Deixando tudo como uma “navalha”
Morador de Pomerode fala sobre trabalho de afiação de facas que está fazendo sucesso na internet
Foto: Raphael Carrasco/ JP
A história da afiação de facas remonta aos primórdios da civilização humana, quando os primeiros seres humanos começaram a usar ferramentas de pedra para cortar e rasgar. Com a descoberta do metal, especialmente o bronze e depois o ferro, a necessidade de manter essas ferramentas afiadas se tornou evidente.
E foi nesta função que o morador de Pomerode, Roberto Zancanaro, encontrou um trabalho que, hoje em dia, está rendendo bons frutos e reconhecimento. Atualmente, Zanca, como também é popularmente conhecido, dedica seu tempo à afiação e à restauração de facas, facões, machados, cutelos e derivados, e batizou seu próprio negócio de “Fio de Navalha”.
Essa dedicação à afiação já vem de anos atrás. Por gostar de assar carnes e fazer o seu “churrasquinho”, começou a afiar as suas próprias facas, já que, no início, não tinha nenhuma faca boa ao ponto de cortar a carne como gostaria.
“Foi aí que comecei, afiando apenas para mim, até eu ver um vídeo em que um cara conseguiu cortar pedaços de papel com uma faca. Foi ali que me despertou um interesse diferente neste negócio. Na época, isto em 2012, dei início afiando as minhas facas, apenas para quebrar um galho, sem nenhum equipamento específico ou algo do gênero”, comenta.
Com o tempo, Zanca até deixou de lado a ideia da afiação de facas, porém, sempre teve vontade de levar para frente, como um negócio rentável. E, no ano passado, resolveu investir de vez em trabalhar apenas com a afiação. Após assisitir vídeos e aprender sozinho a aperfeiçoar o seus serviços, em 2023 ele criou o “Fio de Navalha”, dando o pontapé inicial em seu negócio próprio.
Hoje, nos fundos de sua residência, é onde fica o seu ambiente de trabalho. Para deixar o seu negócio ainda mais rápido e eficiente, Zanca adquiriu equipamentos para que pudesse suprir a demanda. Ele conta que o tempo de afiação depende muito do produto que recebe.
“Tem facas que levam cinco minutos. Algumas levam meia-hora, 45 minutos. Teve uma que cheguei a levar uma hora para terminar, tudo. Então, tudo depende do estado do produto e o tipo. Um dia, cheguei a levar uma hora para afiar um facão, para deixar com uma afiação precisa e que possa agradar o cliente”, relata.
E, para fazer uma afiação, é necessário conhecimento, principalmente em relação aos ângulos. Zanca explica que o cliente escolhe a maneira como quer deixar o seu produto, conforme o uso final. Ou seja, se o cliente pede algo mais “navalha”, é um tipo de afiação e ângulo necessário. Caso a pessoa queira uma faca com afiação “mais dura”, que dê mais durabilidade e que proporcione cortes mais robustos, como por exemplo, de cana-de-açúcar, um outro ângulo é necessário para o aperfeiçoamento da insição. E, dependendo do cliente, além da afiação, o mesmo pede para fazer o espelhamento ou polimento. Zanca conta como funciona este processo.

Foto: Raphael Carrasco / JP
“O polimento você tira todos os riscos e avarias da faca, deixando ela lisa. E, com isso, consequentemente, vem o espelhamento, que deixa ela ainda mais brilhante. Há como fazer os processos de forma separada, porém, se faço apenas o espelhamento, a faca ainda continuará com riscos aparentes. Isto não atrapalha nada no corte, só interfere na beleza”, explica.
Zanca também conta que as facas que chegam são variadas, que vão da mais barata até a mais cara ou, também, em grande quantidade. A média de trabalho varia conforme o dia, porém, o morador de Pomerode conta que já chegou a afiar cerca de 30 facas, em apenas um dia. Outro detalhe importante para fazer uma boa afiação, são os tipos de lixadeiras de cinta, utilizadas em diversos tipos diferentes de lâminas.
“Mesmo com as máquinas, dá para se dizer que é um trabalho manual ou artesanal. Não é só ligar o equipamento, ‘jogar’ a faca dentro e esperar sair tudo pronto. É necessário um trabalho minucioso, de angulação, cuidado, para que o produto fique, realmente, como o cliente desejou”, frisa.
E, recentemente, Zanca começou a fazer vídeos que fizeram sucesso nas redes sociais, para mostrar o “poder da afiação”. Logo após o trabalho, o morador de Pomerode começou a gravar vídeos utilizando a faca do cliente, para mostrar que o serviço prestado foi bem executado. Através do Instagram e Youtube, Zanca passou a viralizar com seus testes, um tanto quanto peculiares. Ele mostra a faca cortando o papel e depois, corta garrafas pets para comprovar que afiação está perfeita. E foi com os vídeos que mais pessoas conheceram seu trabalho, além da recomendação boca a boca.
“Os vídeos são uma maneira de mostrar a eficácia do meu serviço. Claro que, também, penso no engajamento e divulgação do meu trabalho. E eu fico muito feliz que esses vídeos têm dado certo e as pessoas estão compartilhando cada vez mais. Logo depois que comecei a publicação desses materiais, passei a ganhar mais clientes. E continuarei fazendo, postando nas redes sociais, tudo que faço, em meu trabalho!”, finaliza.
Para conhecer mais sobre o trabalho de Roberto Zancanaro, basta acessar o instagram @Fio_de_navalha. O contato para saber sobre os serviços de afiação é o telefone (47) 99164-4914.
