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Força empreendedora e acolhimento: mulheres além da maternidade

Conheça histórias de uma mãe empreendedora e de uma figura feminina fundamental para toda uma comunidade

6 de abril de 2024

Fotos: Arquivo pessoal

Conciliar rotinas profissionais com a vida familiar nem sempre é uma tarefa fácil e, para as mulheres, embora pareça natural, exige um esforço diário.

Jenifer Dutra Hermann é empreendedora e mãe do pequeno Gael Hermann Ballardin. Ela revela que sua gravidez foi descoberta no momento em que ela e o marido, Roner Ballardin se mudavam para Pomerode, somado ainda ao fato de estar começando a implantar o seu negócio de produção e venda de alimentos funcionais na cidade.

“Eu vim com meu marido do Rio Grande do Sul. Lá eu possuía um emprego fixo, mas também já empreendia, com a produção de alimentos funcionais. Meu marido veio para Pomerode em 2018 e eu em 2019 e pouco tempo depois de estarmos morando juntos aqui, descobri a gravidez, em meio à pandemia. Foi tudo bem desafiador, pois estávamos em uma cidade nova, vivendo uma realidade nova, em meio à pandemia, iniciando um empreendimento aqui. Foi desafiador, mas está sendo muito bom”, conta Jenifer.

A empreendedora é quem dirige a Gaia Alimentos Funcionais e comenta como o empreendimento começou, ainda no Rio Grande do Sul. “Eu tenho um irmão que sofria muito com asma, renite e muitos problemas com inflamação, então minha família buscou formas de alimentação mais saudável. E também machuquei meu tornozelo, fui para reabilitação e comecei academia. Estas duas coisas também fizeram eu me preocupar com alimentação mais adequada para quem treina. A ideia era produzir alimentos com ingredientes como batata doce, grão de bico, azeite de oliva, óleo de girassol, sem conservantes, sem glúten e sem lactose. Foi uma proposta diferente para a época, pois não se falava muito sobre o assunto e até havia poucos cursos para quem quer aprender. Eu fiz o curso natural chef, comecei a produzir os alimentos funcionais, as pessoas gostaram e o negócio foi crescendo”, relembra a empreendedora.

A partir do momento em que Jenifer descobriu a gravidez, já em Pomerode, logo começaram os enjoos e a empreendedora ficou um tempo sem poder trabalhar, pois não conseguia ficar na cozinha. Depois de um tempo, já no ano de 2020, os sintomas diminuíram e ela conseguiu voltar a produzir os alimentos funcionais.
Quando seu filho, Gael, nasceu, seu marido passou a ajudaá-la na produção, mas houve momentos em que Jenifer precisava se “virar nos 30” para conciliar o cuidado com o filho, ainda bebê, e a produção para a Gaia Alimentos Funcionais.

“Do primeiro ao sétimo mês, até quando conseguimos colocá-lo na creche, o Gael ficava comigo. Ficávamos eu e ele na cozinha, com meu marido ajudando quando conseguia. Era divertido, porque muitas clientes vinham e perguntavam como eu conseguia, até porque várias eram mães. Eu sempre pensei que precisava me virar, pois éramos autônomos e precisávamos daquela renda. Então eu fazia um pouco, parava, dava de mamar, brincava um pouco e depois continuava o trabalho”, explica a empreendedora.

Na época em que precisava equilibrar o cuidado com o filho e a produção, esta etapa tinha uma exigência diferente, pois a maioria dos produtos eram encomendados. Hoje, com o auxílio de duas pessoas na cozinha, a marca já trabalha com produtos à pronta entrega, além da produção diária.

Jenifer com sua família. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Sobre a mudança para Pomerode, Jenifer afirma que se sentiu acolhida na cidade. “Pomerode foi muito acolhedora, as pessoas foram ótimas e várias passaram a consumir nossos produtos. O recebimento do Gael na creche também foi muito carinhoso. Além disso, é uma cidade muito segura, que nos deixa mais tranquilos para criar um filho”, ressalta.

Por fim, a empreendedora destaca que o autoconhecimento é fundamental para a mulher antes da maternidade, especialmente quando já uma carreira profissional também envolvida.

“Para mim sempre foi importante cuidar de mim primeiro, para depois conseguir cuidar da minha família, do meu filho, inclusive com a alimentação. Primeiro precisamos de autoconhecimento, equilíbrio, além de buscar ter uma rede de apoio. Ser mãe foi um desafio bom, amadureci bastante, me trouxe uma visão mais ampla sobre tudo, até sobre o empreendimento, com desafios diários, até porque criar um ser humano é o maior desafio que podemos enfrentar”, frisa.

 

Figura materna em casa e para uma comunidade

Fornecer acolhimento em seu trabalho e também em sua atuação junto à comunidade, na Igreja do Evangelho Quadrangular de Pomerode, é o que faz de Eliane Vargas uma figura tão querida por quem a conhece.

Seu envolvimento mais direto com a igreja começou há cerca de 23 anos, quando conheceu o marido, Rafael. E, embora não conhecesse o Evangelho, Eliane afirma que sempre sentiu muita vontade de ajudar as pessoas.

“Quando me casei com o Rafael, compartilhei o sonho dele de fazer teologia. Fizemos o curso juntos, nos formamos e logo a Rayana, nossa filha, nasceu. Meu marido foi ordenado e eu fiquei com auxiliar. Ele se tornou líder de louvor, assumimos funções de líderes de jovens e sempre gostamos muito de ajudar outras pessoas”, comenta Eliane.
Depois, o casal assumiu uma congregação, no município de Indaial, até que, há cerca de nove anos, Rafael recebeu a proposta para ser pastor em Pomerode. “Havíamos acabado de fazer nossa casa em Indaial, e de início fiquei receosa, mas ele recebeu um sinal de Deus que era o nosso propósito vir para Pomerode assumir a posição de pastor na igreja. Começamos a coordenar a comunidade da Igreja aqui e, como nossa rotina começou a ficar muito puxada, deixamos os empregos que ainda mantínhamos, em Indaial. Passamos por um período de escassez, um tempo complicado, que passamos por provações e assim aprendemos a viver com a dependência de Deus. Fomos abençoados com muitas pessoas que foram boas conosco, que Deus colocou em nosso caminho. Assim aprendemos a viver pela Fé e entendemos o nosso propósito aqui em Pomerode”, conta.

Eliane também é massoterapeuta, apaixonada pela profissão. Ela destaca que, além de fazer o que ama, ajudando na saúde e no bem-estar da pessoa, trabalhar com a massoterapia também se transformou em uma nova forma de ajudar mais pessoas.

“É maravilhoso poder também continuar o meu trabalho, que eu amo, como massoterapeuta, até porque muitos dos meus clientes não frequentam a igreja, e aqui consigo ajudar quem precisa, com acolhimento, carinho. Ajudar as pessoas é algo que me faz muito bem, e é gratificante receber depois uma mensagem ou ligação agradecendo por eu ter feito o bem a esta pessoa. Eu me sinto maravilhada por ter a oportunidade de fazer tudo isso, ajudar, e busco estudar cada vez mais para saber como ajudar as pessoas. Eu realmente amo o que faço, poder ajudar as pessoas e sou realmente muito feliz desta forma”, enaltece.

Eliane se tornou uma figura materna não só para a família, como para a comunidade. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Paralelo ao trabalho, existe a função na Igreja, de acolher a quem precisar de ajuda. Para isso, Eliane afirma que está sempre disponível, atuando em prol da comunidade, a fim de auxiliar, quando necessário.

“Com nosso caminho mais difícil quando chegamos em Pomerode, aprendemos a amar ainda mais ao próximo e a zelar por ele, também. E como recebemos muita ajuda, sinto em meu coração a vontade de ajudar aos outros e oramos todos os dias para que Deus nos mostre quem precisa da nossa ajuda”, afirma Eliane.

Para a massoterapeuta e esposa do pastor da IEQ, o propósito neste caso é aconselhar e acolher, ajudando as pessoas a escolherem o seu próprio caminho.

“A parte mais desafiadora é se envolver no sentimento de pessoas, entrar na família, pois estamos lidando com seres humanos, cada um com seus sentimentos, sempre cuidando muito com tudo o que falamos, buscando ter sabedoria em cada conselho. Além disso, não dispensamos a ajuda psicológica em alguns casos, pois ajudamos na parte espiritual, mas a parte emocional é importante que haja o acompanhamento de um profissional, pois somente fará o bem. E claro, sempre preciso conciliar aos chamados da igreja, que preciso atender, assim como cumprir os meus compromissos enquanto mãe, esposa e filha. Mas é algo muito gratificante, que preenche meu coração e me traz alegria”, finaliza.

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