Dia Mundial da Pizza: Dando vida aos ingredientes
Desde muito cedo, influenciado pela sua família, a cozinha se tornou o seu “cantinho” preferido da casa, tanto que, fez disso, a sua profissão.
Foto: Bob Gonçalves
A paixão pela culinária, especialmente pela pizza, vem desde cedo na vida do pomerodense Leandro Bloedorn, de 43 anos. Desde muito cedo, influenciado pela sua família, a cozinha se tornou o seu “cantinho” preferido da casa, tanto que, fez disso, a sua profissão.
Atualmente, Bloedorn produz pizzas congeladas para entrega em domicílio, um ramo que vem dando muito certo em sua vida. Só que, para chegar à qualidade que sempre quis, o caminho não foi fácil
“Certo dia, lá atrás, eu estava ‘zapeando’ o Facebook e apareceu um curso de pizzaiolo, na Itoupava Central, em Blumenau. As aulas aconteceriam toda segunda-feira e, como eu trabalhava no primeiro turno, tive que me esforçar durante três meses e meio, a fim de aprender mais sobre o mundo das pizzas. E valeu muito a pena, pois a partir daí, abriu-se um leque de variedades dentro deste tipo de culinária”, ressalta.
Neste curso, Leandro diz que aprendeu muitas coisas interessantes que, até então nem passavam pela sua cabeça, na hora de fazer uma pizza.
“Peguei muito conhecimento sobre trigo, fermento, regulagem de forno… Algo que me chamou a atenção e que eu levo para minha vida é que a temperatura das mãos influencia diretamente na massa, pois o fermento precisa de calor para crescer. Ou seja, quem tem a ‘mão gelada’, não consegue uma massa de qualidade”.
Inclusive, o pizzaiolo diz que o estado de espírito também influencia. “Ao fazer uma massa, você está transmitindo o seu carinho para ela, afinal, na mistura do trigo com o fermento e a água, é gerada vida, por meio das leveduras. Teve uma vez que eu tive que jogar uma massa toda fora, pois não estava num dia muito bem e ela, simplesmente, não crescia. Pode parecer estrando, mas o fermento absorve esse sentimento”.

Foto: Bob Gonçalves
Outro ensinamento adotado por Bloedorn é com relação ao crescimento da massa. “Muitos aceleram esse processo, colocando até três fermentos. No meu processo, a massa cresce ‘três vezes’: a primeira, quando eu faço; a segunda, quando eu a separo em ‘bolinhas’; e a terceira, quando eu abro no rolo. Isso faz com que ela não cresça no estômago, depois de assada, e deixe a pessoa estufada”.
Outro ponto interessante, é a questão dos ingredientes tanto da massa, quanto do recheio. “Eu procuro ser o mais natural possível, tanto que para a massa, utilizo apenas cinco coisas: trigo, sal, fermento, azeite e água. Com a dosagem certa dos produtos, você cria uma massa perfeita. E sem açúcar refinado, pois o trigo em contato com o fermento, libera somente o necessário de açúcar. Nos recheios, gosto de trabalhar com produtos mais naturais possíveis, principalmente temperos. Eu vejo que é um diferencial, pois o cliente sente que não é industrializado”.
O apoio da família
Depois do curso, o pomerodense começou a fazer pizzas em casa mesmo, fazendo com que seus familiares, amigos e vizinhos, provassem e aprovassem a sua pizza.
“Durante um tempo, trabalhei em um sítio, onde fazia as pizzas. Então, comecei a ‘testar’ novos sabores e técnicas, tanto do recheio, quanto das bordas. Eu penso que o básico todos fazem, então, é preciso ter um diferencial. E trabalhando em cima desses sabores, aromas e combinações, você vai criando a sua identidade. Inclusive, pode ir para qualquer lugar do mundo sem sair da sua cozinha”.
E por falar em identidade, Bloedorn faz questão de dizer qual produto não pode faltar na sua pizza. “Muitos me perguntam sobre a ‘ordem’ dos produtos em cima da massa. O primeiro ingrediente é o molho de tomate, que faz com que a pizza suculenta. Após, muitos colocam o queijo por baixo e o restante por cima. Só que como a meu produto é pré-assado, o queijo é o último ingrediente. Em qualquer outra pizzaria, vem o molho e o queijo, porque a massa é assada crua, debaixo pra cima. Então, tive que ir adaptando o meu gosto com a qualidade do produto final. E, na minha opinião, visualmente, o queijo por cima deixa ela mais bonita”, pondera.
Em matéria de inspiração, o pizzaiolo não titubeia. “Apesar de ser, em muitos momentos, autodidata, não posso deixar de citar o Chef Luiz Otávio Fonseca, que foi o nosso instrutor no curso que fiz. Grande parte do que eu sei, hoje, é por causa dele. E no dia a dia, tento me motivar sempre, buscando sempre aprimoramento e evolução. Se eu não estou na cozinha, meu dia não é completo”.
Para Leandro, mexer com massa com trigo já é parte de seu tempo diário. “Sou totalmente dedicado à culinária, tanto que finalizei, há pouco tempo, um curso de confeiteiro e pretendo fazer outro, voltado à culinária oriental. É preciso se reinventar todos os dias, na busca de seu espaço dentro deste mercado. O prazer de transmitir o amor que eu tenho pela culinária para outras pessoas, é o que me motiva a continuar neste ramo. Sempre com muito amor e carinho pelo que faço”, finaliza.