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Morador de Pomerode faz ação entre amigos para aquisição de prótese

Fernando teve complicações pós-covid, após ficar cerca de cinco meses internado, sendo 65 dias em coma. Saiba mais sobre essa história de vida e também como ajudar!

14 de julho de 2022

Foto: Raphael Carrasco/JP

“Fernando, você é um milagre!”. Esta, foi uma das frases ditas pelos médicos do Hospital Santa Catarina, em Blumenau, onde Fernando Emerson Pereira, de 32 anos, ficou internado por cinco meses, destes, dois em coma, por conta de complicações da Covid-19.

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Uma das sequelas deixadas pela doença foi uma trombose, que comprometeu parte de sua perna, tendo que amputá-la. Agora, Fernando precisa da ajuda da comunidade para adquirir uma prótese, porém, deixaremos no fim desta matéria mais informações sobre como ajudar, já que há muita história para contar, nesta longa batalha pela vida, que Pereira enfrentou.

Os primeiros sintomas foram sentidos no fim de dezembro de 2021. Após se sentir mal em uma tarde de domingo e, no dia seguinte, ver que não estava muito bem, começou a sentir uma sequência de febre. Na terça, procurou o HMRT e resolveu fazer o teste da Covid-19 para saber se estava com o vírus.

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Após fazer o teste, o diagnóstico deu positivo e, então, iniciou o repouso em casa. Mas, conforme os dias foram passando, os sintomas começaram a piorar. Com febre muito alta, novamente procurou o Hospital para atendimento médico. Foi dado medicamento e retornou para casa, porém, seu estado de saúde não apresentava melhora.

Novamente, retornou, pela terceira vez, ao Hospital, com tosse frequente. Após medir a saturação, que apresentou 85%, ele foi internado no Hospital de Pomerode. Quando chegou o resultado da tomografia, feita no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, veio a notícia de que seu pulmão estava 80% comprometido. Neste instante, toda a família levou um susto e logo após foi transferido ao Hospital Santa Catarina, em Blumenau, no dia 30 de dezembro. Ele se recorda que, no dia 31 de dezembro, já estava muito mal e que naquela data foi agraciado com uma lembrança de “feliz ano novo”. Dali para frente, dias 1º e 02 de janeiro, Fernando já não se recorda de nada. Foi no dia 03 que foi intubado na UTI e entrou em coma.

A reação da família

Fernando conta que sua família recebeu a notícia de que sua situação era gravíssima. Os médicos já mantinham diálogo com os familiares da possibilidade de não ser possível a reversão do quadro extremamente crítico que ele se encontrava.
“Eles diziam que não tinha muita esperança de eu permanecer vivo e que se preparassem para o pior. Foi terrível para eles, ouvir tudo isso, pois imagina, sua mãe, pai, noiva e resto da família ter essa notícia. Foram momentos de muita tensão, orações e de fé em Deus”, relata.

Os dias de coma

Nesse processo, Fernando ficou em uma máquina e realizou uma terapia de Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), que é um recurso tecnológico da medicina para substituir a atividade do coração ou do pulmão, utilizada em casos críticos de Covid-19, a fim de diminuir os processos inflamatórios causados pela doença e possibilitar que o organismo se recupere.

Fernando ficou cerca de 39 dias nesta máquina para tentar recuperar os pulmões, que já estavam 99% comprometidos. Neste período, ele passou por sete cirurgias no pulmão e outros procedimentos. Além disso, ele sofreu um AVC, que deixou pequenas sequelas em seu campo de visão. Outro órgão que também sofreu com a doença foi o baço, que acabou definhando, durante o tratamento. Foram 65 dias de coma e, neste meio tempo, além de emagrecer de 72kg para 44kg, quando tentaram o acordar, Fernando estava agitado e confuso e não sabia o que estava se passando no momento. Após conversas com o médico, ele descobriu que já estava no mês de março e logo após iniciou os cuidados para sair da UTI, até chegar no dia da alta.

“Foi um momento muito estranho. É emocionante, pois a gente lembra de tudo que a família passou e os momentos de angústia que eles tiveram. Ainda é inacreditável que sobrevivi, depois de tanto sofrimento e lutas que tive contra essa doença. Eu não havia tomado a vacina, pois tinha ficado com medo das reações, já que familiares ficaram um pouco mal depois da aplicação da dose. De qualquer forma, é um milagre de Deus. Agradeço a Deus por ter me abençoado e ter me dado uma nova chance para viver”, comenta.

A notícia da amputação

Depois de um tempo de recuperação pós-coma, Fernando recebeu a notícia de que sua perna estava comprometida por uma trombose, outra complicação após a Covid-19. Os médicos informaram que a amputação era necessária.

“Foi um baque. Ficamos pensando de como seria a vida, sem uma perna. Mas, o fato de ter sobrevivido e ter passado por tantas batalhas, isso me fez pensar com que não seria algo difícil viver com uma amputação. Após muitas conversas com a família, resolvemos, então, fazer o procedimento”.

Agora, como dito bem no início desta reportagem especial, Fernando está fazendo uma ação entre amigos para a aquisição de uma prótese transtibial, para que possa retomar a sua rotina, como era antes. Através de uma rifa, o objetivo é angariar recursos suficientes para comprar a prótese.

Os prêmios são: 1ºlugar – R$ 1 mil; 2º lugar – Cesta de chocolate no valor de R$ 600,00; 3º lugar – Cesta de chocolate R$ 400,00. Para comprar os números, basta entrar em contato no telefone 47 9233-1428. Aos interessados em fazer a doação por Pix, use o CPF 070469069-12.
“Eu estou muito otimista. No começo, não queria falar muito, estava para baixo. Agora eu estou com a cabeça para frente e recebendo muito carinho de pessoas que eu não conheço e isso me motivou a fazer essa ação”, comenta.

A alegria de receber a alta

Depois de quase cinco meses de lutas, angústias, incertezas, chegou o grande momento: a alta do Hospital Santa Catarina, no dia 27 de maio. Fernando foi recebido por familiares e a equipe médica do local, que fizeram uma surpresa especial por ter conquistado a vitória de ter sobrevivido às complicações da Covid-19.

“Foi um momento de total emoção. Depois, até voltei para o hospital, pois estava muito debilitado. Tive uma febre e acabei retornando para lá e, aí sim, voltei para casa, de forma oficial. Agora, estou passando pela fase de fisioterapia e outros acompanhamentos médicos, já que foi um caso de extrema gravidade. Mas estou melhorando a cada dia mais e me adaptando com as situações, por conta da amputação. Quero agradecer à minha família, amigos e todos os profissionais da saúde que se empenharam nessa trajetória toda”, finaliza.

Foto: Arquivo Pessoal

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