“Não me arrependo de nada. Acredito que meu trabalho tenha deixado marcas”
Vereadora Letícia Tribéss Volkmann concede entrevista exclusiva ao JP e fala sobre desfiliação partidária
No final da tarde de quinta-feira, 17 de março, a única representante do Partido dos Trabalhadores no Legislativo pomerodense, a vereadora Letícia Tribéss Volkmann pediu desfiliação partidária.
Ela, que foi eleita com 875 votos, seguirá na Câmara de Vereadores até o fim deste mês. Confira entrevista exclusiva que a vereadora concedeu ao Jornal de Pomerode explicando o que a levou a deixar a sigla e se afastar da vida pública.
Jornal de Pomerode: O que a motivou a tomar a decisão de pedir desfiliação do partido?
Letícia Tribéss Volkmann: Em primeiro lugar a insatisfação com a política, em todas as esferas. Acho muito complicado lidar com pessoas que não cumprem o que falam. Para mim, a palavra tem muito valor e na política parece que nem o que está colocado no papel tem valor. Aqui no município tantas promessas foram feitas, recebi tantos papéis com assinatura de que isso ou aquilo seria feito, mas depois nada acontece. Para mim isso é frustrante. E depois, também para poder me dedicar de melhor forma a família e a mim mesma, bem como à minha profissão.
JP: Foi algo relacionado ao atual cenário político nacional e os escândalos e investigações envolvendo o partido, ou se trata de uma vontade antiga, que somente agora foi oficializada?
LTV: Também, o cenário nacional, é claro, acabou contribuindo, mas sempre soube diferenciar bem as pessoas do partido e sempre deixei isso bem claro na Tribuna e para as pessoas que me conhecem. No entanto, não estava mais conseguindo ver o meu nome atrelado a qualquer partido político. Vejo que hoje em todos os partidos, infelizmente, há pessoas que denigrem a imagem de toda a política, e para mim, o fato de ter um cargo público significa o compromisso com a coletividade e não com o individual. Não era uma vontade antiga, mas os fatos vão se acumulando e chega uma hora que é necessário tomar uma atitude.
JP: Com isso, você deixa imediatamente o posto de vereadora ou existe a possibilidade de terminar o mandato?
LTV: Fiz o pedido de desfiliação na quinta-feira a noite e alguns integrantes do partido se reuniram, onde consensuamos que eu ficarei na Câmara até o dia 29 de março, visto que o Mandato é do Partido e não meu. Sempre tive consciência de que não cheguei ao cargo de vereadora sozinha, foram necessários os votos dos demais candidatos do partido e por isso assim consensuamos.
JP: Como foi a reação do diretório municipal após o seu comunicado?
LTV: Na reunião eu pedi que não me pedissem para mudar de ideia. Tenho muita consideração pelos membros do Diretório e também pelos demais membros do Partido dos Trabalhadores de Pomerode. São pessoas de bem.
JP: Quais foram os pontos mais marcantes de seu mandato? Valeu a experiência?
LTV: Nossa (choro), foram tantos. Amei a experiência. Não me arrependo de nada. Acredito que o meu trabalho tenha deixado as marcas que precisavam ser deixadas. Trabalhei com toda a dedicação possível, sempre defendendo interesses coletivos, nunca individuais. Orgulho-me de ter sido vereadora em minha cidade e, mesmo não terminando o mandato, vejo que pude contribuir muito com minhas ideias. O que me orgulha muito é ter, depois, de muitas tentativas, conseguido incluir a Rede Feminina de Combate ao Câncer no Orçamento do Município. De ter apresentado e aprovado a Lei da transparência das Obras Públicas. De ter tido acatada várias proposições em prol da Comunidade. De ter criado em Lei a Semana da Agricultura. De ter se tornado lei o Projeto que cria a Semana de Incentivo a Doação de Sangue e Medula Óssea. De ter apresentado várias emendas que ampliaram os direitos dos servidos públicos. E assim, por diante, principalmente pelas constantes intervenções em questões relevantes em nosso município como a questão do posto de Saúde Alwin Klotz, da prestação de contas da Festa Pomerana (2015) e da Osterfest (2015), da Escola Vidal Ferreira, da melhoria no Projeto da Taxa de Lixo e sugestões a serem estudadas para a cobrança da mesma. Dei encaminhamento de algumas questões ao Ministério Público.
JP: A decisão lhe afasta de qualquer pretensão política futura, como por exemplo disputar uma vaga como vereadora por outro partido, ou para prefeita/vice, no próximo pleito?
LTV: No próximo pleito, não tenho qualquer pretensão. No futuro, não sei. Tenho convite de vários partidos para me filiar, mas como falei, no momento estou descrente com toda a política e não vou me filiar a nenhum outro partido.
JP: Gostaria de deixar alguma mensagem para os 875 eleitores que votaram em você no pleito que a elegeu vereadora?
LTV: Com certeza. Espero ter atendido neste tempo de mandato as expectativas dos mesmos. Pedir desculpas por estar deixando o mandato agora, mas que possam me entender. Acredito que eu possa continuar trabalhando em prol da comunidade através de serviços voluntários, através da Escola, da igreja e também através da minha profissão, onde busco sempre a constante melhoria e dignidade das condições de trabalho dos trabalhadores.
JP: Agora, não mais filiada ao Partido dos Trabalhadores, como a Letícia avalia o futuro do Brasil no que diz respeito à política?
LTV: Espero que seja feita uma reciclagem geral. Que a corrupção acabe e que os corruptos sejam julgados e condenados, no caso de serem considerados culpados. Porém, espero também que isso aconteça com todos os políticos, independente do Partido. Espero que tudo aconteça dentro da legalidade e imparcialidade necessários para um bom julgamento.
JP: Alguma outra consideração que gostaria de fazer?
LTV: Desejo que todos aqueles que estejam na política o façam com o coração. Embora a razão seja necessária para avaliar a legalidade das questões, e para separar o certo do errado, mas a emoção é necessária, na dose certa, para se sensibilizar e dar valor ao que a população pede e clama, para que a palavra dita tenha valor.
E, para as pessoas, gostaria de dizer que a política é necessária na vida de todos nós. Sei que magoei algumas pessoas, mas penso que o ser humano deva ter mais valor do que qualquer sigla partidária. Para mim o ser humano sempre terá mais valor do que qualquer sigla partidária. Porque as pessoas são para sempre em nossa vida, a política é apenas uma passagem.