Entre fatos e fantasias
Sempre presente em sua vida, a escrita é mais que uma
profissão, é a paixão da escritora Urda Alice Klueger
Desde jovem, a leitura e a escrita fizeram parte da vida de Urda Alice Klueger. E hoje, aos 64 anos, a escritora acumula diversos trabalhos e experiências. Em entrevista ao Jornal de Pomerode, Urda conta um pouco de sua história e de suas influências na literatura. “Nas minhas mais antigas lembranças, antes dos quatro anos, eu já era uma criança que vivia a imaginar histórias. Era aquela criança que preferia brincar sozinha para poder imaginar com mais liberdade. O interessante é que aquelas histórias já tinham a característica do romance, continuando a cada dia com um novo episódio, durante muito, muito tempo. No momento em que fui alfabetizada, eu comecei a escrever as histórias que imaginava. Portanto, não há um início ou uma motivação inicial. Eu diria que já nasci escritora”.
Urda revela que tem várias influências em sua escrita, desde escritores brasileiros, aos estrangeiros. “Tenho muitas influências, muitíssimas! Tanto da vida, da natureza, quanto dos livros que li. Há uma mescla de tudo. Dos autores que li, hoje eu tenho a consciência que o que mais me influenciou foi um escritor norueguês chamado Knut Hamsun. Dos brasileiros, eu citaria Jorge Amado, Érico Veríssimo e José Mauro de Vasconcelos. Com Jorge Amado, inclusive, eu tive o privilégio de conviver um pouco”.
Atualmente, a escritora acumula diversos títulos, que vão de crônicas à romances pré-históricos. “Tenho 24 livros publicados, umas 700 crônicas, mais artigos científicos, monografias, etc. Eu me classifico, no entanto, como romancista histórica (tenho até um romance pré-histórico, sobre o passado de Santa Catarina) e cronista. A crônica chegou na minha vida mais tardiamente, quando recebo um primeiro convite para escrever para um jornal, creio que há uns 20 anos atrás, e se tornou uma coisa maravilhosa para mim”.
Urda diz que considera seus próximos trabalhos os mais especiais, já que dedica um grande esforço para eles. “Sempre considero mais especial o próximo livro. No momento, tenho quatro em andamento, sendo que dois deles dependem de profundas pesquisas. Um será um romance geológico, que fala sobre o sul do continente americano, local em que vivemos, com uma abrangência muito grande de tempo, começando muito antes do surgimento do ser humano sobre a face da terra – claro que em algum momento o ser humano passará a estar presente no mesmo”. “A leitura é fundamental para quase tudo na vida. Uma pessoa que não lê, vive como num quarto fechado, sem janelas, e tem grande dificuldade para entender as coisas mais básicas. Fica quase que uma pessoa no mundo do instinto. Com a leitura, a gente pode viajar para qualquer tempo, qualquer lugar, qualquer acontecimento, aprende-se a fazer ligações teóricas. Ler é como uma primavera da vida, onde todas as flores desabrocham”, completa.
Sobre seu futuro, Urda finaliza dizendo que, quanto mais tempo viver, melhor, pois acredita que ainda tem muito a escrever. “Penso que, para realizar todos os sonhos e escrever todas as coisas que estão dentro de mim, teria que viver uns 800 anos”.