Saúde

Nem tudo acaba em pizza

O suor é um mecanismo utilizado pelo corpo para manter o equilíbrio da temperatura corporal interna e externa, o que é importante para o adequado funcionamento do organismo. A produção de suor chama-se sudorese. Nosso sistema geralmente trabalha bem quando a temperatura interna fica em torno de 36,5 ºC.

1 de junho de 2015

O suor é um mecanismo utilizado pelo corpo para manter o equilíbrio da temperatura corporal interna e externa, o que é importante para o adequado funcionamento do organismo. A produção de suor chama-se sudorese. Nosso sistema geralmente trabalha bem quando a temperatura interna fica em torno de 36,5 ºC. Sempre que a temperatura corporal aumenta além dessa faixa, o cérebro manda sinais para as glândulas sudoríparas entrarem em atividade. Por meio da sudorese o corpo perde calor, pois quando o suor evapora da pele, o calor também é removido, fazendo com que a temperatura abaixe e o organismo volte a funcionar da melhor maneira possível.
Existem dois tipos de suor: o écrino, que é formado por uma solução que contém, principalmente, cloreto de sódio, potássio, amônia e bicarbonato, além de substâncias orgânicas, como lactato e uréia. Este é mais abundante do que o suor apócrino, que contém, além de água e cloreto de sódio, percentagens mais elevadas de proteínas, lipoproteínas e lipídeos provenientes da desintegração da pele e que servem de base para o crescimento bacteriano.

Diferentes tipos e odores – As glândulas sudoríparas écrinas estão distribuídas pela superfície total do corpo desde o nascimento e têm função termorreguladora e praticamente não exalam nenhum cheiro. Já as apócrinas, desenvolvem-se em apenas algumas regiões do corpo: axilas, área genital, couro cabeludo, ao redor dos mamilos. O suor que secretam é eliminado através dos folículos pilosos e contém restos celulares e do metabolismo que podem produzir odores desagradáveis quando expostos à ação de bactérias e fungos.
Essa produção de mau cheiro é conhecida como bromidrose, e recebe o nome de bromidrose axilar, popularmente conhecida como cê-cê, quando o cheiro ruim se concentra na região das axilas, e de bromidrose plantar, ou chulé, quando se instala na região dos pés, explica Erica Monteiro, médica do Departamento de Dermatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-EPM).
A sudorese varia de pessoa para pessoa e também é influenciada pela temperatura e umidade do ar ambiente. Quanto mais úmido o local, maior a dificuldade para o suor evaporar, dificultando o trabalho de queda da temperatura da pele. Quanto menos sudorese, menor a desidratação. Geralmente o homem sua mais que a mulher, embora tenha menor quantidade de glândulas sudoríparas. Em média, o corpo humano tem de 2 a 4 milhões de glândulas sudoríparas que expelem cerca de 10 litros de suor por dia.

Além do normal – Já a transpiração excessiva ou hiperidrose é uma condição anormal de hiperatividade do sistema nervoso, que estimula as glândulas sudoríparas a produzir transpiração excessiva. As regiões mais afetadas com o suor em excesso são as mãos, as axilas, a face, o couro cabeludo e os pés. Geralmente, a pessoa começa com pequena umidade nestes locais até que a transpiração fica intensa. Pode estar relacionada ao calor ou estresse, mas, na maioria das vezes, ocorre inesperadamente e sem razão, diz Erica.
Há, aproximadamente, 176 milhões de pessoas afetadas pela hiperidrose no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Não existe um número exato para definir sudorese em excesso. Considera-se a sudorese excessiva quando leva a pessoa a ficar constrangida com o fato, define a dermatologista Alexandra Bononi (SP).

IMC e sintomas – A forma mais comum de hiperidrose é a chamada primária e não se sabe a causa. A hiperidrose primária é crônica, geralmente localizada em uma área como axilas, mãos, entre outras. Em 30 a 50% das ocorrências, há outros casos na família. A hiperidrose secundária está relacionada a uma doença de base, que pode ser o diabetes, a obesidade, entre outras enfermidades, afirma Erica. Quanto maior o índice de massa corpórea (IMC), piores são os sintomas.
Segundo Erica, em mais de 50% dos casos, a hiperidrose está relacionada com o diabetes. Pessoas com sudorese excessiva são diabéticas ou têm parentes diabéticos. Portanto, fazem parte do grupo de risco o gordinho, os diabéticos e aqueles que têm outros casos de sudorese abundante na família. A doença pode se manifestar em qualquer fase da vida, tornando-se constrangedora e desconfortável, ocasionando até problemas no campo afetivo-pessoal e no convívio social e profissional.

Tratamentos possíveis – É possível tratar a hiperidrose com a utilização de medicações tópicas com substâncias antiperspirantes, iontoforese (aparelho que induz alterações eletromagnéticas e aparentemente induz a formação de tampões córneos nas glândulas sudoríparas écrinas), aplicação de toxina botulínica e cirurgias. Atualmente tem-se utilizado, e com muito sucesso, a toxina botulínica, que é um procedimento sem riscos cirúrgicos e com excelentes resultados. Alexandra esclarece que o tempo de duração médio de uma aplicação de toxina botulínica para hiperidrose, é de sete meses.
A cirurgia de retirada de algumas glândulas sudoríparas é necessária quando não se consegue controlar a hiperidrose com os tratamentos mencionados, ou quando o paciente deseja um tratamento definitivo. A cirurgia mais comum é a simpatectomia, que consiste no corte de uma parte do conjunto dos nervos que são responsáveis por conduzir os estímulos de suor. O paciente pode ser internado no próprio dia da cirurgia e se não houver complicações, em geral, ele tem alta no dia seguinte e pode retornar às atividades habituais depois de 7 a 10 dias. O índice de sucesso nas cirurgias é em torno de 95%, comemora a especialista Alexandra.
Apesar do alto grau de sucesso da cirurgia, a dermatologista explica que o efeito colateral mais comum é a sudorese compensatória, que pode ocorrer em 20 a 50% dos casos. Pode acontecer de aparecer uma hiperidrose que o paciente não tinha, em outro local do corpo, normalmente dorso e coxas. A maior parte dos casos é transitória. Porém há casos em que o paciente tem que conviver com este efeito. Existem outras cirurgias sendo estudadas e realizadas com resultados promissores, finaliza a médica Alexandra.

Fonte: Fernanda de Almeida / Revista Viva Saúde

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