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Cirurgia bariátrica: procedimento focado em saúde

Saiba tudo sobre o procedimento e o relato de quem já passou por ele

1 de outubro de 2023

Ana Paula passou pelo procedimento há três anos, em agosto de 2020. (Foto: Arquivo pessoal)

Mais do que uma questão estética, a cirurgia bariátrica é uma forma de cuidar da saúde e melhorar a qualidade de vida. A palavra tem origem grega, sendo que “Baros” significa peso e “Iatros” tratamento, portanto, a cirurgia bariátrica é um procedimento que tem por finalidade tratar a obesidade grave, conforme explica Felipe Koleski, Cirurgião Bariátrico e Metabólico.

“Devemos sempre lembrar que a obesidade não é uma escolha, resultado de preguiça, desleixo ou falta de cuidados. A origem da obesidade é multifatorial, envolvendo questões genéticas, metabólicas, hormonais, ambientais, medicamentosas ou psicológicas. É uma doença que não tem cura, sendo que o tratamento mais efetivo para casos de obesidade grave é a cirurgia”, esclarece.

E para classificar se uma pessoa tem ou não um quadro de obesidade, é preciso analisar a massa corporal dela. Para isso, é utilizado o Índice de Massa Corporal (IMC), uma fórmula que divide o peso pela altura, e multiplica este resultado ao quadrado. O número final será a massa corporal.

Conforme explicado pelo Dr. Felipe Koleski, a cirurgia bariátrica é uma forma de tratar a obesidade. E foi por isso que a moradora de Pomerode, Ana Paula Dornelles, optou pela realização da cirurgia, em busca de uma mudança de vida. O procedimento foi realizado em agosto de 2020.

“Inicialmente eu não queria passar pela cirurgia bariátrica. Sempre tive certo preconceito com o procedimento, até pela questão da minha idade. Eu tinha 25 anos e, para mim, uma pessoa da minha idade passar por uma cirurgia bariátrica era algo inaceitável, eu realmente não queria”, admite Ana Paula.

No entanto, com um quadro de obesidade, ela começou a desenvolver problemas de saúde, como depressão e ansiedade, além de ovário policístico e outras complicações. Por isso, foi a mãe de Ana Paula, Fernanda Dias Dornelles que sugeriu a opção da cirurgia bariátrica, já que ela mesma já tinha passado pelo procedimento.

Antes da cirurgia, ela lidava com a dificuldade de aceitação do próprio corpo. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Ana Paula passou pela consulta com o Dr. Felipe, mas também pesquisou e teve consultas com outros profissionais, até que tomasse a decisão e optasse por realizar a cirurgia bariátrica com ele, por ter sentido mais confiança. “Ele me passou muita calma, tranquilidade, e com tudo o que o Doutor Felipe me explicou, acabei deixando um pouco de lado o tabu que eu tinha em relação ao assunto cirurgia bariátrica. Mesmo assim, para que eu aceitasse que deveria passar por isso, demorou”, admite.

A preparação para o procedimento

Antes de passar pela cirurgia, Ana Paula conta que passou por uma preparação em diversos aspectos. “Na época, eu tinha 102,5kg, e não precisei engordar e nem emagrecer, apenas cuidar até o momento da operação, para não engordar mais”, conta.

O especialista, Dr. Felipe Koleski, destaca que a cirurgia bariátrica é indicada para pessoas que tenham entre 18 e 65 anos, com obesidade estabelecida há mais de cinco anos e com tentativa de tratamento clínico sem sucesso, além de IMC entre 35 e 39,9, associado a comorbidades ou IMC acima de 40, com ou sem comorbidades.

“As pessoas com indicação de cirurgia bariátrica devem, obrigatoriamente, passar por uma avaliação multidisciplinar com Nutricionista e Psicóloga. O objetivo desta avaliação não é somente conseguir um laudo para a liberação da cirurgia, e sim a preparação para as mudanças que virão pela frente. O cirurgião irá solicitar exames pré-operatórios com o objetivo de avaliar as doenças existentes, escolher a técnica mais adequada para cada paciente e reduzir o risco cirúrgico”, frisa.

O pós-cirurgia e as mudanças na vida

A cirurgia bariátrica promove alterações anatômicas, segundo o Dr. Koleski, por isso, provoca também restrições alimentares, disabsorção e alteração na produção de determinados hormônios secretados pelo intestino delgado.

“A restrição irá causar uma saciedade mais precoce, um freio alimentar. A disabsorção irá reduzir a absorção calórica e hoje sabemos que o fator mais importante são os hormonais. A redução da produção de um hormônio irá reduzir a fome e o aumento na produção de outros irá regular a absorção de açúcar e das gorduras”, enumera.

A ingestão de líquidos claros pode ser iniciada em torno de quatro a seis horas após a cirurgia, recebendo alta em média 36 horas após o procedimento.

“Depois disso, o paciente deverá seguir rigorosamente a dieta prescrita pela Nutricionista, sendo inicialmente dieta líquida, depois cremosa, pastosa e livre, esta liberada em torno de 30 a 40 dias após a cirurgia. Caminhadas estão recomendas a partir de 15 dias da cirurgia e incentivo os pacientes a retornem à prática de exercícios físicos a partir de 30 dias”.

“O afastamento irá depender da atividade exercida pelo paciente, sendo em média 15 dias para trabalhos que não exigem esforço físico e 45 dias para trabalhos mais pesados”, esclarece o Cirurgião Bariátrico e Metabólico.

Para Ana Paula, os primeiros dias do pós-operatório foram mais complicados. “O procedimento é no estômago, mas a cabeça continua com os mesmos pensamentos. Nos primeiros dias foi difícil, porque eu só podia ingerir líquido, mas ao ver comida, aquela que chama a atenção pelos olhos, é complicado fazer a sua cabeça entender que não pode comer, então controlar a gula é uma das partes mais difíceis, e com ela vem a frustração”, comenta.

Mas aos poucos, a vida começa a se ajustar e o paciente avança nas liberações da dieta, até chegar a um estilo de vida normal. “Hoje eu não tenho mais restrições alimentares, de tipo de comida, mas como bem menos do que comia antes e faço minhas refeições de três em três horas”, afirma.

A longo prazo, segundo o Dr. Koleski, a cirurgia bariátrica causa uma alteração na absorção das vitaminas, sendo que de acordo com a técnica será necessário maior ou menor suplementação.

“Lembro que essa suplementação deverá sem realizada para sempre. O abandono da suplementação irá causar anemias, deficiência de vitaminas que trarão consequências com o passar dos anos”, enaltece.

Vida nova e benefícios

Ana Paula comenta que começou a perceber as mudanças significativas em si por volta de seis meses após a cirurgia bariátrica e que hoje gostaria de ter tido mais registros de acompanhamento do seu progresso.

“Não tenho muitas fotos do processo após a cirurgia, para acompanhar minha evolução, assim como não tenho muitos registros de antes da cirurgia bariátrica. Quando estamos em grau de obesidade, acredito que inconscientemente queremos nos esconder, mas depois é muito curioso como o nosso corpo e a nossa vida se modifica. Com o tempo, quando consegui ter uma rotina mais ativa, de conseguir caminhar, fazer uma atividade física, me ajudou a entender que fiz a escolha certa, além de me sentir realizada ao perceber que poderia escolher minhas roupas, e não esperar que a roupa me escolhesse, no caso ficando apenas com o que me servia. É uma sensação ótima quando pude ir em uma loja de roupas e escolher a minha roupa e servir”, destaca.

O Dr. Koleski também reitera os benefícios do procedimento, que é principalmente terapêutico, e não estético como muitas pessoas acreditam. “São quatro grandes objetivos: perda de peso sustentada, resolução das comorbidades, melhor qualidade de vida e melhora na autoestima pela perda ponderal. No entanto, a cirurgia bariátrica não dá o direito de comer o que quer, quanto e quando quer. Não existe cura definitiva para a obesidade”, destaca.

Ana Paula também complementa, afirmando o quanto é importante a troca de informações, para quem pensa em fazer a cirurgia e para quem acabou de fazê-la. “Mandei mensagens para várias meninas que fizeram, em todo o país, para falar sobre dúvidas que eu tinha, busquei informações com quem já tinha feito. É muito legal ver que essa troca de informações existe, que existe essa rede de troca, mesmo com pessoas que você não conhece. Sou grata à minha mãe, por ela ter me incentivado e o apoio que recebi da minha família foi essencial. A dica que eu deixo é procurar informação, pesquisar sobre os médicos e escolher algum que traga confiança e buscar o apoio de pessoas que realmente querem o seu bem”.

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