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De Pomerode para o oceano: a trajetória de Fernanda Milnitz movida pela paixão pelo mar

Estudante de Oceanografia da UFSC celebra o Dia da Oceanografia contando como saiu do Vale Europeu para viver o sonho de estudar os oceanos

8 de junho de 2026

Fot: Arquivo Pessoal

Mesmo crescendo longe do litoral, em uma cidade marcada pela tradição, pela gastronomia e pelo contato com a natureza, a pomerodense Fernanda Milnitz encontrou no oceano a paixão que transformaria sua vida. Hoje estudante de Oceanografia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis, ela celebra o Dia da Oceanografia, comemorado em junho, compartilhando uma trajetória marcada por coragem, saudade e amor pela ciência.

Fernanda conta que crescer em Pomerode foi algo muito especial, principalmente pela forte ligação com a família e com as tradições da cidade.

“Cresci muito conectada à gastronomia da cidade, com as receitas da minha mãe, e ao contato com a natureza, que sempre fez parte da minha vida e de quem eu sou”, relembra.

Mesmo morando atualmente em Florianópolis, é justamente essa convivência familiar que mais faz falta na rotina longe de casa.

Fot: Arquivo Pessoal

“O que mais sinto falta de Pomerode é, sem dúvida, dos almoços e cafés da tarde em família, principalmente quando minha mãe fazia as receitas dela.”

O amor pelo mar surgiu ainda na adolescência. Fernanda explica que, durante o ensino médio, começou a perceber uma afinidade muito grande com as ciências exatas e da natureza. Aos poucos, passou a imaginar um futuro profissional ligado ao oceano. Mas houve um momento decisivo que mudou completamente sua vida.

“O momento que realmente mudou tudo foi quando fiz meu primeiro mergulho de cilindro. Ver aquele ambiente de perto foi uma virada de chave e me fez ter certeza de que era isso que eu queria estudar.”

Fot: Arquivo Pessoal

Determinada a seguir esse sonho, ela decidiu deixar Pomerode e se mudar para Florianópolis para cursar Oceanografia na UFSC, uma das principais referências da área no Brasil.

“Sabia que ali eu teria melhores oportunidades na área. Vivenciar a oceanografia morando em uma ilha é muito especial”, afirma.

Ao iniciar o curso, Fernanda já sabia que a Oceanografia ia muito além da biologia marinha, embora reconheça que o senso comum ainda associe as duas áreas como se fossem iguais.

“Muitas pessoas acham que a oceanografia é igual à biologia marinha, mas na verdade são cursos bem diferentes. A oceanografia possui seis grandes áreas principais: Física, Química, Biologia, Geologia, Socioambiental e Gestão.”

Ela explica que foi justamente durante a graduação que passou a compreender toda a dimensão da profissão e as inúmeras possibilidades de atuação.

Entre os maiores desafios da mudança, além da distância da família, está a saudade de um dos costumes mais tradicionais de Pomerode: os cafés da tarde.

“Aqui em Floripa, eu sinto muita falta de cafeterias, padarias e confeitarias, porque em Pomerode a cultura do café da tarde é muito forte.”

Ao longo da graduação, Fernanda viveu experiências transformadoras. A mais marcante delas aconteceu durante uma expedição embarcada no navio Ciências do Mar, laboratório flutuante utilizado pelos estudantes de Oceanografia.

Fot: Arquivo Pessoal

“Passamos cinco dias embarcados em alto mar realizando atividades práticas. Aprendemos a trabalhar com diversos equipamentos oceanográficos, como análises de temperatura e salinidade, coleta de plâncton e sedimentos marinhos, além de amostras de água para análise de poluição.”

Fot: Arquivo Pessoal

Mais do que estudar o oceano, Fernanda acredita que a Oceanografia desempenha um papel fundamental na preservação ambiental e também na compreensão de desafios que afetam diretamente a vida humana, como a poluição e as mudanças climáticas.

“A Oceanografia pode contribuir muito para a preservação ambiental, porque nos ajuda a entender como os oceanos regulam o clima do planeta e como a poluição impacta não apenas os ecossistemas marinhos, desde o plâncton até as maiores baleias, mas também a nossa própria qualidade de vida. A partir desse conhecimento, conseguimos propor soluções, políticas e estratégias de proteção. Além disso, as mudanças climáticas tendem a estar cada vez mais no centro das discussões, especialmente em anos marcados por fenômenos extremos, como o hiper El Niño, que evidenciam ainda mais a importância de compreender a dinâmica dos oceanos e seus impactos no planeta.”

Fot: Arquivo Pessoal

No Dia da Oceanografia, a estudante deixa também uma mensagem para outros jovens de Pomerode que sonham em seguir caminhos diferentes e explorar o mundo através da educação.

“Eu diria para seguirem seus sonhos. Sair da cidade natal é desafiador, mas vale muito a pena correr atrás daquilo que a gente ama e acredita.”

Fot: Arquivo Pessoal

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