Especiais

Conscientizar a fim de integrar

Em abril, o Autismo possui o seu dia específico, mas o mês também é destinado para a informar a todos, um pouco mais sobre o transtorno. E, quanto mais cedo o tratamento começa, melhor será o desenvolvimento de um autista. É o caso de Gabriel Luiz Campestrini Arante, aluno do Colégio Doutor Blumenau

6 de abril de 2019

Em todos os meses do ano, há sempre um espaço reservado para a conscientização em prol de alguma causa que possui relevância, principalmente, na área da saúde. Os mais famosos como Outubro Rosa e Novembro Azul, que tratam do Câncer de Mama e de Próstata, respectivamente, são referências para outros meses que também se preocupam em conscientizar. Em abril, o Autismo possui o seu dia específico, mas o mês também é destinado para a informar a todos, um pouco mais sobre o transtorno.

E, quanto mais cedo o tratamento começa, melhor será o desenvolvimento de um autista. É o caso de Gabriel Luiz Campestrini Arante, aluno do Colégio Doutor Blumenau, que é acompanhado pela pedagoga e especialista em autismo, Bruna Letícia Greuel. No colégio, Bruna faz questão de integrar o pequeno Gabriel, de oito anos, com as outros colegas de turma, a fim de promover, ainda mais, a inserção do autista com a sociedade. 

Uma das características desse tipo de transtorno psicológico é o isolamento, ou seja, autistas tendem a ficar mais sozinhos e não gostam muito do contato, principalmente, em grandes grupos. Porém, a pedagoga faz com que Arante se integre com os outros amigos, fazendo parte do tratamento, o que mais para a frente, pode ajudar bastante em manter relações com a sociedade em geral.

“Eu sempre uso três palavras-chave: respeitar, amar e acolher. Temos que mostrar às crianças que as pessoas que possuem Autismo ou qualquer outra deficiência, seja mental ou física, também são ‘normais’, e que podem brincar juntos, estudar ou realizar qualquer outra atividade. Aqui, as crianças adoram o Gabriel, sempre ajudam quando ele precisa, andam de mãos dadas com ele, auxiliam nas atividades e isso é um retorno que é imensurável para ele, o que acaba sendo uma terapia”, relata Bruna.

Ela também conta que o pequeno autista virou uma de suas paixões, desde 2014, quando o conheceu. O seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), teve como tema abordado o transtorno psicológico, e sua pós-graduação, também foi bem focada nesse lado.

“O Gabriel foi amor à primeira vista. Em 2014, quando conheci ele, era o meu ano de formação. Ele foi minha inspiração para meu TCC sobre o Autismo e minha pós-graduação focada na inclusão. Esse ano, tenho a oportunidade de ter uma outra menina autista em sala e eu percebo que é um fator engrandecedor para nós e não tenho palavras para descrever essa relação com eles, pois você acaba aprendendo muitas coisas e começa a ter um apego e um afeto muito especial por essas crianças”, comenta.

Uma homenagem simbólica, realizada no dia 02 de abril, todos os alunos do Colégio Doutor Blumenau usaram um uniforme azul, cor que representa a causa, a fim de promover, ainda mais, o mês de conscientização do Autismo. E, não para por aí. Outros eventos serão realizados durante todo o mês, difundindo, com mais profundidade, o assunto, com palestras, eventos e outros, todos com o mesmo propósito: mostrar que uma pessoa portadora do autismo é normal.

Sobre o transtorno

O Transtorno de Autismo afeta o sistema nervoso. O alcance e a gravidade dos sintomas podem variar amplamente. Os sintomas mais comuns incluem dificuldade de comunicação, dificuldade com interações sociais, interesses obsessivos e comportamentos repetitivos. Por ano, segundo o Hospital Albert Einstein, de São Paulo, cerca de 150 mil casos de Autismo são registrados, anualmente. 

O reconhecimento precoce, assim como as terapias comportamentais, educacionais e familiares, podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem.

Para homenagear e promover a conscientização, foi criado o Dia do Autismo. A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e, assim, reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica.

Notícias relacionadas