“Ficar se escondendo atrás de lockdown em cima de lockdown é falta de coragem”
Prefeito de Chapecó, João Rodrigues, faz um balanço das medidas adotadas para o combate à Covid-19, em sua cidade.
Ele ficou conhecido, nacionalmente, por conseguir controlar a pandemia da Covid-19, na cidade de Chapecó, em um espaço de tempo relativamente curto. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Pomerode, o prefeito João Rodrigues fala das ações tomadas durante o período crítico, avalia os governos do Brasil e de Santa Catarina e o que espera do futuro.
Jornal de Pomerode – Sua cidade é considerada a “Capital do Oeste” de SC. Quais são os números?
João Rodrigues – Chapecó tem, hoje, 224 mil habitantes, segundo estimativas do IBGE, mas acreditamos que chegue a 250 mil pelo crescimento da cidade. Somos um polo mundial do agronegócio e, somente nos dois primeiros dois meses, geramos 2,3 mil empregos. Aprovamos 660 mil metros quadrados licença de construção nos primeiros 100 dias de governo, o triplo do ano passado. Isso dá mais de R$ 1 bilhão em construções. Além disso, as agroindústrias estão investindo mais de R$ 1 bilhão. E a nossa administração anunciou R$ 50 milhões em obras e mais R$ 50 milhões em projetos.
JP – Desde o início, como o senhor lidou com essa pandemia?
JR – Com menos de um mês de mandato, “estouraram” os casos. Agora sabemos que tivemos três variantes da Covid, as cepas P1, P2 e N9, que são altamente transmissíveis. Ainda em janeiro, fui a Florianópolis conversar com o secretário de Estado da Saúde e pedi mais respiradores. O Estado foi muito prestativo e, juntamente com a direção do Hospital Regional do Oeste, ampliamos os leitos de enfermaria, de 26 para 55 e, de UTI, de 35 para 103. Além disso, ampliamos leitos na UPA, que chegou a ter 50 internados e, em poucos dias, abrimos 75 leitos de enfermaria e 20 leitos Tratamento Semi Intensivo (UTSI), no Centro de Eventos, que transformamos num hospital, com rede de oxigênio e tudo. Contratamos 150 profissionais de saúde no período. Com isso, conseguimos dar atendimento e salvar muitas vidas. Somente no Centro de Eventos, foram mais de 200 pessoas atendidas, com mais de 100 altas, mas de 80 transferências e, infelizmente, alguns óbitos. Aos poucos, zeramos a fila de enfermaria e UTI e, posteriormente, pudemos desativar o Centro Avançado de Atendimento Covid e emprestar equipamentos para outros municípios, via Secretaria de Estado da Saúde. Mas temos a estrutura pronta caso seja necessário reativar os leitos. Chegamos a fechar os serviços não essenciais por 14 dias, mas apenas para montar as estruturas. A agroindústria, por exemplo, seguiu funcionando. Ao mesmo tempo, abrimos um novo Ambulatório de Tratamento Imediato, chegamos a abrir todas as unidades de saúde para atendimento Covid em determinado período. Tivemos uma ação rápida e contamos com a solidariedade da comunidade, para montar as estruturas. As entidades empresariais arrecadaram cerca de R$ 3 milhões para que pudéssemos implantar as estruturas em tempo recorde.
JP – Do colapso total, com 5.500 casos ativos em março, a um controle total neste momento, com apenas 301 casos. Qual o segredo?
JR – Uma ação muito importante foi a testagem rápida. Adquirimos 40 mil testes rápidos. Com isso, um teste que demorava sete a oito dias para ter o resultado, passou a ser feito em 20 minutos. E também o tratamento imediato. Testou, positivou, tratou, isolou. Com isso, não deixamos circular quem tinha o vírus.
JP – Qual a quantidade de óbitos em Chapecó?
JR – Temos um número alto de óbito, de 583, pois chegamos a ter dias com 18, 14 óbitos, devido à agressividade das novas cepas. Mas nos últimos dias, tivemos vários dias sem óbito, outros com um, dois.
JP – Quais são as medidas de tratamento que o senhor oferece?
JR – Temos um ambulatório específico de Tratamento Imediato, com a medicação que é receitada pelos médicos, para tratar imediatamente os pacientes. Mas também é oferecido em outras unidades. Lembrando que não é o prefeito que dá a receita, é o médico.
JP – Estes medicamentos deram mesmo resultado?
JR – Os números estão aí para provar. De 5,5 mil casos ativos em 04 de março, para 301 em 26 de abril. De 20 óbitos por dia para zero, um, dois.
JP – Quais serão as ações futuras de combate à Covid-19?
JR – Criamos o Lockdown Inverso, que é intensificar a testagem, isolar e tratar os positivados. Temos 320 agentes de saúde que estão na busca ativa dos suspeitos do vírus e, também, no monitoramento dos positivados. Temos uma Central de Monitoramento, que acompanha os casos. A família inteira é isolada. Uma unidade móvel vai até a casa das pessoas caso alguém tenha os sintomas. Se alguém descumprir a quarentena, são acionadas a Guarda Municipal, Polícias Civil e Militar e Bombeiros. Neste caso a pessoa está sujeita a multa e a responder criminalmente. Também criamos Centro Especializado de Reabilitação Pós-Covid, para recuperar os pacientes que ficaram com alguma sequela da doença.
JP – Em um vídeo publicado na Redes Sociais o senhor falou que falta coragem de governantes, governadores e prefeitos, no combate ao coronavírus. Como o gestor público deve encarar a Covid-19?
JR – Entendo que ficar se escondendo atrás de lockdown em cima de lockdown é falta de coragem para enfrentar o problema. O gestor público precisa adotar outras medidas de combate ao vírus, como testagem, tratamento imediato e isolar os infectados.
JP – Como o senhor avalia as ações do Governo Federal?
JR – Avalio como um bom governo. O presidente Bolsonaro destinou bilhões para os estados e municípios combaterem a pandemia. Chapecó recebeu, no ano passado, R$ 75 milhões para a Covid e equilíbrio das contas. Não foi no meu mandato, mas eu agradeço o presidente, pois são recursos que vieram para a minha cidade. Também deu auxílio emergencial para as famílias e socorro para as empresas. Não concordo com tudo, mas o presidente estava certo em recomendar o tratamento precoce e em querer preservar não somente a saúde, mas também a economia. Além disso, em três anos de mandato, não teve caso de corrupção.
JP – Qual sua opinião sobre o Governo de Santa Catarina?
JR – Tenho muito respeito pela governadora Daniela Reinehr, mas o afastamento do governador Carlos Moisés da Silva foi injusto. A Polícia Federal investigou e o inocentou. Entendo que o governador deve retornar ao cargo.
JP – E o futuro, prefeito João?
JR – Sigo meu mandato de prefeito, trabalhando pelo povo da minha cidade. Quero ser o melhor prefeito da história de Chapecó. Depois, o futuro a Deus pertence.
