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De miniaturas em cera aos ícones de Pomerode: a arte de João Siqueira

Artista que começou esculpindo ainda na infância acumula trabalhos em projetos turísticos no Brasil e no exterior e hoje lidera a criação de cenografias que se tornaram símbolos de grandes eventos e atrações de Pomerode.

12 de abril de 2026

Foto: Isadora Brehmer / JP

Escultor, cenógrafo e artista visual, João Siqueira transformou a vocação que surgiu ainda na infância em uma carreira marcada por obras de grande escala, projetos internacionais e forte ligação com o turismo. À frente da Siqueira Artes, ele hoje participa diretamente da criação de cenários que ajudam a impulsionar a economia criativa e o setor turístico de Pomerode e região.

Naturalmente ligado à arte desde pequeno, Siqueira conta que as primeiras experiências vieram de forma espontânea. “Minha brincadeira, quando criança, era desenhar. Eu fazia bonecos e miniaturas com cera de abelha”, relembra. Paralelamente ao trabalho como designer de estampas para o setor têxtil em Blumenau, a escultura sempre esteve presente em sua vida.

A profissionalização começou cedo. Aos 14 anos, ele passou a trabalhar com o empresário considerado um dos pioneiros do turismo ecológico no Brasil, participando da criação cenográfica e artística de um hotel de selva na Amazônia. O projeto recebeu hóspedes do mundo todo — entre eles empresários, membros da realeza e celebridades — e foi o primeiro grande espaço de comercialização de sua arte.

“Fiz toda a decoração, portas entalhadas em madeira e as peças que compunham a cenografia do hotel. Foi ali que comecei a viver da minha arte”, destaca.

A experiência abriu portas para trabalhos em diferentes cidades do país, como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, além de parcerias com nomes importantes da área criativa. Nesse período, ele também atuou na produção de carros alegóricos para o Carnaval e, mais tarde, para a Oktoberfest de Blumenau — evento no qual afirma ter contribuído para uma mudança estética nos desfiles.

“Desde 2004 faço carros alegóricos para a Oktoberfest. O Abre-Alas do Vovô Chopão é meu todos os anos”, comenta. Em 2015, um retorno ao hotel na Amazônia marcou outro momento importante. Com o empreendimento em decadência, Siqueira desenvolveu uma técnica própria de pintura inspirada em referências pré-colombianas para restaurar parte da estrutura. A intervenção artística ajudou a atrair novamente visitantes e rendeu até um convite para trabalhar na Universal Pictures, em Manhattan, que acabou não sendo aceito por compromissos já assumidos no Brasil.

Chegada e consolidação em Pomerode

Foi em 2019 que o nome de João Siqueira ganhou projeção em Pomerode, com a criação do primeiro Ovo de Páscoa gigante da cidade — estrutura com mais de 15 metros de altura que entrou para o Guinness Book. O desafio foi encarado praticamente de forma individual.

“Era um trabalho enorme e muita gente dizia que eu não conseguiria. Fiz todo o projeto no papel, na escala, e dormi oito dias dentro do ovo para ganhar tempo”, conta.

O sucesso do projeto resultou em novos convites e na produção de outras edições do monumento ao longo dos anos, além da construção do maior barril de chope cenográfico do mundo, da cenografia do Alles Park e de diversas estruturas voltadas ao turismo local.

Equipe da Siqueira Artes. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

 

Com a demanda crescente, o artista decidiu fixar a empresa em Pomerode e montar uma equipe multidisciplinar. Hoje, a Siqueira Artes atua principalmente em projetos que buscam fortalecer o potencial turístico da região.

“Nosso trabalho é 90% voltado ao turismo. Tudo que chama a atenção do visitante e fomenta a economia local, nós queremos colaborar”, afirma.

Projetos atuais

Entre os trabalhos mais recentes está a ampliação do Zoo Pomerode, onde a equipe desenvolve cenografias em cimento armado, com cascatas, esculturas monumentais de animais e ambientações temáticas.

A empresa também participa da criação de parques temáticos na Serra Gaúcha e mantém atuação em eventos e festas tradicionais.

Para Siqueira, mais do que produzir esculturas de grande porte, o objetivo é contribuir para o desenvolvimento regional por meio da arte. “É gratificante fazer parte do crescimento do turismo e ver que a nossa arte ajuda a contar a história dos lugares”, conclui.

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