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Hilário Gustmann: a memória viva da Câmara de Vereadores de Pomerode

Hilário viveu o momento de transição, quando Pomerode se tornou município

13 de setembro de 2025

Em meio às paisagens tranquilas da Rua Progresso, em Pomerode, vive um personagem essencial para a história política e administrativa do município: Hilário Gustmann. Hoje com 85 anos, Hilário guarda na memória as transformações pelas quais a cidade passou e, sobretudo, orgulha-se de ter sido o primeiro funcionário da Câmara de Vereadores de Pomerode, onde atuou por 13 anos como secretário, além de uma longa trajetória no serviço público municipal.

Nascido em 18 de novembro de 1939, filho de Hermann e Elsa, Hilário construiu sua vida ao lado de dona Rute, com quem se casou em 26 de março de 1960. Juntos, formaram uma família com três filhos: Rosita, Ernesto e Germano. Antes de ingressar na administração pública, ele teve passagens pela Porcelana Schmidt S.A., pelo Exército — onde deu baixa como 3º Sargento da Reserva — e pela empresa Progresso Representações.

Aos 23 anos, Hilário foi nomeado por decreto ao serviço público do município de Pomerode, em 1º de agosto de 1963. Foi ali que teve início uma jornada de 28 anos e 3 meses de dedicação à comunidade, entre trabalho estatutário e celetista, com aposentadoria formal em outubro de 1987.

O começo na Câmara

Com simplicidade e memória afiada, Hilário recorda o período inicial da Câmara Municipal, instalada em 1961. Ele começou sua atuação ainda nos tempos do prefeito provisório Alípio Nunes, período de transição e organização política do recém-emancipado município. “Na época, ninguém sabia direito como funcionava uma Câmara. Foi o próprio Alípio que me instruiu”, conta.

As sessões eram semanais, realizadas à noite, e a principal função de Hilário era redigir as atas — documentos que ele escrevia com cuidado e precisão, após rascunhar durante os encontros. “Era tudo escrito à mão, depois datilografado e assinado pelo presidente e secretário”, relembra.

No início, a Câmara contava com apenas sete vereadores. Entre os momentos mais desafiadores, Hilário cita as discussões acaloradas entre parlamentares. “Era difícil acompanhar os debates, mas sempre fui muito correto. Eu anotava tudo, depois fazia a ata com calma”, explica.

Um servidor multifuncional

Além da função de secretário da Câmara, Hilário acumulava outras responsabilidades. Atuou como oficial administrativo da Prefeitura, secretário da Junta Militar — função pela qual foi premiado em 1982 como o melhor da região — e também foi nomeado Identificador de Pomerode pela Secretaria de Segurança Pública, em 1979.

Hilário relembra com emoção o movimento constante em sua sala na Prefeitura, especialmente de agricultores em busca de informações e orientações sobre o alistamento militar dos filhos. “Naquela época, a maioria dos jovens eram da lavoura. Muitos pais vinham pedir isenção porque o filho ajudava em casa”, conta. “Eu os orientava, sempre com respeito”.
Seu trabalho foi tão relevante que uma foto da cerimônia de juramento à bandeira em Pomerode está exposta até hoje no gabinete do Coronel Chefe da 16ª Circunscrição Militar, em Florianópolis — uma homenagem à Junta de Alistamento local, considerada modelo de referência.

Vida após a Prefeitura

Após encerrar sua trajetória como servidor público, Hilário se dedicou à família e à produção artesanal. Passou a fazer melado, mousse, cestos e carrinhos de mão de madeira, seguindo um legado do pai — além de cultivar mandioca, cará, cana, verduras e legumes na propriedade rural da família. Participou, também ativamente do Clube Sênior de Pomerode, onde ela foi eleita Rainha e ele, o 2º Cavaleiro por algumas vezes.

Mesmo com a satisfação de ter dedicado quase três décadas ao serviço público, Hilário confessa que sente falta do convívio diário com a comunidade. “Foi difícil me acostumar com o silêncio. Na Prefeitura, minha sala sempre tinha movimento”, diz, com um brilho nos olhos.

Uma homenagem merecida

Recentemente, Hilário recebeu em casa a visita do atual presidente da Câmara de Vereadores, Deoclides Correia, que fez questão de homenageá-lo como primeiro servidor da história do Legislativo de Pomerode. O gesto, simples e simbólico, emocionou Hilário. “Foi uma honra. Eu nunca trabalhei pensando em reconhecimento, mas é bom saber que lembraram da gente.”

O presidente da Câmara de Vereadores de Pomerode, Deoclides Correa, falou sobre a ideia da homenagem e o sentimento em poder fazer este reconhecimento aos serviços prestados por Hilário.

Foto: Moira Petrucci

“Encontrei o Sr. Hilário na rua Guilherme Gustmann, enquanto eu verificava a pavimentação, já que é próximo a casa dele. O Sr. Hilário contou, em nossa conversa, que havia trabalhado na Câmara. Fiquei espantado com as histórias que contou e, a partir daí conversei com pessoal da Câmara para resgatar junto a ele essas lembranças”, disse o presidente da Casa Legislativa.

Correa também frisou o quanto é importante reconhecer os serviços realizados por ele. “Como cidadão e vereador, a história com muitos detalhes, tem que ser registrado. Isso vai servir para mostrar como é que participou da construção do legislativo em nossa cidade. Fico muito feliz de poder ter conversado pessoalmente com o Sr. Hilário”.

A trajetória de Hilário Gustmann é mais do que uma história pessoal. É um capítulo importante da memória institucional de Pomerode. Um exemplo de dedicação, humildade e compromisso com o serviço público.

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