Guardando uma herança com muito carinho
Pomerodense guarda bicicleta comprada pelo pai em 1963, com as notas promissórias e fiscal
Pomerode, por si só, é uma cidade que adota a bicicleta como um dos seus meios de transporte, seja para ir ao trabalho, prática esportiva ou apenas aquela pedalada casual de fim de semana. E, como um pomerodense nato, o morador de Testo Central, Rolando Zeplin, 58 anos, guarda com todo carinho, uma bicicleta que era usada pelo seu pai, Bruno Zeplin, comprada no ano de 1963.
Com o falecimento do pai, na década de 90, Zeplin resolveu guardar a bicicleta e reformá-la, com o objetivo de conservar e preservar a memória de seu familiar próximo. A restauração foi feita pelo Senhor Valmor Sievert, que deixou a bike do jeito que ela saiu da loja, a pedido do filho.
Desde o falecimento do pai, Zeplin utiliza a bicicleta apenas para passeios aos fins de semana e prefere deixar guardada durante o resto do dia, em virtude do valor sentimental que ela representa para a família. Ainda, ele guarda as notas fiscais e promissórias da venda da bike, no ano da compra, em 1963. Zeplin comenta que, nos tempos da infância, sua família passou por algumas dificuldades financeiras e ter comprado a bicicleta foi uma das maiores conquistas.
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Rolando Zeplin e a bicicleta de seu pai, comprada em 1963. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
“O que motivou a conservar a bicicleta, foi o valor sentimental pelo meu pai, guardo lembranças inesquecíveis dela. Guardei as notas para mostrar aos meus filhos e netos como era difícil e caro de conseguir comprar as coisas naquela época, poderíamos comparar, nos dias de hoje, na compra de um carro. Sabemos o quanto foi difícil esta conquista, naquele tempo”, relata.
Toda vez que Zeplin olha para a sua bicicleta, as lembranças dos tempos de infância e adolescência voltam a aparecer.
“Ela representa a lembrança da minha vida, com meus pais. Tempos que não voltam mais, mas sempre que bato o olho nesta bicicleta, eu me lembro muito deles. É emocionante”, comenta.

Ele guarda a Nota Fiscal emitida no dia da compra da bicicleta. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)
Como um bom ciclista, desde criança, Zeplin também fez uma comparação com os dias de hoje e a evolução do trânsito, em Pomerode. Ele relembra que, há cerca de 50 anos, as bicicletas eram ainda mais frequentes nas ruas da cidade, com um fluxo menor de carros e motos.
“O transporte principal das pessoas era a bicicleta e aqui em Pomerode tinha poucos carros. O pessoal saia para trabalhar de bike ficava até bonito nossas ruas com estas bicicletas. Nos dias atuais até se tornou perigoso andarmos na rua com bicicleta, pois vemos a falta de respeito das pessoas, e parecem que todos estão com pressa, ninguém tem mais tempo para nada. Isso também vale para alguns ciclistas, que também não respeitam, no trânsito”, finaliza.
Zeplin conta e relembra que a bicicleta era usada diariamente pelo seu pai para ir ao trabalho, já que o mesmo tinha um emprego na Porcelana Schmitd. Antigamente, a família morava no Centro e o trajeto até o local de trabalho era mais perto e por isso a bicicleta se tornou um meio de transporte fundamental da família. Ele teve a ideia de restaurar a bike após encontrá-la deixada de lado, na antiga residência da família e foi neste momento que tomou a iniciativa de reformar a bicicleta.
