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Entre a memória e o movimento: Ester Lange, a rainha que carrega Pomerode no sorriso

Ester foi eleita durante o Dia da Melhor Idade

7 de março de 2026

Foto: Leonardo Reginato

Eleita em meio à música, aos aplausos e à celebração do Dia da Melhor Idade na Festa Pomerana, Ester Lange não subiu ao palco imaginando que sairia de lá coroada. A noite da terça-feira, 20 de janeiro, entrou para a história da festa, e para a vida dela, como um daqueles momentos em que o destino parece cochichar ao ouvido, surpreendendo até quem já conhece bem os caminhos da alegria. Ao ter seu nome anunciado como Rainha da Terceira Idade, Ester viveu um misto de euforia, emoção e gratidão que ainda ecoa nos dias seguintes.

Recebida com carinho no estúdio do Jornal de Pomerode, a recém-eleita rainha fez questão de dividir a conquista com a cidade que ama e onde nasceu e cresceu. Antes mesmo de falar de si, parabenizou Pomerode pelos seus 67 anos, como quem reconhece que sua história pessoal está profundamente entrelaçada com a história do município.

A eleição, realizada durante o Dia da Melhor Idade da Festa Pomerana, começou sem grandes pretensões. Ester não havia chegado ao evento com a intenção de disputar o título. Pelo contrário: estava ali para torcer, apoiar as amigas e compartilhar o nervosismo coletivo típico de concursos assim. Até que, pouco a pouco, as peças começaram a se encaixar.

“Foi uma surpresa, uma surpresa mesmo. Eu não vim com a intenção de me candidatar. Eu estava lá torcendo, dando apoio para as amigas que estavam nervosas. Mas aí, quando falaram que era do grupo Sorriso, que fazia esportes, corrida de rua, eu pensei: ‘epa, essa sou eu’. Nossa, eu fiquei muito feliz, fiquei sem palavras. Estava eufórica mesmo. É muito gratificante ver o carinho das pessoas para com você.”

O carinho, aliás, é uma marca registrada de Ester. Conhecida por muitos antes mesmo da faixa e da coroa, ela já circulava com naturalidade entre abraços, fotos e cumprimentos, inclusive nas redes sociais. Amigos brincaram que, se já era “famosa”, agora ficaria ainda mais. Mas a visibilidade, para ela, vem acompanhada de um sentimento mais profundo: o reconhecimento de uma trajetória construída com simpatia, energia e presença constante na vida comunitária.

Entre tantas mensagens recebidas após a eleição, uma emoção especial tomou conta da rainha ao lembrar da mãe, inspiração direta para o passo dado no concurso. Ao falar dela, a voz embarga, e a memória ganha contornos quase palpáveis.

“A minha mãe já é falecida, mas deixa boas lembranças. O meu carisma, a minha simpatia, tudo eu aprendi com ela. Eu sou igual a ela. Recebi mensagens dizendo: ‘Esther, eu vi a sua mãe lá desfilando, eu vi a sua mãe abanando e cumprimentando todo mundo’. Ela gostava de participar de tudo, todas as festas, todos os bailes, todos os passeios que a terceira idade fazia. Ela se candidatou duas vezes, foi eleita rainha uma vez e princesa na outra. Ela não perdia uma oportunidade.”

A lembrança da mãe veio à tona de forma espontânea no momento da vitória. Como se, naquele instante, o passado e o presente se encontrassem sob as luzes do palco. O sentimento foi reforçado por uma mensagem do irmão mais velho, que resumiu em poucas palavras o orgulho da família.

“Ele me escreveu dizendo que eu estava seguindo os passos da mãe e que dei muito orgulho para ela, que deveria estar muito feliz. É muita felicidade, é muito orgulho falar da minha mãe. Uma pessoa incrível, humilde, maravilhosa como mãe, como pessoa, como tudo.”

Se a herança emocional veio de casa, o empurrão final para se candidatar partiu de quem nem a conhecia. Pessoas estranhas, que a viam chegar, sorrir, conversar, logo começaram a incentivá-la. Fotos, elogios e palavras de apoio foram suficientes para que Ester aceitasse o desafio — ainda que sem qualquer expectativa de vitória.

“O pessoal dizia: ‘Você tem que se candidatar’. Eu perguntava por quê. ‘Porque você é linda, é maravilhosa’. Aí eu pensei: tá, então eu vou. Mas jamais achei que fosse ganhar. Foi uma surpresa e tanto. Fiquei muito emocionada. Até cair a ficha demorou, demorou mesmo.”

Já como rainha, o primeiro desfile oficial aconteceu na Rua XV de Novembro, em frente à loja Waltmann, sob aplausos calorosos do público. Para Ester, foi a confirmação de que o novo papel vinha carregado de alegria e responsabilidade.

Representar Pomerode, para ela, é mais do que ostentar uma faixa: é carregar a essência de uma cidade que ama profundamente.

“Pra mim é uma honra. Eu amo Pomerode, sou nascida e criada aqui. É um orgulho representar a cidade, levar o meu carisma, a minha simpatia, o meu carinho para outros municípios, para outras pessoas. Incentivar elas a virem conhecer a nossa cidade, a participarem da melhor idade, porque é muito legal. Eu estou adorando.”

E, se depender de sua disposição, o reinado não será um ponto final. Ester já avisa, com um sorriso confiante, que pretende se candidatar novamente sempre que houver oportunidade.

A energia que transborda na passarela também se manifesta no esporte, uma das grandes paixões da rainha da terceira idade. O vôlei acompanha Ester desde os tempos de escola e segue firme até hoje, passando por diferentes fases e categorias. Ela jogou profissionalmente, integrou equipes da CME, disputou o vôlei master e atualmente participa do vôlei adaptado.

“O vôlei pra mim é tudo. Ano passado foi muito importante, tivemos bons resultados com o professor Luiz, com apoio da Secretaria de Esportes. Esse ano promete, já começamos as atividades e vamos lutar bastante. O vôlei é a minha paixão.”

Mas a vitalidade não para por aí. No ano passado, Ester descobriu as corridas de rua e se apaixonou pelo desafio de baixar tempos e superar limites. Conquistou inclusive um terceiro lugar em Blumenau, com direito a troféu. Uma lesão no tornozelo interrompeu temporariamente os treinos, mas não o entusiasmo.

“Eu não vou largar, não. Já voltei a treinar. Gosto de pedalar, caminhar, faço ginástica funcional, ginástica normal. Tudo isso é proporcionado pela prefeitura. Onde tem algo novo que eu possa fazer, eu vou atrás.”

A história de Ester Lange se constrói, assim, em movimento constante — entre o esporte, a memória, o convívio social e o amor por Pomerode. Sua coroa não é apenas símbolo de beleza ou representatividade, mas de uma trajetória marcada pela participação ativa, pelo sorriso fácil e pela certeza de que a melhor idade é, acima de tudo, um tempo de viver intensamente.

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