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Entre tradições e afeto: o casamento de Carol e Junior celebra o amor à moda antiga — com alma pomerodense

Unidos por valores semelhantes, principalmente o apreço pelas tradições familiares e pela vida simples do interior, os dois construíram uma relação pautada em respeito mútuo

26 de julho de 2025

Foto: Tiago Schumacher | @tiagofoto_

Em tempos em que muitos casamentos seguem tendências momentâneas e roteiros prontos, Caroline Kleemann Borsatti Schumacher e Claudio Roberto Schumacher Junior escolheram trilhar um caminho diferente: olharam para o passado para construir o presente. O resultado foi uma cerimônia emocionante e repleta de simbolismo, realizada no coração de Pomerode, onde cada detalhe falou de amor, de fé e de raízes profundas.

O casal está junto há mais de oito anos. A história começou em Ivoti, no Rio Grande do Sul, onde ambos ingressaram na faculdade. Ela, movida pelo desejo de se tornar professora de música e aprender violino — instrumento que o avô materno tocava com maestria. Ele, com a missão de estudar Letras Alemão, inspirado pela trajetória do trisavô Albert Rahn, fundador de escolas na antiga Colônia Blumenau e defensor incansável da preservação linguística e cultural dos imigrantes alemães.

Essa escolha de formação não foi por acaso. A busca de Carol e Junior por suas vocações era, já naquele momento, também uma busca por pertencimento, por identidade. E talvez por isso a conexão entre os dois tenha sido tão natural. Unidos por valores semelhantes, principalmente o apreço pelas tradições familiares e pela vida simples do interior, os dois construíram uma relação pautada em respeito mútuo e admiração pelas histórias que vieram antes deles.

Foto: Tiago Schumacher | @tiagofoto_

Uma história de amor enraizada no solo de Rio Cerro

Hoje, aos 25 e 26 anos, respectivamente, Carol, nascida em Ipira, meio oeste catarinense, e Junior, nascido em Jaraguá do Sul, moram no bairro Rio Cerro II – cidade natal do noivo. Um local que, como o próprio casal, carrega em si a memória dos colonos que, a partir de 1880, vindos do distrito de Rio do Testo, começaram a lavrar a terra e construir suas vidas. Os dois reconhecem na história de suas famílias — marcada pelo esforço dos imigrantes — uma fonte de valores que moldou sua visão de mundo e de casamento.

Cerimônia com alma e significado

Não foi difícil, portanto, decidir que a cerimônia de casamento seguiria os passos da tradição. Para Carol e Junior, resgatar aspectos da cultura germânica não era apenas uma homenagem: era uma forma de dar continuidade àquilo que os uniu desde o começo.

A escolha da igreja também refletiu esse cuidado. A cerimônia aconteceu na Igreja Enxaimel do Mundo Antigo, uma construção simbólica, com estrutura tradicional alemã e proposta ecumênica — o que permitiu acolher tanto a família luterana do noivo quanto a majoritariamente católica da noiva. A arquitetura enxaimel, conhecida por sua adaptabilidade e por poder ser desmontada e remontada em busca de terras mais férteis, representava para os imigrantes o espírito de esperança. Para Carol e Junior, simbolizou o desejo de construir juntos uma vida sólida, mas flexível — capaz de se adaptar aos novos tempos, sem esquecer suas origens.

Foto: Tiago Schumacher | @tiagofoto_

Tradição em cada gesto

A noiva chegou à igreja de charrete — ou Kutsche, como se diz em alemão —, tradição comum entre os colonos mais abastados. O noivo, por sua vez, vestia trajes típicos do sul da Alemanha, assim como a noiva, em referência às origens das famílias Kleemann e Schumacher, vindas de Ramstein-Miesenbach e Kirrlach, respectivamente.

Durante o ritual, foi utilizada uma Erinnerungskiste — uma “caixa da memória” ou “última caixa de amor” —, na qual foram depositados votos escritos pelos noivos, destinados a serem lidos somente após a despedida eterna de um deles. O que chamou atenção, todavia, foi o cuidado com os pequenos detalhes: as cartas de amor foram depositadas junto a uma Edelweiss natural, flor dos Alpes austríacos que simboliza amor eterno e coragem. Uma escolha que reforçou a intenção de fazer da cerimônia algo além do estético — algo com alma. A música, por sua vez, ficou a cargo de uma Blaskapelle de São Bento do Sul, que interpretou músicas da Neue Deutsche Volksmusik, com destaque para Herbert Pixner e Max Joseph, dois compositores muito presentes na história do casal.

Celebrar com alegria, como os antigos

Depois da cerimônia, o clima de tradição seguiu na recepção. O brinde foi feito com Bierkrüge — canecos personalizados de chope — e o buffet, comandado pelo restaurante da Pousada Mundo Antigo, foi inteiramente temático, com o melhor da culinária alemã. Em um dos momentos mais divertidos da festa, os convidados participaram de um torneio de Vogelstechen — uma antiga brincadeira de pássaro ao alvo. Os vencedores recebiam uma garrafinha de hidromel, bebida que simbolizava, entre os povos germânicos, a união e a fertilidade.

Tudo foi pensado com muito carinho, mas sem ostentação. O mais importante, para os noivos, era que os convidados se sentissem parte da celebração. E foi exatamente isso que aconteceu. “A bênção do pastor Adelsir Sturzbecher, amigo pessoal do noivo, foi um dos momentos mais emocionantes. Ele nos retratou com palavras profundas, cheias de significado, inclusive com algumas passagens em língua alemã”, conta o noivo. A festa seguiu até as 3h da manhã, com música, dança, e muitos abraços apertados.

Gratidão a quem ajudou a tornar o sonho possível

O casal fez questão de agradecer a todos que contribuíram para a realização desse momento. O fotógrafo Thiago Schumacher foi responsável pelos registros fotográficos, enquanto a equipe da PLP Vídeo cuidou da filmagem. A transmissão em tempo real foi feita pela História Viva Storymaker, e a música ficou por conta da Sonatas Blasmusik. Já a cerimonialista Juliana Knipers foi, segundo os noivos, “um anjo com planilhas”, que acompanhou cada detalhe do início ao fim. Por fim, destaca-se o trabalho do

Eva Atelier, responsável pela confecção do Hochzeitsdirndl utilizado por Carol. Inspirado em moldes originais dos trajes tradicionais de casamento da Alemanha, o vestido foi desenvolvido especialmente para a ocasião. Mesmo sem experiência prévia com esse tipo específico de indumentária, o ateliê aceitou o desafio com profissionalismo e sensibilidade, entregando uma peça fiel às tradições, que uniu história, estética e significado cultural em cada detalhe.

Um agradecimento especial vai para a equipe da Pousada Rural Mundo Antigo, que nos acolheu com tanto apreço e cuidado em cada fase do processo. Foi muito mais do que uma recepção — foi um gesto de carinho ao nosso sonho.

“E, claro, agradecemos especialmente às nossas famílias, que viajaram, em parte, de muito longe para juntar-se a nós nesse momento de celebração e que nos apoiaram moral e financeiramente em todas as etapas. Sem elas, talvez tudo isso não teria sido possível”, relata a noiva.

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