Entre passos e latidos: o vínculo inquebrável entre Laudelino e Lion
A amizade entre o tutor e seu cão, que chamou a atenção pela rotina diária de caminhadas, faça chuva ou faça sol
Foto: Isadora Brehmer / JP
Uma amizade que vem desde a época da pandemia. Laudelino Paixão Dias, morador de Pomerode, encontrou no cão da família, chamado Lion Fire — mais do que um animal de estimação, mas um companheiro de vida no dia a dia.
A história da família Dias com o Lion começa em 2020, em plena pandemia, quando Eliana Goretes, filha de Laudelino, propôs adotar um cãozinho de uma ninhada anunciada por conhecidos na região do bairro Ribeirão Areia.
“Eu vi o vídeo e as fotos, e mesmo quando disseram para não escolher aquele ali porque era doentinho, eu disse: ‘É esse que eu quero’”, relembra Eliana, com a certeza de quem faz escolhas com o coração. Lion, o nono filhote de uma ninhada numerosa, era frágil, sofreu no início, com marcas de mordidas na cabeça.
“Chegaram a nos dizer que ele não ia sobreviver. Mas o Lion veio para somar em nossa família, e está aqui até hoje”, completa ela.

Foto: Isadora Brehmer / JP
O cãozinho, uma mistura de dálmata com pastor alemão, chegou pesando pouco mais de 700 gramas. Laudelino recorda como ele era pequeno e de aparência frágil. “Ele cabia com folga em nossa mão, sobrava espaço dos dedos. Mas com cuidado, carinho e amor, ele cresceu bem e hoje é o nosso companheiro diário”, conta o aposentado.
Desde então, os dois se tornaram inseparáveis. Se antes Laudelino sofria com dores nas pernas e vivia mais recluso após a aposentadoria, hoje seus dias começam com Lion batendo na porta, chamando para a caminhada. “Faça chuva ou faça sol, ele tá ali me chamando. Todo dia cedo ele incomoda, quer sair. E eu vou (risos). Sempre acordo cedo e logo quando ele escuta, já começar a ‘chamar’, pois sabe que é a hora do passeio”, comenta
“O Lion leva o pai para caminhar e o pai leva o Lion. Ele acabou com as dores nas pernas do pai”, brinca Eliana. E é verdade. “Eu parei de trabalhar faz uns três anos, então estava meio devagar. Aí veio o Lion, e agora eu ando todo dia. Vendi até o carro. Então agora ando a pé, e ele vai junto, sempre”, conta seu Laudelino.
As caminhadas seguem um trajeto familiar. “Tem dia que a gente vai até a creche, tem dia que volta mais cedo. Ele que decide. Se eu mudo de lado da rua, ele já sabe que é para voltar”, relata o idoso, orgulhoso da inteligência do companheiro.
Mas Lion não é só energia e disciplina. É também lealdade. “Pode amarrar ele aqui e sair, ele fica quieto, não late. Mas se chegar gente estranha em casa, ele avisa. Companheiro mesmo”, garante Laudelino.
A casa da família guarda também os registros dessa jornada: “A gente tem até um diário dele. Vacinação, alimentação, tudo. Porque, como eu digo, não adianta ter se for pra não cuidar direito. O bichinho tem o lugar dele, o espaço dele. A gente cuida direitinho”, enfatiza Eliana.
Lion, nascido em 05 de março de 2020 e adotado em 18 de abril do mesmo ano, é chamado por todos de “cachorro da pandemia”. Mas mais do que um símbolo de um tempo difícil, ele é prova viva de resiliência, vínculo e transformação.
“Para nós, ele representa, como se diz, um companheirão mesmo. A gente sai com ele, vai para lá, vai para cá. Todo mundo o conhece. Ele é parte da família”, conclui seu Laudelino.