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Declamando poesias e encantando pessoas: conheça os irmãos João e Gabriel

Meninos pomerodenses chamam a atenção pelo talento ao declamar poesias e apresentar textos. Família fala sobre o orgulho dos filhos e o estímulo ao aprendizado

16 de novembro de 2025

Foto: Isadora Brehmer/JP

Em diversos eventos e apresentações culturais, dois meninos, estudantes da rede municipal de ensino de Pomerode passaram a chamar a atenção pela naturalidade em se apresentar ao público, declamando poesias e textos.

João Miguel Gaulke Zech e Gabriel Vitor Gaulke Zech, filhos de Roseane Gaulke Zech e Fabio Jonas Zech encantam quem os escuta em cada apresentação. Na Sessão Solene de abertura da Semana da Pátria, na Câmara de Vereadores, em setembro, os meninos cativaram o público ao declamarem na íntegra o Hino da Independência.

A mãe dos meninos comenta que, por meio do incentivo à literatura, os dois começaram a demonstrar amor pelas histórias e a se desenvolverem neste caminho.

Foto: Isadora Brehmer/JP

“Adotamos o João e o Gabriel durante o período da pandemia, em 2020. Na época, o João tinha 3 anos e o Gabriel, 2. Eles chegaram com certa defasagem de conhecimento e aprendizado, e como não havia matrículas abertas nas escolas e CEIs, nem mesmo para as aulas on-line, decidi transformar minha paixão por livros em uma ferramenta para ensinar, estimular e criar uma conexão com eles. Também tive apoio de familiares e padrinhos, que têm a leitura e a educação com princípio”, conta Roseane.

A partir de então, ela comprou diversos livros e fantoches, e a bibliotecária municipal Viviane Hermann, passou a separar, duas vezes por mês, livros da Biblioteca Municipal para empréstimo. Quando as aulas voltaram, os pais mantiveram esse incentivo, e os dois sempre demonstraram muito amor pelas histórias.

A paixão cresceu cada vez mais e, em uma apresentação na escola, o talento dos irmãos passou a ser percebido não só em casa, mas também no estabelecimento de ensino. “Um dia, a professora do Pré 1 do João enviou uma poesia para ele decorar e apresentar no Dia da Poesia. João a decorou com facilidade e, de tanto ouvir o irmão ensaiando, Gabriel também aprendeu o poema. João o declamou com excelência, surpreendendo a professora. Gabriel, empolgado, insistiu com a sua professora que também queria apresentar uma poesia e fez uma linda declamação. Na época, João tinha 5 anos e Gabriel, 4. A partir daí, passaram a declamar seus poemas na Hora do Conto da Biblioteca”, relembra a mãe.

Foi o início de uma trajetória que é curta, porém já repleta de sucesso. Em 2023, os irmãos foram convidados a participar do Sarau Viva a Poesia, promovido pela Academia de Letras de Timbó. No mesmo ano, declamaram no lançamento do livro do 19º Varal Literário e apresentaram poemas natalinos após o Desfile de Lanternas, em frente ao Teatro Municipal.

Desde então, eles não pararam de se apresentar. Segundo Roseane, eles passaram a pedir para criar histórias para a Hora do Conto e até para compartilhar com os colegas de sala. Por isso, a mãe decidiu colocá-los em aulas de teatro, o que só aumentou ainda mais a paixão deles por se apresentar.

“Este ano, optamos por dar uma pausa nas aulas de teatro para não os sobrecarregar, mas o amor pelo palco continua, eles adoram estar diante do público e viver novas histórias. Sempre incentivamos a leitura e o gosto pela brincadeira das palavras na poesia. Isso acabou se tornando o nosso momento especial do dia: a hora de ouvir histórias. Hoje, esse momento evoluiu, não somos só nós que contamos, eles também criam e nos contam suas próprias histórias. A leitura e os livros se transformaram em uma ponte de conexão entre nós, fortalecendo ainda mais nosso vínculo. Passar a contar histórias e declamar poemas para outras crianças se tornou não apenas uma forma de desenvolver e aprofundar ainda mais o gosto deles pela leitura, mas também de despertar esse mesmo encanto em outras crianças”, ressalta.

Momentos que ficam na memória

Para os pais, há diversos momentos de apresentações de João e Gabriel que ficarão marcados na memória, em especial a performance no Teatro Municipal, durante o lançamento do livro do 19º Varal Literário.

“Foi inesquecível. Foi a primeira vez que eles se apresentaram para um grande público, e eu confesso que estava muito nervosa, muito mais do que eles. Eles, por outro lado, estavam tranquilos, quase como se aquilo fosse algo natural para eles. E hoje percebo que realmente é: falar em público parece fluir com facilidade para os dois. Naquele dia, quando o público se levantou para aplaudi-los, foi simplesmente emocionante. Eu via os olhos deles brilhando no palco, como se não acreditassem no que estava acontecendo”, relatam os pais.

João, por sua vez, afirmou que a apresentação no município de Guabiruba, representando Pomerode no Sarau Literário do Vale do Itajaí, foi a mais marcante para ele. Já Gabriel escolheu a apresentação no Cultura na Praça. “Acredito que por terem sido as mais recentes e em lugares diferentes, o que tornou a experiência ainda mais especial para eles”, complementa a mãe.

Preparação para cada apresentação

Roseane garante que os irmãos têm uma grande facilidade para decorar os textos, o que torna o processo de preparação muito rápido e prazeroso, o que, segundo ela, garante muitas risadas também durante os ensaios.

“Um exemplo foi o texto em homenagem ao avô, que completou 60 anos em agosto. No domingo, estávamos com os avós e perguntei o que poderíamos dar de presente para o opa. Eles responderam que queriam preparar uma apresentação, uma forma que eles adoram usar para presentear. Inclusive, isso é algo que já virou tradição na nossa família: eles criam apresentações sozinhos para o Dia das Mães, Dia dos Pais e também para o nosso ‘Dia da Família’, o dia em que celebramos nossa adoção e comemoramos nosso aniversário de família, que eles apresentam para nós cheios de orgulho e nós amamos esse presente”.

Para esta situação, a mãe conta que escreveu o texto em um domingo à noite. Na segunda fizeram a primeira leitura, com ensaios na terça e na quarta-feira à noite. Então, na quinta-feira, João e Gabriel apresentaram lindamente o texto para toda a família.

“Sempre que escolhem um texto, conversamos sobre o tema ou o tipo de história ou poesia que querem apresentar. Quando é necessário, eu escrevo o texto; se for poesia, eles leem primeiro para ter o contato inicial. Depois, conversamos sobre o que o personagem sente e o que a poesia quer transmitir, afinal, não dá para colocar emoção em algo que não entendemos”, pondera.

Foi assim na preparação para apresentarem o Hino da Independência, que tem um vocabulário mais difícil. Roseane pesquisou junto aos filhos o significado de algumas palavras e ela explicou, na linguagem deles, o contexto histórico em que o poema foi escrito, o clima e os sentimentos que o Brasil vivia naquele momento.

“Só então começamos a ‘passar o texto’, treinando entonação e emoção. Quando sentimos que está pronto, apresentamos para o papai, que faz observações e pequenos ajustes, porque, às vezes, estamos tão envolvidos que não percebemos detalhes que podem melhorar”, afirma.

Roseane comenta, também, que a facilidade que João e Gabriel têm para lidar com o público e se apresentar sempre foi algo natural, já que nunca foram crianças tímidas. A mãe revela que eles não tinham vergonha de fazer perguntas, conversar com pessoas novas ou se aproximar de desconhecidos, e que sempre foram curiosos e muito comunicativos.

“O João e o Gabriel sempre tiveram muita facilidade para aprender. Tanto que os dois ingressaram no 1º ano do Ensino Fundamental já alfabetizados. No ano passado, o João foi reclassificado, e hoje está no 4º ano, mesmo tendo apenas 8 anos. A escola nos chamou para conversar, pois ele apresentava desempenho muito acima da média. Foi então que ele realizou o teste de QI (WISC – Escala Wechsler de Inteligência para Crianças) com a psicóloga da escola, obtendo o resultado de 132, considerado QI muito superior”, conta.

Devido à data de corte das matrículas e por lei, Roseane revela que Gabriel não pôde avançar de série no 1º ano. Ainda assim, os professores relatam que ele apresenta desempenho superior aos demais colegas. Existe a possibilidade de que, no próximo ano, seja feita uma reclassificação para que ele avance de ano, acompanhando melhor o seu nível de aprendizado.

O gosto pelas rimas e pela poesia

Além da declamação de textos, João e Gabriel também possuem encantamento pela criação de poesias, pois sempre gostaram de brincar com rimas, segundo os pais.

“Neste ano, na homenagem ao aniversário da biblioteca, decidimos recitar poesias do Professor Ireneu Voigtlaender, que dá nome a biblioteca. No entanto, percebi que os poemas dele tinham um conteúdo mais denso e adulto, não sendo adequados à idade deles, e eu também não queria sobrecarregá-los. Por isso, decidimos que eles falariam sobre a vida e obra do professor, enquanto eu faria a leitura das poesias. Mas eles não se conformaram em não declamar um poema. Certo dia, quando voltei para cada de um compromisso, meu marido me contou que eles tinham uma surpresa. Foi então que leram para mim a poesia que haviam escrito juntos. Ficou tão boa (na minha opinião) que, no primeiro momento, eu nem acreditei que havia sido criada por eles! Mas meu marido confirmou que sim e contou que acompanhou todo o processo: eles foram procurando palavras que rimavam, consultaram o dicionário e, aos poucos, chegaram ao texto final”, conta Roseane.

Esse processo, de acordo com a mãe, também se integrou com o trabalho que a professora do João desenvolveu em sala de aula neste ano, sobre poesias e identidade cultural, para o Varal Literário. A poesia do João, inclusive, foi uma das selecionadas para integrar o livro do projeto. Além disso, ele está participando do concurso Poetizando Meu Vale 2025, promovido pela CIMVI e desenvolvido em sala de aula com a professora. A poesia do João está entre as finalistas da etapa municipal, em breve o resultado deve ser divulgado. E como todo bom irmão que gosta de seguir os passos do mais velho, o Gabriel também rascunhou algumas poesias em casa, acompanhando o entusiasmo do irmão.

Dedicação à literatura, sem deixar de lado a infância

Em relação aos estudos de forma geral, Roseane garante que os filhos sempre tiveram facilidade em relação aos conteúdos escolares, conseguindo assimilar o aprendizado com rapidez e qualidade.

“O João, mesmo sendo o mais novo da sala, mantém notas altas, sem precisar de esforço excessivo. O boletim do Gabriel ainda é descritivo, mas também ressalta seu desempenho e facilidade de aprendizado. Durante a aula, quando terminam suas atividades antes dos colegas, eles aproveitam o tempo para ler livros, decorar textos e poesias, aproveitando o tempo de forma produtiva sem atrapalhar os colegas nem o andamento da turma”.

A mãe conta, também, que quando há textos ou poemas novos para serem decorados, a família usa pequenos períodos à noite, para os ensaios. Isso porque perceberam que fazer ensaios curtos e diários era mais eficiente do que longos períodos de ensaio alternados.

Por exemplo, em textos como “A História Dobrada” ou “O Grande Lobo Mau”, João e Gabriel já estão prontos desde o início do ano, então, normalmente, a mãe apenas revisa o texto com eles uma vez, na noite anterior à apresentação.

“Assim, eles também têm noites livres para jogar futsal, estudar inglês e alemão, e se dedicar a atividades de interesse pessoal, além dos períodos do dia em que não estão na escola ou realizando as atividades escolares em casa. Este ano, por exemplo, não estão participando das aulas de teatro nem das de xadrez, justamente para manter tempo livre, já que o número de apresentações aumentou. Além disso, temos um combinado de que o final de semana é livre: eles só fazem tarefas escolares se houver, e não há ensaios programados. No entanto, se perguntados se preferem brincar ou assistir a uma apresentação de teatro ou contação de histórias, eles sempre escolhem a segunda opção”, frisa Roseane.

Quando há um novo convite para uma apresentação, segundo a mãe, ela sempre conversa com eles sobre como e onde será, e se eles querem participar, deixando claro que não há obrigação e que é possível recusar sem problemas.

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