Mentes que semeiam conhecimento
Ex-funcionárias da EBM Dr. Amadeu da Luz falam da dedicação à qualidade do ensino oferecido no local, na segunda reportagem da série especial
A história sesquicentenária da Escola Básica Municipal Dr. Amadeu da Luz foi escrita por muitas mãos e, graças ao esforço de toda uma comunidade em prol da instituição. A qualidade na educação, reconhecida por décadas na cidade, também passa pelas mãos dos educadores que atuaram na Escola, ao longo dos anos.
Nesta segunda reportagem da série especial sobre os 150 anos da EBM Dr. Amadeu da Luz, conversamos com ex-professores e com a ex-diretora que ficou por mais tempo à frente da instituição, que contaram histórias sobre o tempo na escola, revelando o amor pelo local.
Therezinha da Silva Baptista assumiu a direção da EBM Dr. Amadeu da Luz em 1985, justamente quando deixou de ser escola isolada, para ser transformada em escola básica. “Nesta época, as aulas ainda eram em duas salas da comunidade de Testo Alto, e a seguir a Prefeitura construiu as novas instalações”, relembra a ex-diretora.
Foram 20 anos com Therezinha na direção da escola, de 1958 a 2005, período em que várias conquistas foram obtidas. Algumas delas foram a informatização total da escola, climatização do ambiente escolar, incentivo e destaque no esporte e um grande apoio no setor pedagógico, elevando, ainda mais a qualidade do ensino na instituição.
“Tenho orgulho de dizer que, entre as conquistas, a principal foi transformar esta escola em modelo no município. Mas tudo nasceu de um bom relacionamento e da união entre direção e associação de pais e professores, que não mediram esforços para investir na educação de seus filhos. É com muito orgulho que declaro que a minha relação com a comunidade foi maravilhosa, havendo união, respeito e responsabilidade, onde tudo é em prol do desenvolvimento integral do nosso educando. Foi um tempo sagrado, onde dirigi esta escola com muita garra, com responsabilidade e apoio da prefeitura municipal e da comunidade de Testo Alto”, declarou Therezinha.
A ex-diretora também falou com carinho sobre como a EBM Dr. Amadeu da Luz marcou a sua trajetória de vida. “Foram 20 anos de dedicação e felicidade, e agradeço o apoio que tive de todos na época. Quero saudar aos 150 anos desta escola maravilhosa, e agradecer pela oportunidade de falar desta escola, que é motivo de orgulho para mim”, enalteceu.
Quem também tem memórias marcantes do tempo vivido na escola é a ex-professora Zulenir Ramos. Moradora há mais 40 anos de Pomerode, ela começou a trabalhar na Escola Amadeu da Luz em 2002, após passar por várias escolas da cidade, e na instituição de Testo Alto permaneceu por 12 anos.

Zulenir Ramos, ex-professora. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
“Quando eu vim para Pomerode, trabalhava no Bradesco, mas meu sonho era estar na sala de aula. Então, me inscrevi no concurso para o município e para o estado, e fui trabalhar em uma escola no Ribeirão Souto, em 1990. Depois, passei por várias escolas, até a chegar à Escola Dr. Amadeu da Luz, em 2002”, conta Zulenir.
Na instituição, ela trabalhou com crianças de 1ª a 4ª série, que depois passaram a integrar as turmas do 1º ao 5º ano, quando foi adotado o início da educação básica a partir dos seis anos de idade. Zulenir também atuou na escola com a educação especial.
“Ir para a escola era uma festa todos os dias. Sempre tive uma relação sempre muito boa com todos, com toda a comunidade escolar. No tempo em que eu fui professora da Amadeu, os pais também sempre foram muito presentes, auxiliando no que podiam à escola e aos seus filhos. Por isso, posso dizer que foram anos maravilhosos os que vivi na Amadeu. A escola para mim foi uma segunda casa, eu amava ir trabalhar lá”, ressaltou a ex-professora.
Para Zulenir, os momentos mais marcantes foram aqueles em que ela pôde acompanhar o aprendizado do aluno. Por ter trabalhado muito com a alfabetização, a ex-professora revela que era emocionante presenciar o momento em que as crianças descobrem que estão conseguindo ler e, também, acompanhar as conquistas dos alunos da educação especial.
“É maravilhoso ver a evolução dos alunos ao longo dos anos. E também é muito prazeroso reencontrar meus ex-alunos depois de anos, vê-los com as próprias famílias, já na faculdade e receber o carinho deles. Tudo isso é muito gratificante. Só tenho a agradecer de ter feito parte desta escola, pois foi a minha segunda casa. Agradeço às pessoas com quem eu pude trabalhar, pois foram anos maravilhosos. Eu amo educação e trabalhar lá foi muito bom”, destacou.
Uma tradição de família
Em 1944, o cargo de professor da Escola Amadeu da Luz foi ocupado pelo Sr. Rudolfo Hornburg, que lecionou em dois turnos. A partir de 1957, ele começou a ter o auxílio da filha Úrsula Hornburg, que atuou como substituta até 1960, ano em que foi efetivada e trabalhou até se aposentar no ano de 1985. Rudolfo, também lecionou até se aposentar em 1968.
Úrsula Hornburg Greuel, viúva de Hilário Greuel, foi professora por 32 anos, sendo que o início de sua carreira como educadora foi sem nomeação, quando Pomerode ainda era um distrito de Blumenau. Quando houve a emancipação e o prefeito Arnoldo Hass assumiu, passou a ser professora efetiva.
“Trabalhei por alguns anos junto ao meu pai, porque eram muitos alunos. Eu sempre o ajudava. Quando ele fazia algo relacionado à escola, eu tentava auxiliar em alguma coisa. Depois de terminar o curso de corte e costura, ele disse que eu poderia assumir como professora substituta, na Escola Amadeu da Luz”, comenta Úrsula.

Úrsula Hornburg Greuel, ex-professora, da década de 60. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
Úrsula e o pai dividiam os alunos, em quatro turmas, mas tinham apenas uma sala disponível para as aulas. No início, ela dava aulas para a 1ª série e, depois de um tempo assumiu a 2ª série, também, enquanto Rudolfo lecionava para a 3ª e 4ª séries.
“O ensino era bem rígido, pois meu pai gostava de dar as aulas bem certas, para que os alunos aprendessem bastante, tudo da forma correta, como a tabuada e a escrita. Eu gostava muito de lecionar, porque naquela época não tivemos jardim de infância, os alunos eram do interior e nós tínhamos a chance de ensina-los desde o início. Para muitos era fácil, mas alguns tinham muita dificuldade. Eu sempre fazia o máximo para ajudar, pegava pela mão e mostrava quantas vezes fossem necessárias”, enalteceu Úrsula.
As aulas eram de manhã e à tarde, sendo que Úrsula lecionava pela manhã, para 1ª e 2ª séries, e o pai utilizava a sala no período vespertino. O marido de Úrsula, Hilário, ajudou na construção da segunda sala utilizada pela comunidade para as aulas e os filhos do casal, Susete, Hans e Diether, também estudaram no local e tiveram aula com a mãe.
Além do espaço reduzido, havia uma outra dificuldade. A escola não tinha merendeira, e Úrsula comenta que precisavam fazer a comida para os alunos, alguns dos quais ajudavam no preparo. Até que a comunidade se uniu e contratou uma merendeira, que ficou responsável pelo preparo do lanche.
“Mas o que fica são as memórias boas, porque sempre houve muito amor pela escola. É uma grande família e amamos todos que trabalharam lá. As pessoas até hoje se dedicam muito, assim como nós nos dedicamos, sempre com muito amor, e isso é motivo de orgulho, para toda a comunidade”, finaliza Úrsula.
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