Casos de diabetes crescem entre os jovens: médicos alertam para relação com o sedentarismo e a má alimentação
Mudança no estilo de vida, excesso de peso e ultraprocessados estão entre os principais fatores de risco; especialistas destacam importância da prevenção e do diagnóstico precoce
Foto: Envato Elements
A diabetes, que por muito tempo foi associada ao envelhecimento, tem atingido cada vez mais pessoas jovens. Segundo especialistas, o avanço da doença está diretamente ligado ao aumento do sedentarismo, ao consumo de alimentos ultraprocessados e ao excesso de peso, fatores que têm se tornado cada vez mais comuns na rotina das novas gerações.
De acordo com o médico Dr. Thiago Mello, clínico geral, especialista em emagrecimento e performance esportiva, o estilo de vida moderno tem favorecido o desenvolvimento de doenças metabólicas.
“A obesidade e o ganho de gordura abdominal levam à resistência à insulina, condição que pode evoluir para o pré-diabetes e, posteriormente, para o diabetes tipo 2. A gordura visceral, especialmente na região da barriga, impede que a insulina atue corretamente, aumentando a glicose no sangue”, explica.
O médico ressalta ainda que o problema não está restrito aos adultos. “Pós-pandemia, vimos um aumento significativo de jovens e adolescentes com sobrepeso e obesidade. Questões emocionais, como ansiedade e depressão, têm levado muitos a buscar conforto em alimentos calóricos e ultraprocessados. E isso acaba elevando o risco de diabetes cada vez mais cedo”, afirma.
Além do peso e da alimentação, o Dr. Thiago destaca outros fatores de risco, como o consumo de bebidas alcoólicas, o tabagismo e a falta de sono adequado. “O diabetes tipo 2 pode ser prevenido com uma rotina que inclua exercícios regulares, principalmente musculação e atividades aeróbicas, além de uma alimentação equilibrada e acompanhamento médico periódico”, orienta.

Dr. Thiago Mello. (Foto: Divulgação)
O médico Dr. João Pádua, reforça que o comportamento das crianças e adolescentes reflete o exemplo familiar. “Pais com hábitos sedentários e má alimentação tendem a transmitir esse padrão aos filhos. Hoje, vemos crianças com obesidade infantil, o que se tornou um marcador importante para o diabetes tipo 2, algo que, até pouco tempo atrás, era raro nessa faixa etária”, observa.
Ele também alerta para os sintomas de atenção: sede e fome excessivas, urinar com frequência, perda de peso sem motivo aparente, cansaço e visão embaçada. “No caso das crianças, é importante que os pais fiquem atentos a sinais sutis, como o aumento da sede noturna ou o retorno do hábito de urinar na cama”, explica.
Os especialistas reforçam ainda que o diagnóstico precoce faz toda a diferença. “Quando identificamos o diabetes cedo, é possível evitar complicações graves, como doenças cardíacas, renais e neurológicas. Cuidar da saúde é um investimento a longo prazo”, afirma Dr. João.
Um dos sinais físicos mais comuns é o escurecimento da pele em regiões como pescoço, axilas e virilha, conhecido como acantose nigricans. Segundo os médicos, essa alteração pode indicar resistência à insulina, um alerta de que o corpo já está reagindo ao excesso de glicose.

Dr. João Pádua. (Foto: Divulgação)
Para quem já tem diagnóstico de pré-diabetes, o Dr. Thiago recomenda mudanças imediatas nos hábitos. “A perda de 5% a 10% do peso corporal e o controle rigoroso da alimentação são suficientes para evitar a progressão da doença. É essencial adotar uma rotina saudável e, quando necessário, buscar apoio de uma equipe multiprofissional, com médico, nutricionista, educador físico e psicólogo”, orienta.
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Por fim, o Dr. João Pádua reforça a importância de manter o esquema vacinal em dia e cuidar dos pés, especialmente em pessoas com diagnóstico confirmado. “Feridas e alterações de sensibilidade precisam de atenção imediata. O diabetes é silencioso, mas totalmente prevenível quando há informação, acompanhamento e ação precoce”, conclui.