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Destinos cruzados por uma árvore no meio do caminho

Funcionários da Celesc agilizam desobstrução de estrada, ao encontrarem uma mulher em trabalho de parto, rumo ao HMRT

30 de janeiro de 2021

Há momentos na vida, em que o destino é cruel com as pessoas. Mas em outros, ele conspira a favor e o que poderia se tornar algo ruim, tem um final feliz. O dia 21 de janeiro de 2021 ficará marcado, para sempre, na memória do casal Jonathan Henrique Bär e Márcia Rodrigues Coelho. E, também, do funcionário da Celesc, Márcio Ricardo Füchter. O caminho dos três se cruzou naquela manhã chuvosa de quinta-feira, em condições muito específicas e adversas.

Devido às chuvas que caíram na região durante aqueles dias, muitas ocorrências tiveram que ser atendidas pela Celesc, a maioria, envolvendo quedas de árvores sobre a rede elétrica. E foi justamente numa dessas ocorrências que deu-se a bela história.

“Chegamos no local designado para uma ‘Nota de Reclamação’, o meu parceiro Paulo César dos Santos e eu, por volta das 7h20min. A ocorrência era na Rua Alberto Rahn, Wunderwald, e se tratava de uma árvore, de grande porte, que havia caído e rompido a rede elétrica. A presença de vários cipós, galhos e o tempo chuvoso, dificultaria a nossa ação, para desobstruir a rua”, comenta.

 

Nisso, do outro lado da árvore, eis que os dois avistam um carro e o homem sai para conversar com eles. “Ele perguntou quanto tempo iria demorar nosso serviço, pois a sua esposa estava em trabalho de parto. No momento, fiquei um pouco preocupado, pois nós também temos filhos. Eu só olhei para dentro do carro e vi que ela estava sentada no banco de trás. Nesse momento, iniciamos o trabalho de desobstrução parcial da rua, para que eles pudessem seguir, rumo ao hospital”, relembra Füchter.

Segundo o funcionário da Celesc, o serviço durou cerca de 10 minutos. “Sabemos que, numa hora dessas, qualquer coisa pode ser prejudicial, ainda mais pelo grande volume de chuvas que a região registrou, naqueles dias. E uma coisa nos chamou a atenção. Geralmente, quando a solicitação vem descrita como ‘cabo partido’, nós agilizamos o processo, pelo perigo que a situação apresenta. 

 

(Foto: Jonatan Glatz / Jornal de Pomerode)

Só que, naquele caso, nos foi repassado como uma simples ‘falta de fase’. Então, por uma felicidade da pessoa que designou o trabalho para nós, deu tempo de chegarmos lá, no local e hora certos, pois nossa tela estava com diversas ocorrências semelhantes”.

Depois que o casal prosseguiu rumo ao hospital, Füchter não escondeu o sentimento de dever cumprido. “Naquele momento, ‘ganhei’ meu dia. É emocionante poder ter contribuído para que tudo desse certo. E eu fico feliz em falar sobre isso, afinal, foi um bom início de vida para o bebê”.

 

Vinda antecipada, com um final feliz

O que poderia ter acabado não muito bem, se tornou uma grande alegria. Afinal, o pequeno Anthony Gabriel veio ao mundo, precisamente às 11h02min, de parto normal, com 3,270kg e 50cm. “Quando saímos de casa, tínhamos as coisas todas arrumadas já há algumas semanas, aguardando o grande dia. Tanto que não esperávamos a sua chegada, pois o Dr. Paulo informou que poderia demorar, ainda, mais umas duas semanas”, ressalta o pai, Jonathan.

Por isso, o casal saiu tranquilo de sua casa, na Vila Itoupava, rumo ao Hospital e Maternidade Rio do Testo. “A bolsa da Márcia rompeu parcialmente, então, não houve pânico. Durante o trajeto, foi tudo normal, mas nos deparamos com a Rua Alberto Rahn trancada, devido a uma árvore caída. Chegamos junto com o pessoal da Celesc e já perguntei a eles se iria demorar para desobstruir a rua. Como ele falou que não, voltei para o carro, para ficar com minha esposa. Eles foram super atenciosos com a gente e logo resolveram o problema. Então, seguimos para o hospital”, relata o balconista.

Ele conta que, em nenhum momento bateu o desespero, pois logo encontraram os funcionários da Celesc no local. “Mas se nós tivéssemos chegado lá e não encontrado ou visto ninguém, talvez as coisas pudessem tomar outro rumo. Fora a dificuldade natural que estávamos enfrentando, pela grande quantidade de buracos na estrada, devido às chuvas”. 

Outro ponto destacado por Bär é que seu segundo filho fará aniversário junto com a cidade mais alemã do Brasil. “É outra coisa que acabou coincidindo e um motivo de orgulho, pois eu também nasci em Pomerode e nós dois trabalhamos na cidade. É algo que fica marcado e nos deixa muito felizes”.

Márcia, mãe de “primeira viagem”, conta que, mesmo com todos os percalços, não ficou nervosa com a situação enfrentada pelo casal. “Talvez pelo fato de não estar sentindo dor, consegui me manter muito calma. E a atenção e presteza dos funcionários da Celesc me deixaram ainda mais tranquila. Não há palavras para descrever a experiência de ser mãe, é a melhor sensação do mundo, um amor e dedicação que não medimos. Ainda mais sabendo que o final poderia ter sido outro, só há motivos para agradecer, todos os dias”, relata, emocionada. Coisas do destino.

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