“Mãe dos bombeiros”: a história de dedicação e afeto de Dona Asta em Pomerode
A proximidade com o dia a dia dos atendimentos e da rotina operacional acabou fortalecendo ainda mais o vínculo de dona Asta com os Bombeiros
Foto: Joana Prochera / JP
Figura conhecida no Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, Asta Gustmann carrega um título que não está em nenhuma patente, mas que diz muito sobre sua trajetória: o de “mãe dos bombeiros”. O apelido nasceu de forma natural, construído ao longo de anos de dedicação voluntária à corporação e também por uma ligação que vai além do simbólico.
Dona Asta é mãe do bombeiro voluntário Jonathan Gustmann, que atua há 17 anos na corporação, e sogra de Roselene Gustmann, também bombeira voluntária há uma década. A proximidade com o dia a dia dos atendimentos e da rotina operacional acabou fortalecendo ainda mais um vínculo que, com o tempo, se estendeu a praticamente todos os integrantes da equipe.
“Assim, vamos dizer, uns 15 anos, né? Daí começou mais com a feijoada do bombeiro”, relembra. A iniciativa surgiu em um momento em que a corporação enfrentava dificuldades financeiras. A ideia nasceu de forma simples, em uma conversa dentro de casa: organizar uma feijoada ou até uma pastelada, para arrecadar recursos.

Foto: Arquivo pessoal
O que começou como uma ação pontual se transformou em um compromisso contínuo. Desde então, Dona Asta participa ativamente da organização, desde a arrecadação de ingredientes até o preparo. “Eu saio para arrecadar, eu corto o cheiro verde, essas coisas, tudo”, conta. O envolvimento é completo: na véspera do evento, chega a ajudar no preparo de grandes quantidades de alimentos, como dezenas de quilos de cebola e tomate.
Ao longo dos anos, a cozinha se tornou um dos principais espaços de atuação. Dona Asta preparou refeições para bombeiros em cursos, plantões e eventos internos. “Já teve curso com 40 pessoas, e eu fazia almoço”, lembra. Também era comum garantir que ninguém saísse sem comer. “Eu fazia janta para quem estava de plantão. Aí, quando eles saíam do curso, eu embrulhava uma coxinha e dava para eles levarem.”
Os gestos simples ajudaram a construir laços profundos. “A gente vai tendo os filhos do coração”, resume. Não à toa, a corporação passou a ocupar um papel central em sua vida, especialmente após a perda do marido, quando o filho ainda era criança. “Isso aqui era a minha segunda casa. Era e é.”
Além dos momentos de convivência, Dona Asta acompanhou de perto a evolução da estrutura dos bombeiros voluntários em Pomerode. “Olhando para trás e vendo o que a corporação é hoje, a gente tem orgulho”, afirma. Ela lembra que, no passado, os recursos eram mais limitados.

Foto: Arquivo pessoal
A dedicação também se estendeu a situações emergenciais. Durante um incêndio de grandes proporções em uma empresa da cidade, por exemplo, Dona Asta esteve presente nas primeiras horas da manhã levando café para as equipes.
O reconhecimento pelo trabalho veio em diferentes formas. Em um desfile, ao passar junto à corporação, foi aplaudida pelo público e por autoridades. “São pequenas coisas que não têm preço”, destaca.
Mas nem só de momentos positivos é feita a história. A convivência próxima com os bombeiros também expôs Dona Asta à carga emocional da profissão. “Quando a gente vai, a adrenalina sobe. Você não sabe o que vai acontecer. Chega lá, você faz o que aprendeu. E depois?”, relata, repetindo uma reflexão comum entre os voluntários.
Ainda assim, o que prevalece é o propósito. “Sempre ajudar, fazer o bem sem olhar a quem”, resume.

Foto: Joana Prochera / JP
Esse princípio aparece com força nas histórias de arrecadação para a feijoada. Dona Asta faz questão de valorizar cada contribuição recebida, independentemente do tamanho. “Uma mulher disse que não podia ajudar. Depois trouxe um quilo de feijão. É isso que toca.” Para ela, o resultado é construído coletivamente: “De grão em grão, a gente enche o tacho”.
A relação construída ao longo dos anos também se revela nos momentos em que ela própria precisou de ajuda. Após sofrer um AVC há cerca de dez anos, Dona Asta contou com o atendimento rápido dos bombeiros — entre eles, o próprio filho — e se recuperou sem sequelas.
Dentro do quartel, a presença dela também marcou a vida de muitas pessoas que passaram pelo local, inclusive aquelas que cumpriam serviço comunitário. Segundo relatos, alguns chegaram sem interesse, mas acabaram criando vínculos e retornando posteriormente para visitar ou colaborar com as ações.
Para o chefe de socorro Lucas Alichandre, o papel de Dona Asta dentro da corporação é um exemplo raro. “Pra mim, é um exemplo de amor ao próximo. Ela não tinha necessidade nenhuma de estar fazendo isso. Foi a forma que encontrou de ajudar. E faz de coração, sem esperar nada em troca”, destaca.
Mesmo sem atuar diretamente nas ocorrências, a contribuição de Dona Asta se tornou essencial nos bastidores — onde, muitas vezes, o cuidado também faz diferença. “Se botar na prática, é o que a mãe faz. E é o que os filhos fazem pela mãe”, resume. E, ao falar da corporação, reforça o sentimento que atravessa toda a sua história: “Aqui eu tenho muitos filhos.”
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