Minutos que fizeram a diferença
Policiais utilizam manobras de desobstrução de vias aéreas, para salvar bebê engasgado, em Testo Rega
Um dia que ficará marcado, para sempre, na memória dos envolvidos. Isso porque, na última sexta-feira, 23 de julho, um ato não muito comum no meio policial, fez a diferença para a pequena Maria Valenttina, de apenas 45 dias.
Por volta das 19h daquele dia, a guarnição da Polícia Militar de Pomerode, formada pelo soldado Everton Coradini e pelo cabo Anderson Stadtlober, atendeu a uma ocorrência, na Rua Gustavo Rauh, em Testo Rega. No local, a bebê estava engasgada com leite materno e sem conseguir respirar.
“Eu estava dando leite para a Maria Valenttina a coloquei para arrotar. Então, notei que ela começou a ficar roxa, com olhar fixo e sem movimentos de respiração. Neste momento, chamei o meu marido, que entrou no quarto para começarmos a fazer a manobra. E como ela não ‘voltava’, tomamos a atitude de ligar para a Polícia”, relata a mãe, Luana Hebbel.
O marido, então, acionou a Central Regional de Emergência (190), que logo orientou o pai a ligar, também, para o 192 do Samu. Por estarem na região próxima à residência, os policiais chegaram primeiro, cerca de dois minutos após a chamada. No local, Coradini e Stadtlober logo realizaram manobras de desobstrução das vias áreas, o que fez com que a criança voltasse a respirar, cerca de um minuto depois.

Foto: Bob Gonçalves
Com a chegada da equipe Bravo 11 do Samu de Pomerode, integrada pelo condutor socorrista Cleyton Eising e pelo técnico em enfermagem Maikon da Silva, a pequena foi avaliada e, em seguida, encaminhada ao Hospital e Maternidade Rio do Testo.
“No momento, a única coisa que eu pedia era para que Deus não a levasse, pois ela foi muito aguardada. Apesar da gestação difícil, ela é tudo na minha vida. Mas quando o socorro chegou, eu tive a certeza de que ela seria salva”.
Segundo os policiais, este tipo de ocorrência não é habitual no cotidiano deles. “Durante o curso, aprendemos a fazer a Manobra de Heimlich, só que em um boneco, o que é muito diferente. Mas, no fim, conseguimos realizar a desobstrução da melhor maneira possível”, destaca Stadtlober. “Os pais ainda tentaram fazer a desobstrução com o aspirador nasal, mas ela continuava sem respirar. Vimos o desespero da mãe, que nos entregou a criança, praticamente desacordada, quando iniciamos a manobra, primeiro o cabo Stadtlober e, depois, comigo continuando. Na sequência, percebemos que a bebê começou a respirar, para alívio de todos”, completa Coradini.
Ainda conforme Stadtlober, diante deste fato, não há como não aflorar fortes emoções. “Ver aquela mãe entregando sua filha para nós, como sendo a salvação dela, nos deu uma responsabilidade muito grande. E como os dois têm filhos, tivemos que encarar essa situação com muito mais vontade de ajudar aquela família.Para mim, foi a situação mais tensa que vivi dentro da polícia, pois se tratava de uma criança de 45 dias, nascida de 34 semanas. Mas Deus nos abençoou naquele momento e pudemos fazer o nosso melhor”.
Já para Coradini, essa não é uma situação nova. “Já vivi isso com meu filho, mas nada comparado do que aconteceu naquele dia. Foi algo emocionante.”
Emoção é o que não falta nas palavras de uma mãe, aliviada por poder ter a sua filha nos braços. “Eles não salvaram só a Maria. Eles salvaram nossa família. Não íamos conseguir viver longe dela. Não há dinheiro no mundo que pague o que eles fizeram pela gente. Agradeço muito a Deus e à Nossa Senhora Aparecida, mas se não fosse por eles, a Maria não estaria aqui. Eu entregar minha filha desacordada e eles a devolverem respirando, é algo que não tem preço. Eles serão, para sempre, os heróis para nossa filhinha”, conta Luana, muito emocionada.
Neste contexto, a recíproca é verdadeira. “Eu desejo muita sorte para a família e que esta criança venha a dar muita alegria a eles. E também, agradecemos aos pais por terem confiado no trabalho da Polícia Militar”, finaliza Coradini.
