Política

Denúncia de corrupção contra Michel Temer é barrada na Câmara

Na noite desta quarta-feira, 2 de agosto, a Câmara aprovou o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O documento recomendava a rejeição da denúncia por crime de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer.

3 de agosto de 2017

Na noite desta quarta-feira, 2 de agosto, a Câmara aprovou o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). O documento recomendava a rejeição da denúncia da Procuradoria Geral da República por crime de corrupção passiva contra o presidente da República, Michel Temer, e precisava do apoio de 342 deputados para ser encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo dados divulgados pela secretaria da Câmara, dos 513 deputados, 492 registraram seu voto, sendo 253 a favor do relatório, 227 contra e duas abstenções. 19 deputados não estiverem presentes. Com os votos registrados, Temer não vai responder ao processo no STF imediatamente, somente após deixar o cargo, em 31 de dezembro de 2018. Por ser presidente, só pode ser julgado mediante aprovação dos deputados.

A sessão da Câmara foi aberta às 9h. Paulo Abi-Ackel, e o advogado de Temer, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, se manifestaram durante 25 minutos. Após os discursos dos deputados, a votação iniciou às 18h19, alternado entre os estados Norte e Sul. A soma de votos começou às 20h16, terminando às 21h51. O partido PMDB teve o maior número de votos contra a denúncia, enquanto o PT foi o partido com o maior número a favor.

Houve protestos com cartazes de “Fora Temer” e gritos de “Diretas já”, logo no início da sessão. Durante a tarde, deputados da oposição trocaram empurrões após o pronunciamento de Wladimir Costa (SD-PA), aliado de Temer, que mostrou dois bonecos infláveis com a imagem do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva vestido de presidiário.

Parlamentares catarinenses também registraram seu voto, sendo nove contra e sete em favor do prosseguimento da denúncia.

Contra:

Celso Maldaner – PMDB

“Pelo nosso Brasil, eu voto sim”.

César Souza – PSD

“A favor do Brasil, a favor do desenvolvimento e da geração de empregos, eu voto sim com o relator”.

João Rodrigues – PSD

“Contra esse discurso baixo e sujo do PT e da esquerda, que apoiou a corrupção durante 14 anos, eu voto pelo Brasil, eu voto sim pelo relatório”.

João Paulo Kleinunbing – PSD

“Eu voto sim ao relatório, senhor presidente”.

Marco Tebaldi – PSDB

“Voto sim, senhor presidente”.

Mauro Mariani – PMDB

“Voto sim com o relatório, senhor presidente”.

Rogério Peninha – PMDB

“Pela estabilidade política e econômica do Brasil, pena continuidade das reformas, eu voto sim ao relatório”.

Ronaldo Benedet – PMDB

“Para o bem do Brasil a estabilidade política é fundamental para continuarmos crescendo com a nossa economia, por isso, meu voto é sim”.

Valdir Colatto – PMDB

“Para consertar o estrago que o PT fez por 13 anos no Brasil, em homenagem de quem trabalha, produz e gera emprego, em homenagem aos que respeitam a agricultura brasileira. Sim”.

A favor:

Carmem Zanotto – PPS

“Pela autorização da investigação, não”.

Décio Lima – PT

“Esse relatório ele é um manto para a impunidade. O Brasil não pode continuar sendo governado por um bandido acompanhado de duas quadrilhas que tem nome, o PMDB e o PSDB, portanto, eu voto não ao relatório”.

Esperidião Amim – PP

“Voto sim à denúncia, pela investigação, e voto não ao relatório”.

Geovania de Sá – PSDB

“Voto não ao relatório”.

Jorge Boeira – PP

“Tenho nojo de quem desvia recurso público, nojo da corrupção, nojo dos corruptos. Fora, Temer. Não”.

Jorginho Mello – PR

“Sou a favor de toda e qualquer investigação. Peço vênia ao meu partido e voto não ao relatório”.

Pedro Uczai – PT

“Um ano atrás foi dado um golpe parlamentar contra uma presidenta digna e honrada, hoje se quer dar um golpe parlamentar para proteger e salvar um dos políticos mais corruptos desse país. Fora temer, meu voto é não”.

Rodrigo Janot, procurador-geral da República, denunciou Temer ao STF pelo crime de corrupção passiva. A defesa do Presidente alega que a acusação é baseada somente em suposições. Rodrigo deve apresentar outra denúncia por organização criminosa e obstrução de justiça.

Michel Temer é o primeiro presidente do Brasil denunciado por corrupção durante o mandato.

 

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