Denúncia de corrupção contra Michel Temer é barrada na Câmara
Na noite desta quarta-feira, 2 de agosto, a Câmara aprovou o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O documento recomendava a rejeição da denúncia por crime de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer.
Na noite desta quarta-feira, 2 de agosto, a Câmara aprovou o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O documento recomendava a rejeição da denúncia da Procuradoria Geral da República por crime de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer, e precisava do apoio de 342 deputados para ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo dados divulgados pela secretaria da Câmara, dos 513 deputados, 492 registraram seu voto, sendo 253 a favor do relatório, 227 contra e duas abstenções. 19 deputados não estiverem presentes. Com os votos registrados, Temer não vai responder ao processo no STF imediatamente, somente após deixar o cargo, em 31 de dezembro de 2018. Por ser presidente, só pode ser julgado mediante aprovação dos deputados.
A sessão da Câmara foi aberta às 9h. Paulo Abi-Ackel, e o advogado de Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, se manifestaram durante 25 minutos. Após os discursos dos deputados, a votação iniciou às 18h19, alternado entre os estados Norte e Sul. A soma de votos começou às 20h16, terminando às 21h51. O partido PMDB teve o maior número de votos contra a denúncia, enquanto o PT foi o partido com o maior número a favor.
Houve protestos com cartazes de “Fora Temer” e gritos de “Diretas já”, logo no início da sessão. Durante a tarde, deputados da oposição trocaram empurrões após o pronunciamento de Wladimir Costa (SD-PA), aliado de Temer, que mostrou dois bonecos infláveis com a imagem do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário.
Parlamentares catarinenses também registraram seu voto, sendo nove contra e sete em favor do prosseguimento da denúncia.
Contra:
Celso Maldaner – PMDB
“Pelo nosso Brasil, eu voto sim”.
César Souza – PSD
“A favor do Brasil, a favor do desenvolvimento e da geração de empregos, eu voto sim com o relator”.
João Rodrigues – PSD
“Contra esse discurso baixo e sujo do PT e da esquerda, que apoiou a corrupção durante 14 anos, eu voto pelo Brasil, eu voto sim pelo relatório”.
João Paulo Kleinunbing – PSD
“Eu voto sim ao relatório, senhor presidente”.
Marco Tebaldi – PSDB
“Voto sim, senhor presidente”.
Mauro Mariani – PMDB
“Voto sim com o relatório, senhor presidente”.
Rogério Peninha – PMDB
“Pela estabilidade política e econômica do Brasil, pena continuidade das reformas, eu voto sim ao relatório”.
Ronaldo Benedet – PMDB
“Para o bem do Brasil a estabilidade política é fundamental para continuarmos crescendo com a nossa economia, por isso, meu voto é sim”.
Valdir Colatto – PMDB
“Para consertar o estrago que o PT fez por 13 anos no Brasil, em homenagem de quem trabalha, produz e gera emprego, em homenagem aos que respeitam a agricultura brasileira. Sim”.
A favor:
Carmem Zanotto – PPS
“Pela autorização da investigação, não”.
Décio Lima – PT
“Esse relatório ele é um manto para a impunidade. O Brasil não pode continuar sendo governado por um bandido acompanhado de duas quadrilhas que tem nome, o PMDB e o PSDB, portanto, eu voto não ao relatório”.
Esperidião Amim – PP
“Voto sim à denúncia, pela investigação, e voto não ao relatório”.
Geovania de Sá – PSDB
“Voto não ao relatório”.
Jorge Boeira – PP
“Tenho nojo de quem desvia recurso público, nojo da corrupção, nojo dos corruptos. Fora, Temer. Não”.
Jorginho Mello – PR
“Sou a favor de toda e qualquer investigação. Peço vênia ao meu partido e voto não ao relatório”.
Pedro Uczai – PT
“Um ano atrás foi dado um golpe parlamentar contra uma presidenta digna e honrada, hoje se quer dar um golpe parlamentar para proteger e salvar um dos políticos mais corruptos desse país. Fora temer, meu voto é não”.
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, denunciou Temer ao STF pelo crime de corrupção passiva. A defesa do Presidente alega que a acusação é baseada somente em suposições. Rodrigo deve apresentar outra denúncia por organização criminosa e obstrução de justiça.
Michel Temer é o primeiro presidente do Brasil denunciado por corrupção durante o mandato.