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Dia das Mães: após proteger a comunidade, a felicidade em ter o amor em casa

Policial civil de Pomerode fala sobre a alegria em ser mãe, em meio a uma profissão desafiadora

12 de maio de 2024

Foto: Arquivo pessoal

Ser mãe sempre foi um dos objetivos de vida e um sonho de Fabiane Fester, policial civil da Delegacia de Pomerode. Maria Alice e Lara, as filhas de 9 e 4 anos, representam a realização deste sonho, que foi muito planejado antes de se tornar realidade.

“Eu tive a minha primeira filha, Maria Alice, com 34 anos, então consegui viver tudo o que eu precisava antes de ser mãe, organizei minha vida. Eu e meu ex-marido, na época, estávamos há pouco mais de um ano casados, quando engravidei pela primeira vez. Eu já trabalhava como policial em Pomerode, já tinha definido local para morar, já tínhamos tudo, então foi no momento certo”, relembra Fabiane.

Para a policial civil, a busca da profissão influenciou no fato de ter sido mãe com mais de 30 anos. Fabiane passou no concurso público para o cargo antes de completar 30 anos, assumiu com esta idade e vivenciou a profissão no dia a dia, até ter plena certeza de que era o que realmente queria para sua vida. Com estas certezas, Fabiane decidiu que era a hora de ser mãe.

“Cinco anos depois, quando eu já estava com 39 anos, mas não sabíamos se desejávamos ou não ter um segundo filho. No entanto, em um dia em que estava em uma festa, comentei com uma de minhas melhores amigas – que na época estava grávida – que eu estava me sentindo estranha. Ela logo me disse ‘eu acho que você está grávida também’. Eu pensei que não era possível, mas fiz o teste e descobri que estava grávida da Lara, quando estava pensando em ter um segundo filho”, conta a policial civil.

Segundo Fabiane, suas duas experiências como mãe foram bem diferentes. Parte disso foi pelo fato de sua primogênita ter sido filha única por alguns anos.

“A Maria Alice sempre teve tudo, durante cinco anos, era apenas ela, tinha os pais em tempo integral só para ela, e depois de cinco anos ela deixou de ser a única. Maria nasceu no mesmo dia que o pai dela, e a Lara poderia nascer nesta mesma data. Mas, no ano em que a Lara nasceu, preparei a festa da Maria Alice antes do aniversário dela, para poder ir, mas a Lara acabou nascendo bem antes do dia da festa e acabou que eu não pude ir. Então fiz um bilhete para ela, explicando que não fui para que eu pudesse trazer a irmã dela, para fazerem bagunça juntas, no futuro e compramos um presente que a Maria Alice queria muito”, relembra Fabiane.

Após o nascimento da segunda filha, no entanto, Fabiane afirma que os desafios aumentaram. Um deles, foi a separação quando a filha mais nova estava próxima de completar dois anos de vida, que trouxe um período de turbulência.

“No trabalho também mudou, pois como eu tinha duas filhas, a minha organização que antes era de um jeito, precisava de atenção dobrada, então precisei me dedicar muito mais em casa. Não que eu não tenha que me dedicar no trabalho, mas hoje eu preciso me dividir mais, preciso estar mais atenta, me esforçar mais”, pondera.

 

Fabiane também comenta que o fato de ser policial é um fator que intensifica a preocupação com a segurança das filhas, devido à realidade do dia a dia na Delegacia, com todos os casos que presencia diariamente.

“No início, eu conseguia separar as duas coisas muito bem, chegava em casa tranquila. Mas hoje a maioria dos crimes que temos aqui são cibernéticos e a minha filha mais velha, a Maria, vai fazer 10 anos e utiliza celular. Então eu tenho uma preocupação grande em relação a isso. Eu olho o celular diariamente e, se tem uma coisa que eu percebo da rotina aqui da Delegacia, é que muitos pais não olham e não acompanham o que o filho acessa com o celular. As crianças não têm noção do que pode acontecer e são muito influenciáveis, então precisa o acompanhamento. Eu me preocupo muito com as minhas filhas, eu faço o que eu posso e não tenho neura. Se eu me deixasse levar por tudo o que eu vejo, estaria perdida. Tenho cuidado com elas, sempre ensino a Maria e as amigas delas que precisam contar aos pais o que veem no celular, que precisam cuidar e contar tudo aos pais”, destaca.

Em relação à rotina da profissão e as funções de mãe, Fabiane garante que não passou por dificuldades para conciliar os plantões como policial civil e não enfrentou situações de falta de confiança de colegas de profissão.

Foto: Arquivo pessoal

 

“Sempre me preparei muito neste sentido. Por exemplo, se eu sei que estarei comprometida com plantões, quando fico 24 horas fora, trabalhando, tenho que ter combinado alguém para estar com as minhas filhas e cuidar delas. Desde que eu cumpra com as minhas obrigações, está tudo certo e sendo mãe, preciso ter uma organização para cumprir meu papel de policial. Para isso tenho a rede de apoio, conto com as avós, com o pai, amigos, e tenho suporte, porque a profissão é pesada, não é fácil”, frisa a policial civil.

E como alguém que vivenciou a experiência de ser mãe em duas oportunidades, Fabiane aconselha quem também tem este sonho, enaltecendo que o principal é a preparação.

“É preciso se preparar muito para ser mãe, porque entre querer ter um filho e realmente ter um filho há uma diferença grande. Depois de ter um filho, as coisas mudam muito. O amor é incondicional, é fato, mas a doação para o filho não tem como explicar. Desde o momento em que se acorda, com café da manhã, escola, tarefas, se o filho está bem, se você está fazendo o seu melhor. O filho sempre achará a mãe a melhor do mundo, e a preocupação é mais nossa, se realmente estamos fazendo o melhor, pois é o nosso papel. Então é preciso estar preparada, saber que as coisas nem sempre são como planejamos. A vida muda como um todo e é necessário ver o lado bom das coisas, buscar a felicidade na nossa vida, além de proteger os filhos. Mas eu adoro ser mãe, amo as minhas filhas, faço tudo o que eu posso por elas, dentro do que eu posso, eu acho que ser policial até auxilia, pois de uma maneira ou de outra, elas me acalmam, depois do que eu passo aqui. Deixo de lado o que vivi com a profissão, e experimento uma realidade diferente lá, com a recompensa de carinho, amor, de ouvir um eu te amo, que acalenta depois do que vivenciamos aqui”, finaliza Fabiane.

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