Do campo à alimentação escolar em Pomerode
Na propriedade de Vilson Schrubbe, ele e Juliana Benvenutti produzem uma parte das hortaliças utilizadas na alimentação escolar em Pomerode
Foto: Isadora Brehmer / JP
Entre fileiras de hortaliças frescas, é na propriedade rural de Vilson Schrubbe, onde também atua Juliana Benvenutti, que nasce parte da alimentação de milhares de crianças que frequentam as escolas e centros de educação infantil da rede municipal de Pomerode.
A cada colheita, uma história se repete: dedicação, disciplina e amor pela terra transformam hortaliças em nutrição para o futuro.
Da juventude à vida no campo
Vilson nasceu em Blumenau, mas foi em Pomerode que encontrou seu propósito. “Desde pequeno, me criei aqui e sempre trabalhei com hortaliças”, conta. A mudança definitiva ocorreu há 23 anos, quando ele tinha apenas 19. O início foi marcado pelo cultivo de pepino para conserva, que manteve por mais de uma década. “Foram uns 10 ou 12 anos só com pepino”, lembra.
Com o tempo, o produtor diversificou a produção. Hoje, a propriedade cultiva uma variedade impressionante: brócolis de cabeça, couve-manteiga, rúcula, rabanete, beterraba, salsinha, tomates de diferentes tipos e até pepinos japoneses. Mas dois desses itens têm destino especial: a alimentação escolar de Pomerode, fornecendo alimentos frescos para milhares de alunos.
Rotina sem pausas
A vida no campo exige constância. “Começa de manhã e vai até a noite, de domingo a domingo. Não tem feriado, nem dia de descanso. Com sol ou com chuva, o trabalho é o mesmo”, diz Vilson. Essa dedicação é compartilhada com Juliana, sua companheira de produção, que ajuda a coordenar a rotina intensa entre plantio, cuidados com a lavoura e entregas.
Além da força de vontade, há planejamento: cada etapa do cultivo é pensada para manter a produção ativa ao longo do ano. “Estamos sempre pensando no que vem depois, para garantir que não falte. É um ciclo contínuo”, explica o agricultor.
Quando o campo chega à escola
A relação dos produtores com a alimentação escolar não é recente. “Há uns cinco anos, cheguei a fornecer tomate durante um ano. Depois, veio outra chamada pública e não consegui participar. Agora, neste ano, consegui novamente participar”, conta Vilson. Desde junho, o contrato garante a entrega de brócolis e couve-manteiga para as escolas da rede municipal.
Para ele, a venda tem um valor que vai além do financeiro. “É um orgulho saber que nosso produto vai direto para a mesa das crianças. Não passa por atravessador, não fica parado. Sai da horta e chega fresco, no mesmo dia”, afirma.
Agroecologia e aprendizado contínuo
Os cuidados com a qualidade são uma marca do trabalho da família. “Aqui não usamos adubo químico. Trabalhamos com compostagem pronta e biofertilizantes orientados pela Epagri. É agroecologia, porque respeitamos a terra e a saúde do alimento”, explica Vilson.
O conhecimento vem sendo aprimorado com cursos, consultorias e trocas com outros produtores. “Participo de treinamentos, tiro dúvidas com a Epagri quando surge algum problema, como fungos ou pragas. A gente aprende muito com essas parcerias”, completa.
Orgulho que fortalece a cidade
Para Juliana, a parceria com a Prefeitura tem importância social e econômica. “É bom saber que o dinheiro fica aqui, gira dentro do município. Fortalece quem produz, aproxima as crianças da realidade do campo e valoriza a agricultura familiar”, diz.
Em Pomerode, a alimentação escolar inclui produtos de diferentes agricultores familiares, com compras regulamentadas pela Lei Federal nº 11.947/2009 que determina que, pelo menos, 30% dos recursos destinados à merenda escolar sejam investidos nesse segmento.
Merenda escolar em números
O impacto desse trabalho aparece nos números. Em 21 unidades de ensino da rede municipal, entre escolas e Centros de Educação Infantil (CEIs), são servidas 7.334 refeições por dia.
Dessas, 1.647 são almoços – 812 nas escolas e 835 nos CEIs –, além de 3.665 lanches nas escolas e 2.022 lanches nos CEIs. Todas as crianças matriculadas têm direito à alimentação, que varia conforme o período: lanche da manhã, almoço e lanche da tarde.
Ao todo, são mais de 50 itens da agricultura familiar adquiridos para compor os cardápios, incluindo frutas, legumes, verduras e hortaliças. A presença de produtores locais, como Vilson e Juliana, garante que esses alimentos cheguem frescos e com mais valor nutricional às mesas das escolas.
A rotina segue, entre novas sementes e colheitas que não param. Para os produtores, cada caixa de brócolis e cada maço de couve enviados para as escolas carrega mais do que nutrientes: leva história, trabalho e esperança. “É bom saber que nosso esforço ajuda a formar crianças mais saudáveis e conscientes. No fim das contas, é isso que vale a pena”, resume Vilson, com a simplicidade de quem transformou o amor pela terra em missão para a vida.