Há 10 anos, um dia para ficar na história
Há uma década, nesta mesma época do ano, um casal pomerodense vivia o segundo dia mais feliz de suas vidas.
Há uma década, nesta mesma época do ano, um casal pomerodense vivia o segundo dia mais feliz de suas vidas, depois do nascimento da filha. Márcio Porath e Jussara de Oliveira Padaratz oficializaram a união em 23 de janeiro de 2010, de uma maneira tradicional, em um contexto germânico da época de 1900.
O casal se conheceu em plena Festa Pomerana, exatamente um ano antes do casamento. “Foi durante uma troca de bandas, naquele 23 de janeiro de 2009, um amigo que estava comigo me perguntou se eu não queria conhecer a Jussara. Eu disse que sim e ali a nossa história começou. Naquela época, já estava definido que não haveria mais casamentos na Festa Pomerana, mas batalhamos para que pudéssemos nos casar lá”, conta Márcio.
A cerimônia, na época, aconteceu na Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Centro e os convidados e noivos estavam trajados de acordo com a época retratada. Depois, desfilaram até o Pavilhão de Eventos, onde estava sendo realizada a 27ª Festa Pomerana. Lá, o enlace matrimonial foi realizado.
O noivo, na época, comentou a felicidade em encontrar uma companheira que tivesse o mesmo amor pela tradição. “Não esperava encontrar alguém que se sujeitasse a casar conforme os costumes. Este sempre foi o meu desejo, pois participo dos desfiles da Festa Pomerana há anos”, disse.
Não esperava encontrar alguém que se sujeitasse a casar conforme os costumes. Este sempre foi o meu desejo, pois participo dos desfiles da Festa Pomerana há anos.
No casamento, quando chegaram ao Pavilhão de Eventos, Márcio e Jussara, bem como os convidados, foram acolhidos com a declamação de uma poesia, lida pela tia do noivo, Anila Porath Schumacher. A festa teve, ainda, a tradicional valsa dos noivos e retirada da grinalda e flor de lapela, conforme os costumes antigos.
Jussara, na época do enlace, ressaltou a sorte por ter encontrado a sua cara metade. “Tive muita sorte de estar casando com o amor da minha vida, em uma festa que tem muitas histórias”, disse.
Casal, hoje, comemora a data em família, é claro, na Pomerana (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
Hoje, 10 anos depois do casamento, que marcou aquela 27ª Festa Pomerana, o casal relembra com alegria os momentos vividos e aproveita o evento o máximo possível. “Para nós é uma comemoração todos os anos, mesmo que dia 23 não faça parte da festa, como aconteceu em alguns anos. Para mim é nostálgico. Eu dou muito os créditos à Roseli Zimmer que fez todo um resgate histórico de como eram os casamentos e foi lindo. Agora, estamos mais um ano juntos”, ressalta.
“Ter a nossa filha tão envolvida com a Pomerana nos deixa muito contentes. Ela não nasceu durante a Festa, mas ama o evento. Quando falamos em Pomerana, ela fica eufórica em poder participar. Inclusive seu nome, Isabela, é em homenagem à música do mesmo nome, que foi a nossa valsa de casamento”.
A história do casamento em Pomerode
Quando casais se uniam matrimonialmente, em Pomerode, conforme antigas tradições, as festividades começavam cedo e duravam alguns dias. A celebração acontecia em várias etapas e agregava toda a comunidade. Nas manhãs de quarta-feira, acontecia a solenidade do casamento. Os noivos voltavam para casa para receber as felicitações, após a confirmação do amor matrimonialmente. Logo, um farto almoço era servido.
Animação era o que não faltava. Os músicos tocavam música alegre e as cozinheiras e assadores dançavam agitando no ar espetos com carne, pás de forno, assadeiras, bules, panelas, entre outros. Esse é o Küchenmarsch, que é um costume que ainda persiste nas comunidades do interior do município. O baile era iniciado com a tradicional valsa dos noivos, com pausa para o café e jantar. Cerca de dois dias antes do casamento, à noite, acontecia o Polterabend, também conhecido por Noite do Quebra-Cacos.
Com a tarefa de convidar todos os parentes, amigos e vizinhos para o casório, uma das testemunhas desempenha o papel de Hochzeitsbitter. Mas isso apenas depois do pedido formal do noivo ao futuro sogro. Os convites eram feitos a cavalo, cuja seja e arreios eram enfeitados com flores naturais, laços e fitas, nas cores verde, amarelo, azul e vermelho. O Hochzeitsbitter declamava o convite de casamento em forma de poesia, em alemão, e visitava todas as residências e moradores.

Casamento recebeu cerca de 200 convidados (Foto: Arquivo / Jornal de Pomerode)
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