Entre botas, chapéus e acordes de gaita: o jovem pomerodense que mantém viva a tradição
Enquanto muitos jovens seguem tendências modernas, um morador de Pomerode encontrou nos costumes antigos sua forma de expressão e identidade
Foto: Tamara Kanies / Jornal de Pomerode
Em uma época marcada pela rapidez das redes sociais e pelas tendências que mudam a todo momento, o jovem pomerodense Gabriel Antônio Rosa, de 14 anos, segue um caminho diferente. Apaixonado por botas, chapéus, músicas sertanejas clássicas e instrumentos tradicionais, ele chama a atenção por onde passa, mas não por buscar destaque. Seu estilo é resultado de uma admiração genuína pelos costumes antigos e pelas histórias que atravessam gerações.
A relação com esse universo começou ainda na infância. Até hoje, ele guarda a primeira bota e a primeira gaita que ganhou do pai, Marcelo Rosa. O primeiro chapéu, um modelo de palha, também foi presente dele. Mais do que objetos, essas lembranças representam o início de uma paixão que se fortaleceu com o passar dos anos.

Foto: Arquivo pessoal
Atualmente, possui dois chapéus e dois pares de botas, acessórios que se tornaram sua marca registrada. A inspiração veio de dentro de casa. Segundo ele, a mãe, Alessandra Valin Rosa, sempre gostou de usar botas nesse estilo, mas foi o cantor José Rico, da dupla Milionário & José Rico, quem despertou de vez sua admiração por esse visual.
Além da vestimenta, a música ocupa um espaço especial em sua vida. O jovem toca gaita e começou a aprender com o professor Jonas Mosh, com apenas 8 anos. Hoje, continua aperfeiçoando a técnica sob orientação do professor Nilson Souza. Sua trajetória musical também foi inspirada pelo irmão, Fillipy Marcelo Rosa, de 19 anos, e pelo avô materno, Silvio Valin, que despertaram ainda mais seu interesse pelo instrumento e pela música tradicional. Entre as canções que mais gosta de tocar está “60 Dias Apaixonado”, música que possui um significado afetivo.
Durante 11 anos consecutivos, sua família viajou para Mato Grosso, e a letra da canção traz lembranças dessas experiências.
O gosto pelos costumes antigos também se reflete nos objetos que preserva. Entre eles, o mais especial é um antigo acordeon que pertence ao pai. O instrumento foi comprado com a intenção de aprender a tocar, mas o projeto acabou não saindo do papel. Hoje, a peça carrega uma história familiar que vai além da música.

Foto: Arquivo pessoal
Questionado sobre o que os jovens podem aprender com os costumes de antigamente, ele acredita que existe muito valor nas tradições. Para ele, conhecer a história das gerações anteriores e aprender a cantar ou tocar instrumentos que marcaram outras épocas são formas de manter viva uma importante herança cultural.
Apesar de seu estilo diferenciado, ele afirma nunca ter se preocupado com julgamentos. “Nunca me importei com a opinião dos outros”, resume. Quando começou a aparecer de bota e chapéu, os amigos reagiram de forma positiva. Muitos disseram que ele estava muito bem e até comentaram que quase não o reconheceram. Hoje, a reação é de naturalidade, já que todos se acostumaram com sua personalidade autêntica.

Foto: Arquivo pessoal
E se existe algo que nunca pode faltar quando sai de casa, é o fone de ouvido. Através dele, acompanha as músicas que mais gosta, especialmente os clássicos de Milionário & José Rico e Zezé Di Camargo & Luciano.
Para outros jovens que têm gostos diferentes e receiam demonstrá-los, ele deixa uma mensagem simples, mas carregada de significado: “Mostrem o seu estilo, mas apenas se for um estilo benéfico para todos em geral”.
Em tempos em que muitos buscam se encaixar em padrões, histórias como a dele mostram que a autenticidade continua sendo uma das formas mais bonitas de preservar tradições, valorizar a cultura e manter viva a própria identidade.