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Do Egito até empreender em Pomerode

Conheça a história de Ahmed Nabil, egípcio que conheceu terras pomerodenses e resolveu abrir uma pizzaria.

30 de março de 2024

Foto: Isadora Brehmer / JP

Ahmed Nabil é um exemplo vivo da busca por novas oportunidades e da capacidade de adaptação em terras estrangeiras.

Nascido e criado no Egito, Nabil estudou agronomia em uma faculdade federal, onde se graduou e, posteriormente, trabalhou em sua área por muitos anos. No entanto, em meio a desafios econômicos crescentes no Egito a partir de 2002, Ahmed começou a buscar alternativas para melhorar sua qualidade de vida e encontrar novas perspectivas.

O Egito, um país conhecido por sua história milenar e seu povo caloroso e receptivo, estava enfrentando dificuldades econômicas significativas, o que levou Ahmed a considerar oportunidades além de suas fronteiras. Por conta do momento em que o país passava, Nabil decidiu se aventurar em busca de um novo começo, e foi assim que encontrou seu caminho até o Brasil.

Sem saber falar português, o egípcio enfrentou uma jornada de desafios e adaptações em nosso país. Porém, logo no primeiro contato, algo que o surpreendeu foi o clima do Brasil.

“O primeiro contato foi maravilhoso. Sai do Aeroporto de Guarulhos e no dia estava tempo nublado com chuva. E, eu vim de um país de deserto e tempo seco, quase todo o ano. Cheguei aqui com a ‘boca aberta’ (risos).”, conta.

Mas Nabil também enfrentou uma série de desafios, especialmente no que diz respeito à adaptação cultural e culinária.

Uma das principais dificuldades foi a questão alimentar, especialmente em relação à carne suína e seus derivados. No Egito, onde a religião predominante é o islamismo, o consumo de carne suína é proibido. Portanto, para Ahmed, acostumar-se com uma dieta onde a carne suína é comumente consumida foi um desafio significativo. Ele teve que aprender a lidar com essa diferença cultural e encontrar maneiras de se adaptar, tanto em sua vida pessoal quanto profissional.

Outra coisa que chamou a atenção de Nabil foi a cultura brasileira. Ele conta que, no Egito, o povo é mais conservador em relação aos brasileiros. Porém, isto não foi nenhum empecilho para conseguir viver tranquilamente no país.

Desde quando chegou no Brasil, Nabil atua em uma empresa de certificação de produtos chamada FAMBRAS Halal.

“Continuo trabalhando na empresa que praticamente, me adotou aqui desde que cheguei no Brasil. A Fambras Halal é uma certificadora de alimentos, parceira de maioria das empresas exportadoras de alimentos aqui no Brasil. Ela é responsável por dar o selo de qualidade para que alimentos brasileiros possam acessar o mercado árabe em geral, com foco em muçulmanos” explica.

Quanto ao Ramadã, um período religioso que é muito valorizado pela cultura islâmica, Nabil explica que segue na risca o mês do Ramadã, que neste ano, inicia-se no domingo, 10 de março e segue até 8 de abril. No período do nascer até o pôr-do-sol, o regime do Ramadã é marcado por uma dieta, na qual, não se pode comer ou beber água. Mas além do jejum, para os muçulmanos, o Ramadã é muito mais que isso, como explica Nabil.

“O Ramadã vai muito além o jejum. Ele é uma forma de ‘purificar’ nossas almas, em nossa religião. É um momento em que a gente se reconecta conosco, fazemos muitas orações, pedimos perdão pelos erros e pecados, além de uma série de outros fatores que temos que seguir, como evitar brigar com alguém, se estressar”, conta.

E, quando estavam de férias, em SC, conversaram com uma família que recomendou Pomerode para morar e nisto resolveram se mudar e tentar empreender na cidade. Em conjunto com a família, abriram a Casa das Pizzas. Hoje, a pizzaria conta com a ajuda da esposa e as filhas.

Nabil com a esposa, Evane Elkhouly, e as filhas, Sarah Nabil e Camile Eidt. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

Nabil faz questão de agradecer a esposa, Evane Elkhouly. Segundo ele, abrir uma pizzaria era o sonho dela. Além da esposa, as filhas Sarah Nabil, Camile Eidt, também já ajudam durante a rotina no local. Ainda, a pizzaria conta com o auxílio de amigos que também se disponibilizam para trabalhar no local. E hoje, Pomerode já é a casa da família.

“Quando conversamos com aquela família, na praia, eles falaram que Pomerode era uma ótima cidade para se morar. E, realmente,sim! Viemos para cá e realizamos o sonho da minha esposa que era abrir uma pizzaria. E, hoje em dia, com ajuda dela e das minhas filhas, a gente tornou possível esse sonho e escolhemos Pomerode para morar e também ter o nosso próprio negócio”, finaliza Nabil.

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