalho fosse concluído com êxito. “Tive apenas nove meses para fazer o trabalho. Ao mesmo tempo estudava e fazia estágios no ramo. O tempo foi curto, mas deu pra registrar a história no geral, até mesmo com alguns detalhes e descobertas muito interessantes. Aos poucos fui me apaixonando por uma história que não era minha e que não tinha nada a ver comigo, mas que era fantástica. Minha mãe ainda comentou, na época, que se eu soubesse tanto sobre a minha família como passei a saber sobre a família e a vida dos antepassados e descendentes do dono do Hotel Oásis, seria bom”, brinca.
Bettina ainda ressalta que todas as histórias contadas no livro são reais e de fontes seguras, o que faz do livro um verdadeiro documento histórico. “No fim acabei mergulhando numa história maravilhosa. Amei o trabalho e adoraria poder viver disso, ou seja, de escrever livros contando história oral. É gratificante fazer registros e conversar com as pessoas. Na obra não há nada inventado. É tudo real, ou seja, tudo que é descrito e contado no livro foi contado por alguém. Eu não inventei nada. Não é ficção”, conta.
Uma das principais dificuldade da escritora foi a distância de cidades onde eram realizadas as entrevistas, pois na época, ela morava em Itajaí. “Além do curto prazo e a falta de tempo, acho que a distância me prejudicou um pouco, pois na época eu morava em Itajaí, então tinha que me deslocar sempre a Pomerode e até outras cidades da região, como Joinville, São Francisco do Sul e Pirabeiraba, para buscar fontes. Mas dificuldades, propriamente ditas, acredito que não tive. Minha orientadora Marlise Groth era ótima, entendia muito de literatura, o auxílio dela foi essencial”, explica.
Foi o primeiro e único livro escrito e publicado por Bettina, mas segundo ela, no futuro, ela pretende escrever outros. “Durante a faculdade, tínhamos uma disciplina onde aprendemos como escrever um livro. Então, cheguei a escrever uma história oral que não foi publicada. Apenas lida e avaliada pela professora. Infelizmente, depois desse trabalho, não fiz mais nada do gênero. Retornei à rotina profissional e estou nela há anos, sem tempo pra me dedicar à literatura. Até meu marido já me sugeriu, algumas vezes, para que eu escrevesse um livro novamente. Quem sabe, mais pra frente, escreverei, por enquanto, tenho outras prioridades”, revela.
Ao final do trabalho de conclusão de curso, Bettina não esperava a repercussão que seu livro teve, e ela faz questão de agradecer todos aqueles que a ajudaram chegar à publicação do livro. “Fiquei impressionada com o interesse na publicação desse trabalho. Depois do TCC, a obra só foi parar nas bancas graças à iniciativa de Ana Ramers, uma engajada na cultura e preservação da história de Pomerode. Ela reuniu amigos da cultura e da história para que a publicação pudesse ser financiada. Sem ela e os demais contribuintes, o trabalho jamais teria chegado a tantas mãos. A Fundação Cultural, Turismo, Prefeitura com gestão naquela época também contribuíram muito com o meu trabalho. Quero também agradecer a jornalista Denise Matos e meus familiares. Enfim, sem essas pessoas, nada disso teria acontecido, seria apenas mais um trabalho de conclusão de curso”, finaliza.