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Entre o volante e o coração: irmãs transformam maternidade em força dentro e fora da empresa

Entre desafios, conquistas e afeto, irmãs mostram como a maternidade molda suas vidas dentro e fora do trabalho

10 de maio de 2026

Foto: Arquivo pessoal

Neste Dia das Mães, histórias reais ganham ainda mais significado quando revelam a força, a sensibilidade e a capacidade de reinvenção que fazem parte da maternidade. Em Pomerode, as irmãs Maria Aparecida Alves da Costa e Síntique Alves da Costa carregam no dia a dia não apenas a responsabilidade de conduzir a Helena Transportes Executivos, mas também o compromisso mais importante de suas vidas: serem mães.

Entre rotinas intensas, desafios e conquistas, elas mostram que a maternidade vai muito além do lar, ela se reflete no trabalho, nas relações e na forma de enxergar o mundo.

Maternidade que chegou cedo e foi construída com coragem

Mãe há 11 anos, Síntique carrega na própria história a intensidade de uma maternidade que começou cedo. Aos 18 anos, viveu a experiência da primeira gestação de forma desafiadora, marcada por sentimentos que nem sempre correspondem ao idealizado.

Foto: Arquivo pessoal

Apesar disso, o sonho de ser mãe sempre esteve presente. A chegada das filhas, representou a realização de um desejo profundo, ainda que acompanhado de aprendizados difíceis.

“Eu sempre sonhei em ser mãe, sempre quis muito ter uma menina, e quando ela veio, foi como se Deus tivesse ouvido minhas orações. Mas ao mesmo tempo, eu não estava preparada. Eu era muito nova, tive minha primeira filha com 18 anos e sofri bastante na primeira gestação. Foi um período de muita adaptação, de entender o que estava acontecendo comigo e de aprender, na prática, o que é ser mãe.”

Hoje, mãe de duas filhas, Síntique construiu uma relação de carinho e parceria com as filhas, mesmo com os desafios naturais da convivência e das diferenças de idade.

“Nós nos damos super bem, claro que como toda família existem momentos de conflito, principalmente por conta da diferença de idade, mas no geral temos uma relação muito boa. É uma troca constante, de aprendizado, de cuidado, de amor. Cada fase delas exige algo diferente de mim, e isso também me faz crescer como mãe.”

A rotina exige organização e, principalmente, apoio. Com a filha mais velha morando com a avó, Síntique consegue conciliar melhor o trabalho com os cuidados com a filha mais nova e reconhece a importância dessa rede de suporte.

“Eu consigo conciliar bem porque tenho apoio, principalmente da minha mãe, que sempre está ali para ajudar. Isso faz toda a diferença. A maternidade não é algo que não conseguimos dar conta sozinha, principalmente quando se trabalha. Ter alguém para apoiar, para dividir responsabilidades, torna tudo mais leve.”

Dentro da empresa, ela também assume um papel ativo, inclusive como motorista, uma função que ainda carrega estigmas, mas que, para ela, é desempenhada com naturalidade.

“Eu dirijo, trabalho dirigindo e, para mim, é algo tranquilo. A gente acaba mostrando, no dia a dia, que mulher pode estar onde quiser, inclusive em funções que antes eram vistas como masculinas. E levar isso junto com a maternidade é ainda mais significativo.”

Maternidade planejada e vivida com intensidade

Se a maternidade de Síntique chegou cedo e de forma desafiadora, a de Maria Aparecida foi construída com planejamento, espera e muito desejo. Mãe de Helena, de sete anos, que dá nome à empresa, ela vive uma relação profundamente conectada com a filha.

“A Helena foi muito planejada, muito desejada. Eu demorei bastante para ser mãe, então quando ela veio, veio no momento certo, como uma bênção. Acho que isso fortaleceu ainda mais a nossa ligação, porque foi algo muito esperado, muito sonhado. Hoje, eu não me vejo tendo outro filho, porque sei da dedicação que é necessária e da correria do nosso dia a dia.”

A maternidade, para ela, é um exercício constante de equilíbrio. Dividir-se entre a gestão da empresa e a presença ativa na vida da filha é um desafio diário, mas também uma fonte de força.

“Nós precisamos nos dividir em mil todos os dias. É trabalho, é família, é atenção, é cuidado. A maternidade exige isso de nós. Não tem como separar uma coisa da outra. E, ao mesmo tempo, essa experiência transborda. Ela não fica só dentro de casa, ela vai para o trabalho, para as relações, para a forma como a gente trata as pessoas.”

Essa percepção se reflete diretamente na forma como a empresa é conduzida. Para Maria Aparecida, a maternidade também é sinônimo de cuidado, algo que se traduz no atendimento aos clientes.

“A maternidade traz esse olhar mais sensível, mais cuidadoso. Acabamos sendo um pouco mãe de todos que estão ao nosso redor. Isso se reflete no nosso trabalho, no acolhimento, na proteção, na forma como nós cuidamos dos clientes. Não é só prestar um serviço, é cuidar de pessoas.”

Foto: Arquivo pessoal

Mesmo com os desafios, ela destaca a capacidade que a maternidade desperta nas mulheres: a de se reinventar constantemente.

“Ser mãe é transformar o amor em ação todos os dias. É difícil, é cansativo, mas ao mesmo tempo encontramosforças de onde nem sabia que tínhamos. A gente se reinventa, aprende, cresce. E percebe que é capaz de muito mais do que imaginava, tanto na vida pessoal quanto profissional.”

A descoberta da gravidez, depois de tanto planejamento, também foi marcante pela forma como aconteceu.

“Quando eu decidi que queria engravidar, foi algo muito claro para mim. Eu pensei: ‘é agora’. E foi imediato. Quando fiz o teste, já estava grávida. Foi uma bênção, algo muito rápido, muito especial. E toda a gestação foi tranquila, trabalhei praticamente até o final. Foi um período leve, muito positivo.”

Uma herança de força: o exemplo da mãe que inspira gerações

Se hoje Maria Aparecida e Síntique são referências de força e dedicação, muito disso vem de um exemplo que carrega o nome de Vera, a mãe das duas.

Após perder o marido cedo, Vera criou sozinha os três filhos, enfrentando dificuldades e construindo, com esforço, a base que hoje sustenta a família.

“A nossa maior inspiração é a nossa mãe. Ela criou a gente praticamente sozinha, depois que o nosso pai faleceu. Foram anos de muito trabalho, muita luta, mas ela nunca desistiu. Sempre esteve presente, sempre fez o melhor que podia. E até hoje ela é a nossa base, a nossa rede de apoio. Tudo o que a gente é hoje tem muito dela.”

Maternidade que move vidas

Entre desafios e conquistas, as histórias de Síntique e Maria Aparecida mostram que a maternidade não é um caminho único, mas sim uma construção diária, feita de escolhas, renúncias, aprendizados e, acima de tudo, amor.

Seja no volante, na gestão de uma empresa ou nos cuidados com os filhos, elas representam milhares de mulheres que, todos os dias, transformam suas realidades com coragem e dedicação.

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