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Medicina veterinária sistêmica propõe olhar ampliado para fortalecer o vínculo entre animais e famílias

Médica-veterinária Roberta Bionda, com mais de 25 anos de atuação na clínica geral, explica sobre a abordagem

10 de setembro de 2026

Foto: Envato Elements / Imagem ilustrativa

Nos últimos anos, os animais de estimação passaram a ocupar um espaço cada vez mais importante dentro dos lares, deixando de ser apenas companheiros para se tornarem integrantes das chamadas famílias multiespécie. Essa mudança também tem impulsionado novas formas de cuidado, como a medicina veterinária sistêmica, uma abordagem complementar que busca compreender o animal além dos sintomas físicos, considerando também o ambiente familiar e as relações em que ele está inserido.

Segundo a médica-veterinária Roberta Bionda, com mais de 25 anos de atuação na clínica geral, a medicina veterinária sistêmica amplia o olhar sobre o paciente, sem deixar de reconhecer a importância da medicina baseada em evidências.

“A medicina veterinária sistêmica busca compreender o animal não apenas pelos seus sintomas físicos, mas também considerando o contexto familiar e as relações em que ele está inserido. Diferentemente da medicina veterinária convencional, que concentra seu diagnóstico e tratamento nas causas biológicas das doenças, essa abordagem amplia o olhar para observar possíveis conexões entre os sintomas do animal e o sistema familiar ao qual ele pertence. É importante destacar que ela atua de forma complementar e jamais substitui o acompanhamento clínico tradicional”, explica.

Uma nova forma de compreender a relação entre humanos e animais

De acordo com Roberta, a percepção de que os animais passaram a exercer um papel diferente nas famílias começou a se fortalecer há cerca de 15 anos, quando eles deixaram os quintais e passaram a viver dentro das casas, participando de forma ativa da rotina familiar.

Ela conta que um episódio vivido ainda no fim da década de 1990 foi determinante para despertar seu interesse sobre essa relação. Uma prima, que nunca havia desejado ter um cachorro, precisou cuidar temporariamente do animal do filho e percebeu uma transformação em sua própria vida.

“Ela me disse que, ao passear com o Boris, passou a se conectar mais com as pessoas e percebeu o quanto aquele cachorro havia mudado sua forma de viver. Aquilo ficou muito marcado para mim. Os animais realmente transformam a nossa vida”, relata.

A partir desse interesse, Roberta conheceu a formação em Visão Sistêmica estruturada pela médica-veterinária Carla Abreu Soares, iniciada entre 2018 e 2019, voltada ao desenvolvimento humano e à aplicação da visão sistêmica na saúde.

Princípios e atendimento

A medicina veterinária sistêmica é baseada nos princípios de pertencimento, ordem e equilíbrio, conhecidos como Ordens Sistêmicas ou Ordens do Amor, descritas pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger. Segundo Roberta, esses conceitos ajudam a compreender as relações estabelecidas entre os membros da família, incluindo os animais.

A primeira consulta costuma durar cerca de uma hora e envolve uma escuta detalhada sobre o histórico clínico, comportamento, rotina, ambiente e mudanças vividas pelo animal. Também são abordadas informações sobre a história da família, desafios enfrentados, perdas, conflitos e outros acontecimentos que possam estar influenciando a dinâmica familiar.

Quando necessário, podem ser utilizadas ferramentas como a Constelação Familiar e outras técnicas de direcionamento que auxiliam os tutores a compreenderem melhor os comportamentos e sintomas apresentados pelos animais.

Foto: Envato Elements / Imagem ilustrativa

Indicação e benefícios

A abordagem não é destinada a uma doença específica. Conforme a veterinária, ela costuma ser procurada principalmente quando os sintomas se repetem, persistem mesmo após tratamentos adequados ou não encontram uma explicação clínica suficiente.

“Meu objetivo é acolher tanto o animal quanto sua família, ajudando a identificar padrões e promovendo uma compreensão mais profunda dessa relação. Quando o tutor também passa por um processo de transformação e encontra mais equilíbrio, isso pode favorecer o bem-estar do animal. Não buscamos culpados, mas consciência, acolhimento e novas possibilidades de cuidado. Cada caso é único e, sempre que necessário, o acompanhamento sistêmico acontece em conjunto com o tratamento veterinário convencional”, afirma.

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Entre os benefícios mais frequentemente relatados estão uma convivência mais harmoniosa entre tutores e animais, mudanças na forma de cuidar, melhora na comunicação e, em muitos casos, um pet mais tranquilo e equilibrado. Segundo Roberta, o tempo para que essas mudanças sejam percebidas varia conforme cada família, podendo ocorrer de forma imediata ou gradativa.

Abordagem também pode atuar na prevenção

Além de ser utilizada em situações de sintomas recorrentes, a medicina veterinária sistêmica também pode ser aplicada de forma preventiva. A proposta é fortalecer a relação entre o animal, sua família e o ambiente antes mesmo do surgimento de problemas.

Roberta reforça, entretanto, que essa visão integrativa não substitui os cuidados preventivos tradicionais, como consultas periódicas, vacinação, controle de parasitas, alimentação adequada e realização de exames quando indicados.

“A prevenção começa com uma boa avaliação clínica, aliada a um olhar ampliado sobre o contexto de vida do animal. Compreender sua história, sua rotina e a dinâmica familiar permite oferecer um cuidado mais completo e individualizado, sempre respeitando a importância da medicina veterinária convencional”, conclui.

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