Entre reis e peões: o xadrez como elo entre pai e filhos em Pomerode
O professor de Xadrez Heidy Almeida divide com os filhos, Miguel, Theo e Caio a paixão pela modalidade
Foto: Arquivo Pessoal
O professor Heidy Almeida, do xadrez de Pomerode, compartilha com os filhos Miguel Lohan, Theo Henrique e Caio Lucca um legado que vai além do jogo: o xadrez como ferramenta de educação, disciplina e união familiar.
A relação de Heidy com o xadrez começou quando ele tinha apenas 10 anos, por meio de um projeto social no Colégio Wilhelm Theodor Schurmann, em Blumenau. Havia os projetos dos Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (CAIC), e no CAIC da Itoupava Central foi onde Heidy começou, em um projeto social, conduzido pela pela mestre internacional Regina Ribeiro.
Heidy encontrou no tabuleiro não só um passatempo, mas uma paixão que norteou sua trajetória. “Sou fruto de um projeto social. Saí do colégio público e, na época, eu e meus irmãos treinávamos cerca de três vezes por semana. Estudávamos de manhã, ganhávamos o almoço e depois era o treino. Ali eu comecei e logo entrei na equipe de base de Blumenau, joguei Olesc, Joguinhos e até dei aula cedo, com 15, 16 anos, junto a outro projeto”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal
Enquanto estava na faculdade de Educação Física, foi convidado a participar da iniciação esportiva da modalidade do Xadrez de Blumenau, onde permaneceu por algum tempo, ajudando no desenvolvimento da base na cidade. Na segunda metade da década de 2000, fez parte de um projeto junto à APP na Escola Olavo Bilac.
Ao longo dos anos, Heidy passou de aluno a multiplicador. Estudou, formou-se, prestou concurso e escolheu Pomerode como cidade para seguir desenvolvendo o esporte. Desde então, coordena um projeto de xadrez mantido pela Prefeitura, com apoio das Secretarias de Educação e Esportes, atendendo gratuitamente cerca de 50 crianças do município. O foco atual está nas competições de rendimento, sem deixar de lado a função pedagógica e social do xadrez.
Heidy também atua no Colégio Sinodal Doutor Blumenau, com o qual existe uma parceria para o uso da sala de xadrez, parte do equipamento e do material para que seja trabalhada a modalidade com alunos do município. O professor menciona, também, todo apoio que recebe também da escola da diretora Karin Hoeft, assim como Prefeitura Municipal por intermédio da SEFE e SEEL.
“Uma das primeiras coisas que eu ouço dos pais, quando divulgamos a modalidade, é qual o custo da participação no projeto e destaco que é tudo gratuito, algo que me deixa muito feliz, por ter iniciado em um projeto social”, destaca.
Mas sua sala de aula vai além do espaço público: ela também está em casa. Seus filhos mais velhos, Caio Lucca, 11 anos, e Theo Henrique, começaram a praticar ainda pequenos e acompanhando o pai em torneios e treinos. Caio, por exemplo, integra a equipe da Olesc há três anos e frequentemente participa de campeonatos estaduais. O mais novo, Miguel Lohan, com apenas quatro anos, já sabe movimentar peões e cavalos. Inclusive, ele chegou a disputar uma etapa do campeonato estadual na categoria Sub 06.
“Foi tudo muito natural. Eles sempre estiveram juntos nesse ambiente. Nunca forcei, mas a convivência despertou o interesse deles, além da parte esportiva como um todo, como o Tênis de Mesa, o Futsal. O Caio já está no time da Olesc, irá pelo terceiro ano em 2025 e, inclusive, pede para participar de alguns torneios. Tudo vai partindo dele e dos irmãos”, destaca.
Para Heidy, a rotina esportiva em família não apenas aproxima, mas também viabiliza sua atuação profissional. “É uma realidade que muitos colegas enfrentam: se dedicar ao esporte de rendimento exige muito tempo, viagens, finais de semana ocupados. Quando os filhos participam junto, isso se torna uma forma de estar presente com eles e ainda cumprir meu trabalho.”
Além disso, a vivência em equipe, os aprendizados de vitória e derrota, e as experiências de viagem a outros municípios fazem parte da formação dos filhos dentro e fora do tabuleiro. “É uma oportunidade de vida para eles. E como pai, posso oferecer tudo isso sem custo algum, com estrutura, material, acompanhamento técnico. O mais difícil no xadrez é justamente o acesso a bons profissionais.”
Hoje, o projeto municipal de xadrez de Pomerode, que já chegou a atender 200 crianças, foca em qualidade e formação de atletas para competições como a Olesc, Joguinhos e até campeonatos brasileiros. Heidy vê com otimismo o futuro do esporte na cidade, e mais ainda, o crescimento dos próprios filhos dentro dessa trajetória.
“Se algum deles resolver levar o xadrez a sério, treinar pesado, terá tudo o que precisa. Mas se não quiserem, tudo bem também. O importante é que isso seja algo que os faça felizes — como é para mim até hoje.”
No fim das contas, entre aberturas e xeques-mates, o verdadeiro jogo que Heidy ensina é sobre valores, oportunidades e vínculos que resistem ao tempo — como as melhores partidas, aquelas que ficam para sempre na memória.