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Da bateria ao microfone: pomerodense aposta em carreira autoral e prepara primeiro álbum

Aos 22 anos, Richard Wandalen lidera a banda Fairy Fay, prepara o lançamento do primeiro álbum autoral e acredita que é possível construir uma carreira musical sem deixar Pomerode

17 de agosto de 2026

Foto: Aquivo Pessoal

O interesse pela música surgiu cedo para o pomerodense Richard Wandalen. Aos cinco anos de idade, sentado em frente à televisão ao lado da família, ele assistia a festivais de música da Alemanha em DVDs. Enquanto muitos prestavam atenção aos cantores, o olhar do menino estava voltado para outro integrante das bandas: o baterista.

Foi ali que nasceu a paixão que, anos depois, se transformaria em profissão.

Hoje, aos 22 anos, Richard é baterista, vocalista, pianista, compositor e fundador da banda Fairy Fay, projeto autoral que se prepara para lançar seu primeiro álbum. A trajetória, no entanto, começou muito antes dos palcos.

“Eu achei a bateria um instrumento divertido, bonito e muito interessante. A música entrou na minha vida de forma leve, como uma brincadeira. Acho que é assim para a maioria dos artistas. Com o tempo, a gente descobre se aquilo realmente é a nossa vocação”, conta.

Banda Fairy Fay – Foto: Aquivo Pessoal

Embora tenha tido o primeiro contato com a bateria ainda na infância, foi apenas por volta dos 12 anos que passou a estudar o instrumento de forma efetiva. Atualmente, também toca piano, utilizado principalmente nas composições e, há cerca de dois anos, assumiu um novo desafio: tornar-se vocalista.

Segundo ele, aprender a cantar foi uma das maiores mudanças da carreira.

“Eu já escrevia músicas havia bastante tempo. Percebi que, se queria transmitir exatamente aquilo que eu imaginava nas minhas composições, precisava assumir também os vocais.”

De hobby à profissão

A decisão de transformar a música em profissão aconteceu ainda na adolescência, entre os 16 e 17 anos, quando começaram a surgir as primeiras bandas com amigos.

O que inicialmente era apenas uma reunião para tocar por diversão logo ganhou novos objetivos.

Banda Fairy Fay – Foto: Aquivo Pessoal

“Naquela época eu percebi que queria fazer algo sério. Quando fundei minha primeira banda, em 2021, bati o martelo de que era isso que eu queria para a minha vida.”

Desde então, Richard participou de diferentes projetos musicais e fundou outras bandas, até chegar à Fairy Fay, definida por ele como um projeto autoral com identidade própria.

Letras inspiradas na vida e na literatura

Muito antes de lançar músicas, Richard já escrevia.

Os primeiros textos surgiram entre os 15 e 16 anos, período em que aprofundava os estudos da língua inglesa. Inicialmente, eram poemas. Com o tempo, passaram a ganhar melodias.

Hoje, o compositor calcula possuir entre dez e doze músicas finalizadas, além de dezenas de rascunhos.

As inspirações misturam experiências pessoais e referências da literatura clássica.

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“Muito do nosso álbum fala sobre o amor e o romantismo. Existe inspiração em situações que vivi, mas também em autores como Shakespeare. Não gosto de simplesmente narrar fatos da minha vida. Prefiro transformar esses sentimentos em algo artístico.”

Entre todas as composições, uma ocupa um lugar especial: Flowers of Love, música que dará nome ao primeiro álbum da banda.

Foto: Aquivo Pessoal

Ela começou como um simples rascunho escrito entre 2019 e 2020 e, seis anos depois, tornou-se a principal obra do novo projeto.

“Ela representa exatamente aquilo que eu acredito: abordar o amor de uma forma bela e virtuosa.”

Primeiro álbum já está em produção

A Fairy Fay entra em estúdio na primeira quinzena de agosto para gravar o álbum de estreia, composto por oito faixas autorais.

Antes do lançamento completo, previsto entre outubro e novembro ou no início de 2027, dependendo do andamento da produção, a banda pretende apresentar três singles ao público.

Um fã-clube que nasceu após um show

Outro momento marcante da trajetória aconteceu de forma inesperada.

Após um show acústico realizado em Blumenau, em abril deste ano, um espectador se aproximou para conversar. Além de elogiar o trabalho, ofereceu ajuda para divulgar a banda nas redes sociais.

Foto: Aquivo Pessoal

Pouco tempo depois, nasceu um fã-clube dedicado à Fairy Fay.

“Ele trabalha com internet, cria vídeos e memes. Gostou muito do nosso conceito e sugeriu criar uma página de fãs. Hoje seguimos nessa parceria e ele faz um trabalho muito legal.”

Fazer música em Pomerode

Embora reconheça que construir uma carreira artística no interior seja um desafio, Richard acredita que permanecer em Santa Catarina traz vantagens importantes para o processo criativo.

“Claro que centros como São Paulo oferecem mais oportunidades, mas Pomerode e o Vale Europeu têm algo que considero essencial: tranquilidade. Esse ambiente ajuda muito na criação. Eu não conseguiria viver em uma cidade onde nunca existe silêncio.”

Banda Fairy Fay – Foto: Aquivo Pessoal

Para ele, o cenário musical regional continua crescendo e oferece espaço para artistas que buscam construir uma trajetória consistente.

Críticas como combustível

Ao longo da carreira, Richard também aprendeu a lidar com as críticas. Segundo ele, comentários negativos nunca foram motivo para desistir, pelo contrário.

Com bom humor, ele brinca que a única coisa que realmente o incomoda é quando as críticas chegam acompanhadas de erros de português.

“A única coisa que me incomoda nas críticas são os erros de português. Se for para criticar, pelo menos escreva certo”, comenta, em tom descontraído.

Para o músico, opiniões negativas servem como incentivo para continuar evoluindo.

Foto: Aquivo Pessoal

“As críticas funcionam como combustível para trabalhar ainda mais. Eu ficaria preocupado se elas não existissem. Quando você está fazendo algo diferente e inovador, é natural que algumas pessoas se incomodem. O importante é manter o foco e continuar trabalhando.”

Ao falar com quem deseja seguir o mesmo caminho, Richard deixa uma mensagem simples.

“Valorizem o lugar onde vocês vivem. Santa Catarina oferece um ambiente excelente para criar arte. E, principalmente, apenas comecem. Não esperem o momento perfeito. Gravem vídeos, mostrem o trabalho de vocês e deem o primeiro passo. Todo artista começa de algum lugar.”

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