“Eternos Alpinos”: quando a tradição vira laço de amizade
Grupo de ex-integrantes do Alpino Germânico preserva os vínculos criados no folclore e se mantém unido por encontros mensais em Pomerode.
Foto: Eliane Cristina / JP
Em Pomerode, um grupo de amigos nasceu da dança e da cultura que compartilham. São os Eternos Alpinos: ex-integrantes do folclórico Alpino Germânico e mantém viva a amizade de homens e mulheres que, décadas depois de deixarem os palcos, continuam se encontrando todos os meses para celebrar as histórias e as amizades construídas ao longo do tempo.
Fundado em 29 de setembro de 1968, o Grupo Folclórico Alpino Germânico surgiu por iniciativa do austríaco Francisco Zmazek, com o objetivo de valorizar as tradições alpinas por meio da dança, da música e dos trajes típicos. Com o passar dos anos, o grupo tornou-se referência do folclore germânico em Santa Catarina, reunindo diferentes gerações que se dedicaram com disciplina e paixão.
A rotina era intensa: alguns integrantes chegaram a contabilizar 78 apresentações em um único ano, percorrendo estados brasileiros e até cidades do exterior. Entre os eventos mais marcantes estiveram celebrações importantes, como os 75 anos da Shell Brasil e os 60 anos do SESI, com apresentações em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Minas Gerais e Fortaleza.
Mais do que representar Pomerode, o grupo levou a cultura local para o mundo. “A Oktoberfest foi divulgada na Alemanha por meio do nosso trabalho”, lembra com orgulho um dos ex-integrantes.
Com o passar do tempo, a convivência e o reconhecimento do que viveram juntos motivaram a criação de um novo grupo informal. Em 2018, os encontros passaram a acontecer regularmente, reunindo parte dos antigos membros do Alpino Germânico. Nascia o grupo Eternos Alpinos.
Os encontros e a formação dos Eternos Alpinos
O grupo Eternos Alpinos nasceu em setembro de 2018, durante o baile que comemorou os 50 anos do Grupo Folclórico Alpino Germânico. Naquele encontro, todos os ex-integrantes foram convidados, e ali, entre abraços e sorrisos, a vontade de manter esse laço vivo ganhou força.
A primeira reunião formal ocorreu alguns meses depois, em fevereiro de 2019, na casa de uma das integrantes. Desde então, eles se reúnem mensalmente, exceto em janeiro e dezembro, quando festas e compromissos locais limitam os encontros. Eventualmente, há reuniões extraordinárias nesses meses, quando o desejo de estar junto fala mais alto.
Os encontros preferencialmente acontecem nas casas dos próprios membros, conforme uma agenda organizada coletivamente. Hoje, o grupo conta com 24 integrantes oficiais, todos ex-membros do Alpino Germânico ou ligados por amizade e laços familiares. Em cada reunião, há espaço para compartilhar refeições, relembrar histórias e registrar os momentos em atas manuscritas, acompanhadas de fotografias que capturam a essência desses encontros.
Além das reuniões mensais em Pomerode, o grupo organiza viagens para destinos variados. Já visitaram cidades do interior catarinense, praias do litoral, e até lugares mais distantes como Ilha do Mel (PR), Fortaleza (CE) e Manaus (AM). As viagens são momentos de celebração da amizade, algumas organizadas com ônibus fretado, e na companhia de familiares e convidados.
As despesas são divididas entre todos, exceto pelo anfitrião do mês, que oferece o espaço para o encontro. A organização é colaborativa, sem hierarquia, mas com algumas funções assumidas regularmente, como redação das atas, planejamento da agenda e cuidado com alimentação e bebidas.

Encontros do grupo são registrados em ata (Foto: Eliane Cristina / JP)
Durante a pandemia de Covid-19, os encontros foram interrompidos por um tempo. Com a flexibilização das medidas, voltaram a acontecer, inicialmente com restrições. Em pelo menos uma ocasião, os integrantes realizaram uma reunião simbólica usando máscaras, mostrando o compromisso e a vontade de estarem juntos apesar das dificuldades.
A participação de familiares também tem crescido. Filhos, genros, noras e netos muitas vezes acompanham os encontros, alguns deles com ligação direta à cultura germânica e ao próprio grupo. Para os integrantes, esses momentos reforçam o que foi vivido no passado e alimentam o desejo de passar adiante essa história.
Atualmente, os 24 integrantes oficiais dos Eternos Alpinos são: Marieta Rauh Zinnke, Edson Zinnke, Andreas Roland Zimmer, Jaqueline Koenig Zimmer, Tayná Zimmer, Vilmar Weber, Lia Harmel, Charles Adilson Storch, Tania Patricia Knopf Storch, Claudete Medianeira Vieira, Hans Valter Greuel, Sonia Denise Lindemann, Leticia Hein, Juarez Ariel Storch, Laudete Gaulke Storch, Juliana Kohls, Julio Cesar Stahelin, Denis Sell, Marcia Regina Eggert, Claudio Storch, Joel Ademar Kienen, Claudiene Pereira de Moura Figueiredo, Ruth Zeplin e Bruna Zeplin Glasenapp.
A amizade
Nos encontros e viagens, os Eternos Alpinos construíram mais do que um simples grupo: formaram uma verdadeira rede de amizade e apoio. Muitos dos membros descrevem o grupo como uma “segunda família”, onde reencontros são oportunidades para compartilhar memórias, celebrar conquistas e oferecer suporte nos momentos difíceis.
Em várias ocasiões, o grupo se mobilizou para apoiar integrantes que enfrentaram problemas de saúde, perdas ou desafios pessoais. A solidariedade é prática constante, com orações, visitas e uma presença que faz a diferença. “Quando alguém passa por um momento complicado, todos se unem. A amizade aqui se traduz em estar presente”, contou Andreas Roland Zimmer.

Foto: Eliane Cristina / JP
Além dos membros oficiais, os familiares também participam ativamente, tornando o grupo um espaço intergeracional que mantém viva a cultura e o espírito do Alpino Germânico. Ainda que nem todos os jovens garantam a continuidade da tradição, o interesse despertado é um sinal de que o legado resiste.
Quanto ao futuro, os integrantes sabem que a continuidade depende do empenho coletivo e das condições de cada um, mas há consenso sobre o valor do grupo e a vontade de seguir juntos enquanto for possível.
“O que começou como uma reunião pontual se tornou parte da vida de todos nós”, conclui Lia Harmel. No mês em que se celebra o Dia da Amizade, os Eternos Alpinos mostram, na prática, que laços construídos pelo tempo e pelo afeto resistem e se fortalecem.